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	<title>Núcleos do CCLA | CCLA</title>
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	<description>Centro de Ciências, Letras e Artes</description>
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	<title>Núcleos do CCLA | CCLA</title>
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		<title>Nossas letras e suas damas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2022 22:43:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Prada]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica de Sérgio Castanho]]></category>
		<category><![CDATA[Escritoras de Campinas]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Castanho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sérgio Castanho  -<br />
                                               Iniciarei com três palavras sobre a notável escritora campineira Maria José Morais Pupo Nogueira, nossa querida Dona Zeza, aqui nascida e aqui falecida em 2015 com 102 anos. Seu primeiro romance, “Natal Solitário”, recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio... adivinhem o nome da láurea – o Prêmio Júlia Lopes de Almeida.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="has-text-align-right"><strong><em>Sérgio Castanho</em></strong></p>



<p class="has-medium-font-size">De vez em quando volto ao tema das letras na terra que foi das andorinhas e agora é das pombas. Bairrismo? Regionalismo? Não sei. E se for, que seja.</p>



<p class="has-medium-font-size">Não falarei de Júlia Lopes de Almeida, carioca que ainda criança veio para esta cidade e aqui publicou seus primeiros escritos na “Gazeta de Campinas”. Todos os registros apontam Júlia como escritora carioca. Então desta Júlia não falarei.</p>



<p class="has-medium-font-size">Iniciarei com três palavras sobre a notável escritora campineira Maria José Morais Pupo Nogueira, nossa querida Dona Zeza, aqui nascida e aqui falecida em 2015 com 102 anos. Seu primeiro romance, “Natal Solitário”, recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio&#8230; adivinhem o nome da láurea – o Prêmio Júlia Lopes de Almeida. Seu segundo romance, “Céu Escuro”, foi premiado pela Academia Paulista de Letras e pela Secretaria de Cultura do então Estado da Guanabara. Outras obras literárias suas: “Ana” e “O Órfão e a Mulata”. Maria José ocupou a cadeira 33 da Academia Campinense de Letras e foi diretora do Departamento de Cultura e do saudoso Teatro Municipal de Campinas. Casou-se nesta cidade com Stênio Pupo Nogueira, um amigo com quem tive a felicidade de conviver, apesar da diferença de idade, no Centro de Ciências e em outros ambientes culturais. Intelectual de primeira água, Stênio foi professor da PUC-Campinas nos tempos de Monsenhor Salim. Era irmão do combativo jornalista Bráulio Mendes Nogueira e do músico Paulinho Nogueira. Dona Zeza e seu Stênio tiveram três filhos: Spencer, arquiteto, professor da PUC e artista plástico, autor da escultura em homenagem ao ex-prefeito Toninho; Clirian e Maria José, a Zezinha. Tudo – a escritora, seu marido, seus filhos, seus cunhados –tudo gente nossa, tudo gente de brilho.</p>



<p class="has-medium-font-size">Agora falarei de uma escritora que não nasceu aqui, não é parente de Campos Sales nem de Joaquim Egídio de Sousa Aranha (o marquês campineiro que presidiu São Paulo), mas aqui se radicou e aqui tem vivido nos últimos quinze anos. É a grande escritora Cecília Prado, creio que posso dizer campineira por usucapião municipal. Campinas usucapiu Cecília, que ocupa uma cadeira da Academia Campinense de Letras e ainda é titular da ACLA e do IHGGC.</p>



<p class="has-medium-font-size">A última obra que li de Cecília Prada foi a coletânea de contos “Nós, que nem ao menos somos deuses” (Pontes, 2020). O livro abre com seu “La Pietà”, considerado um dos mais belos contos em língua portuguesa. Foi escolhido em 1994 para abrir a feira internacional de livros de Frankfurt, Alemanha, onde havia sido publicado em 1986 na antologia “<em>Frauen in Lateinamerika</em>” (Mulheres na América Latina), com a versão para a língua de Goethe por Curt Meyer-Clason, o mesmo tradutor de Guimarães Rosa e de Garcia Marques.</p>



<p class="has-medium-font-size">Não preciso dizer de Cecília o que dela já disseram Lygia Fagundes Telles, Hernâni Donato, Leonardo Arroio, Alberto da Costa e Silva e muitos outros ícones de nossa cultura. Também não preciso esquadrinhar seus vinte livros publicados no Brasil. Nem os que saíram no exterior. Ficam igualmente sem dizer as quarenta obras literárias, artísticas e humanísticas que traduziu do inglês, do francês, do italiano e do espanhol. Peças de teatro de sua autoria foram traduzidas mundo afora. Uma das peças foi encenada em Nova Iorque. Tudo isso são coisas de uma grande dama de nossas letras.</p>



<p class="has-medium-font-size">Deveria falar ainda de Cida Sepúlveda, essa notável poeta e contista (“Coração Marginal”), que nasceu em Piracicaba (São Pedro) e viveu e escreveu em Campinas. Fica para outra.</p>



<p class="has-medium-font-size">E os varões assinalados destas campinas das letras? Outro dia voltarei a falar de Luiz Carlos R. Borges, amigo fraterno, campineiro de Guaraci que ambienta seus romances e contos no Café do Povo, na rua Barão, no largo do Rosário, a menos que esteja na Aquitânia escrevendo sobre Leonor, sua corte, seus trovadores. Cantando espalharei, à moda de Camões, a fama justa de Eustáquio Gomes, campineiro de Montes Altos (Minas), que nos deixou rumo ao assento etéreo onde não mais arderá com sua febre amorosa. Direi palavras enrouquecidas sobre Joaquim Brasil Fontes, campineiro de Minas e de Paris. Gostaria de falar do Zaiman de Brito Franco, amigão desde os tempos da Gruta do Noel Rosa, campineiro de Macaé (Rio), o escritor da baixa sociedade. Eu gostaria, mas ele não gosta disso, se esquiva quando sugiro que reúna em livro tudo quanto escreveu no jornal sobre a sociedade do Bar do Meio e do Mercadão. Que fazer? &nbsp;Como meu espaço chegou ao fim, falarei só na próxima crônica de um varão de nossas letras, Roberto Goto, que vem de publicar “hera fechada” (assim mesmo, com minúsculas), sua novela-cabeça que se junta às vinte e tantas obras de múltipla literatura que já escreveu. E atenção, revisão! É“hera” mesmo, com he, não “hora”, com ho. Hora, agora, é só de parar. Pronto, parei.</p>



<p>Sérgio Castanho é pesquisador e professor de História da Educação na Unicamp e titular do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas e da Academia Campinense de Letras (ACL)</p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/09/nossas-letras-e-suas-damas/">Nossas letras e suas damas</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O Olhar Paterno</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/08/o-olhar-paterno/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2022 20:32:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica de Luiz C. R. Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Dia dos Pais]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mas era através de miúdos gestos e de olhares quase clandestinos que nos expressava o seu amor. E esses olhares me ficaram impressos na memória.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Luiz Carlos R. Borges</strong></p>



<p class="has-normal-font-size">Muitas vezes, sem que eles percebam, me demoro a olhar silenciosamente os filhos, reunidos ao redor da mesa de jantar e das taças rubras de vinho. E então em mim reconheço o olhar de meu pai.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ele nunca foi de expansões. Não me lembro que nos abraçasse, a mim e a meus irmãos. Mas era através de miúdos gestos e de olhares quase clandestinos que nos expressava o seu amor. E esses olhares me ficaram impressos na memória.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Havia sido um próspero comerciante em Guaraci, no ramo de sapataria e selaria, e assim pudera comprar bicicletas para meus irmãos mais velhos. Quando adquiri certa idade também me vi no direito de ganhar uma. Em vão: a essa época os negócios já não iam tão bem. Periodicamente meu pai tomava a jardineira até Olímpia, para comprar a matéria prima de que necessitava e a cada viagem eu permanecia na esperança de que, no retorno, no bagageiro, estaria, bem visível e brilhante, a sonhada bicicleta. Numa dessas ocasiões, no final da tarde, corri até o alpendre de nossa casa, em cuja rua frontal passava a jardineira, e ainda uma vez, a última, pois foi quando se desfizeram minhas ilusões, não vi no bagageiro o objeto de meus sonhos: o que vi, junto à janela do veículo, foi o olhar contristado de meu pai, como a pedir desculpas.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Meus pais decidiram que a família se mudaria para Olímpia, para que os filhos pudessem continuar os estudos. Durante algum tempo ele continuou com sua selaria em Guaraci e, nas primeiras férias escolares, fui passar uma semana com ele. Talvez tenha sido o período de maior convívio entre nós dois. Almoçávamos e jantávamos juntos, na casa de minha avó ou no restaurante do seu Farid. Além de afetiva, minha memória dessa semana é também olfativa e gustativa: o aroma do sabonete Carnaval, o sabor jamais igualado das esfirras do Farid. Quando parti, desta vez ele estava do lado de fora da janela da jardineira: tinha um olhar desolado, como se a custo contivesse as lágrimas.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Anos depois, as dificuldades o obrigaram a encerrar as atividades de sua empresa, e rumamos para Campinas, para reiniciar nossas vidas. Um dia ele tomou o trem e se dirigiu até Jaboticabal, na expectativa de receber o pagamento de dívidas de antigos clientes. Na tentativa de ludibriá-lo, eles emitiram um cheque, no entanto pré-datado. Ainda assim meu pai apresentou o cheque à agência bancária e conseguiu receber o valor em dinheiro. Retornou bem no dia de meu aniversário. Tinha um olhar jubiloso e, sob o braço, trazia, embrulhado em jornal, uma lata de doces (a então célebre quatro-em-um; goiabada, figada, pessegada e marmelada), para comemorarmos o aniversário e o êxito de sua viagem.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Passaram-se os anos, muitos anos; os filhos se casaram, vieram os netos; meus pais passaram a residir num pequeno apartamento &nbsp;&nbsp;na rua Barreto Leme. E a meu pai vieram os primeiros sintomas do mal de Alzheimer. Conforme a doença evoluía, minha mãe já não conseguia conter os seus arroubos, a querer obsessivamente descer até a rua, onde o estariam esperando os velhos amigos de Guaraci. Em seu final melancólico, já contando com a ajuda de um casal de acompanhantes, foi perdendo gradualmente os movimentos e alienou-se completamente das coisas e pessoas ao seu redor; já não reconhecia ninguém; suas últimas manifestações foram suscitadas por lembranças de seu tempo de clarinetista da banda de Guaraci: meu irmão mais velho imitava o som do instrumento e ele acompanhava mecanicamente com os pés. Mas o olhar já não existia, apagara-se, fosco e ausente.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Antes desse período, quando ainda mantinha um certo grau de consciência, a cada manhã eu conduzia meu pai até uma casa de idosos, para que pudesse receber cuidados médicos, conviver com pessoas da mesma idade, praticar exercícios e assim conceder algumas horas de descanso para minha mãe.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No final da tarde ia buscá-lo, e era como se eu repetisse a tarefa de apanhar meus filhos na escola. Quando eu chegava, ele já se encontrava no pequeno jardim à frente da casa e, ao me ver e reconhecer, seus olhos readquiriam a antiga alegria, cintilavam. Era, sim, como uma criança que aguardasse ansiosamente a chegada do pai e a saudava com sorrisos e com o brilho dos olhos. Na volta, no carro, ao meu lado, ia lendo em voz alta os letreiros e anúncios publicitários, como um menino recém-alfabetizado.</p>



<p class="has-normal-font-size" id="Literatura-">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E era esta a realidade: meu pai se havia tornado meu filho, e eu passara a ser seu pai.</p>



<p class="has-text-align-right"><em><strong>Luiz Carlos R. Borges é pai e avô – e, para sempre, filho. </strong></em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/08/o-olhar-paterno/">O Olhar Paterno</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Francisco Glicério de Cerqueira Leite e o Centro de Ciências Letras e Artes</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/08/francisco-glicerio-de-cerqueira-leite-e-o-centro-de-ciencias-letras-e-artes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Aug 2022 16:16:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Glicério]]></category>
		<category><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></category>
		<category><![CDATA[História de Campinas]]></category>
		<category><![CDATA[República]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Prefeito Heitor Penteado, relembrou com propriedade a caminhada de Francisco Glicério na construção da República.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-pullquote is-style-default"><blockquote><p><strong>República!&#8230; Voo ousado</strong>                     <strong>  Do homem feito condor!                    Raio de aurora inda oculta</strong>                <strong>Que beija a fronte ao Tabor!</strong>          <strong>Deus! Por que enquanto o monte</strong>   <strong>Bebe a luz desse horizonte,</strong>          <strong>Deixas vagar tanta fronte,</strong>                   <strong>No vale envolto em negror?!&#8230;</strong><br><strong><em>&nbsp;</em></strong><br><em>Trecho da III parte do poema Pedro Ivo</em> <em>Livro Espumas Flutuantes</em>              <em>“Poesias de &nbsp;Castro Alves”</em>            <em>Tipografia de Camillo Lellis Masson</em> <em>Bahia 1870 – páginas 62</em></p></blockquote></figure>
</div>



<p>O vigário João Manoel de Almeida Barbosa, no dia 24 de agosto de 1846, registrou no livro VI, folhas 143, a certidão de batismo de Antônio e, na linha seguinte, a de Francisco, ambos batizados com a sua licença pelo Reverendo Antônio Fernando Nunes. Antônio trazia como padrinho Antônio Benedicto e D. Maria Cândida e Francisco, os padrinhos, Reginaldo Antônio e D. Maria Cândida. Francisco, de seis dias, nascido em 15 de agosto, não era outro senão o filho de Antônio Benedicto de Cerqueira Leite e D. Maria Zelinda da Conceição. Segundo sua certidão de casamento, carregaria o nome de Francisco Glicério de Cerqueira Leite. Seu padrinho de batismo era o compadre de seu pai Reginaldo Antônio de Moraes. Antônio, de 27 dias, nascido em 27 de julho de 1846, não era outro senão o filho de Reginaldo Antônio de Moraes Salles e de D. Antônia Joaquina do Amaral Camargo. Carregando o nome de Antônio Carlos de Moraes Salles, o menino se transformaria em um dos maiores advogados de Campinas. Seu padrinho de batismo era o compadre de seu pai, Antônio Benedicto de Cerqueira Leite.</p>



<p>Como imaginar D. Maria Cândida de Barros, a madrinha dos dois meninos, harmonizando os pensamentos tão diversos e tão diferentes que eram gerados por estes dois personagens. Cento e setenta e seis anos depois sinto-me bastante à vontade para relembrar, com muito orgulho e satisfação esta efeméride que, por sinal, já foi vivida com muita intensidade no ano de 1916, data em que o Centro de Ciências Letras e Artes comemorou o 70º aniversário de nascimento de Francisco Glicério, exatamente quatro meses e três dias após a sua morte, que se deu no Rio de Janeiro em 12 janeiro de 1916. Comentava o Correio Paulistano de 16 de agosto de 1916:</p>



<p><em>“&#8230;Razões de sobra tem o Centro de Ciências Letras e Artes para ficar orgulhoso do êxito de sua comemoração: com ela pagaram Campinas e o Estado de São Paulo uma dívida de honra para com a memória do General Francisco Glycerio, cuja vida, cuja atividade, cujo caráter, cujos altos sentimentos de benemerência e abnegação exigiam uma homenagem condigna, que exaltasse suas virtudes e as apontasse como exemplo a geração atual”</em></p>



<p>Os festejos começaram no dia 15 de agosto, com uma visita pela manhã ao túmulo de Glicério. Uma comitiva partiu do largo da catedral às oito horas da manhã com a banda da Força Pública, sob as ordens do Alferes Salvador Chiarelli e diversas autoridades. Alunos do Liceu de Artes e Ofícios, do Externato São João, alunos da escola do Fundão, alunos do segundo Grupo Escolar, alunos do Ginásio do Estado e diversas outras entidades de ensino, seguiram pelas (atuais) Francisco Glicério, Barreto Leme, Barão de Jaguara, Ferreira Penteado, José Paulino e Avenida do Fundão, hoje conhecida como Avenida da Saudade, até a porta da necrópole, onde a polícia vetou a entrada do grande número de populares.</p>



<p>O túmulo de Francisco Glicério se encontrava completamente coberto de flores naturais, onde o prefeito municipal, Heitor Penteado, pronunciou um discurso em que se dizia guiado pelo Centro de Ciências, Letras e Artes e seus fins altamente nobres para reunir e incentivar o civismo e o patriotismo em nossa cidade. Acrescentava o prefeito que a solenidade teria uma dupla significação, de um lado, a dor pelo desaparecimento do amigo, ilustre, generoso e bom e, por outro lado, a solidariedade do povo com o princípio ideal que, em vida, o eminente campineiro sempre encarnou.</p>



<p>O Prefeito Heitor Penteado, relembrou com propriedade a caminhada de Francisco Glicério na construção da República. Em seguida a banda da Força Pública executou uma peça de seu repertório. Usou também a palavra o aluno do Colégio São Benedito, Araripe Rodrigues que encerrou esta parte da solenidade. Às 20 horas, realizou-se no salão nobre do Centro de Ciências Letras e Artes, a Sessão Magna. Com abertura do presidente, dr. Carlos Stevenson, a palavra foi entregue ao Presidente da Câmara dos Deputados, dr. Antônio Lobo que, em seu discurso, menciona uma carta de próprio punho de Glicério a ele endereçada. A carta era datada de 17 de julho de 1890 e se referia a momentos delicados e tristes da vida de Glicério:</p>



<p><em>“&#8230;Pede ao Deus dos católicos que me auxilie, s</em><em>ó </em><em>vejo em torno de mim o dever de ser forte, a necessidade de ser puro e os perigos da minha situação.</em><em></em></p>



<p><em>Quando parti disse-te que te mandaria 30:000$000 para pagares aqueles três compromissos que envolvem a minha honra e o meu nome, no suposto de que viria receber essa soma de meus irmãos, pela venda do meu quinhão na fazenda de Jaú, pois supunha poder liquidar, pelo menos, 40 contos. Deram-me 20 contos, sendo 12 j</em><em>á</em><em>, e 8 depois! Que pancada levei na cabe</em><em>ç</em><em>a com essa triste nova, deves imaginar. Equilibrei-me, o mais que pude, para não cair fulminado, e não dei sequer a perceber que assim ficava exposto a um desastre moral que me pode ser fatal.</em><em></em></p>



<p><em>Disse ao Jorge que te mandasse os 12 contos, pague com eles, Rafael Sampaio &amp; CO, 8.602$670, pela liquidação de D. Gertrudes de Arruda Camargo e o restante use na reforma da letra endossada pelo Octaviano, no Banco Provincial. Quanto ao saldo das prestações de D. Isabel e Domingos da Costa Neto, serão pagas do seguinte modo: com os 8 contos que pedir</em><em>á</em><em>s ao Jorge e com o produto da venda de minha casa, para o que te mandarei procuração minha e de minha mulher do Rio de Janeiro.</em><em></em></p>



<p><em>Arranja-me isso, pelo amor de Deus, de modo que meu nome seja salvo do naufrágio</em><em>.</em></p>



<p><em>Além </em><em>disso, tenho outras d</em><em>í</em><em>vidas, sendo a que mais me tortura é a de Santos, Irmão &amp; Nogueira, a quem não</em><em> posso e não</em><em> devo prejudicar, sob pena de ser um falso amigo.</em><em></em></p>



<p><em>Calculo </em><em>que os servi</em><em>ç</em><em>os do escritório darão 40 contos, sem incluir Fiorita e Tavolara, mas isso </em><em>é liquidação </em><em>demorada, portanto, tudo depende das tuas diligências, da tua dedicação a mim.</em><em></em></p>



<p><em>Se estes meios falharem, temo que a minha honra ser</em><em>á </em><em>o pasto apetecido dos meus cruéis inimigos e a minha retirada do governo e da pol</em><em>í</em><em>tica, a consequência forçada do desastre. </em><em>Então</em><em> minha visita a Campinas passar</em><em>á </em><em>a ser uma eterna despedida, no seio dos meus companheiros, no teatro das minhas glórias. Bem v</em><em>ê</em><em>s quanto isso </em><em>é horrível, </em><em>menos para mim do que mesmo para a salvação e o ressurgimento de minha terra. </em><em>Não sei o que pensava quando, a custo, desprendi-me de vocês, entretanto, eu nada suspeitava. </em><em>Meus irmãos apresentaram-me um cálculo exato, contra o qual nada tenho que reclamar, mas a questão</em><em> é </em><em>que eu devia </em><em>à </em><em>firma, a parte do capital, que retirei aos poucos, e a sociedade tem passivo considerável. Se pudesse esperar a colheita de 91, então estaria salvo, mas não posso, pelas circunstâncias que exponho.</em><em></em></p>



<p><em>Eis tudo, tudo quanto me acontece, depois que cheguei ao fim da minha jornada pol</em><em>í</em><em>tica. Aqui estou, sem poder me abrir com viva alma. Quis chamar-te, mas verifiquei que eu não poderia conter-me, sem disparar no mais indiscreto desabafo. Esse encontro seria até</em><em> um vexame para mim, </em><em>que preciso manter calma, reflexão e firmeza inabalável.</em><em></em></p>



<p><em>Não devo considerar-me infeliz, porque o culpado fui eu. Sou apenas um patriota sem dinheiro com a responsabilidade do governo e do futuro de S. Paulo. </em><em>Há </em><em>uma coisa que me tortura o coração e a consciência, fiz a República, a custa do dinheiro alheio prejudicando meus credores. Este espinho h</em><em>á </em><em>de levar-me ao t</em><em>ú</em><em>mulo, se eu não&nbsp; puder salvar-me agora, a fim de trabalhar e pagar as minhas d</em><em>í</em><em>vidas.</em><em></em></p>



<p><em>Vê</em><em>s quanto deves fazer por mim. Confio a direção dos meus negócios para você e parto para o Rio, para </em><em>à</em><em>quele inferno, levando a alma em pedaços. Olha: salva-me, e fica desde j</em><em>á </em><em>pago do teu servi</em><em>ç</em><em>o, recebendo este conselho: nunca sejas chefe político. Esta carta come</em><em>ç</em><em>ada ontem </em><em>concluo</em><em> agora, </em><em>à</em><em>s 5 horas da tarde de 18, e daqui a pouco vou ao banquete político</em><em> que me d</em><em>ã</em><em>o. </em><em>E vou mostrar-me risonho, e vou fazer discursos! Adeus.</em><em>Dá</em><em>-me um abra</em><em>ç</em><em>o e que isto me anime. Teu amigo, Glicério”</em><em></em></p>



<p>Este episódio não terminaria assim, pois um amigo comum de Glicério e Antônio Lobo, morador de Santos, diante de uma acusação que chegara ao seu conhecimento, a de que Glicério não saldara uma dívida de quatro contos de réis, imediatamente chama Antônio Lobo que, sem poder mentir e bastante envergonhado, confirma que Glicério não tinha mais atividade profissional o que dificultava sua vida em vários sentidos. &nbsp;O perfeito cavalheiro e leal amigo de Santos, então tomou a seguinte decisão:</p>



<p><em>“&#8230; Pois, eu não desejo que se fale de Glicério; quero que seu nome continue tão limpo e respeitado como é e tem sido até hoje.” </em>Logo no outro dia, este amigo, providencia 36 contos de réis para saldar as contas de Glicério na praça de Campinas, sacados do Banco União de São Paulo, empresa em que era sócio com Bento Quirino e José Paulino Nogueira e proíbe Antônio Lobo, de revelar sua identidade ou a origem dos recursos. O tempo não consegue torná-lo anônimo: Antônio Carlos da Silva Telles, nome que Campinas admira por esta e outas atitudes.</p>



<p>Hoje, diante de tantas dificuldades vividas pelo Centro de Ciências, Letras e Artes que, sem esmorecer insiste em sobreviver, relembramos o nascimento de Francisco Glicério, não com as glórias do passado, dias em que civismo era valorizar nossos heróis, era transferir valores para uma geração, era a identificação com a república libertária, mas com este singelo artigo em tempos amargos, em uma sociedade que ainda não construiu os valores éticos do respeito e tolerância, base do espírito democrático.</p>



<p><strong>Genaro Campoy Scriptore</strong>                                                                                                                        Administrador de Empresas, Curador do Museu Campos Salles, Conselheiro Fiscal do Centro de Ciências Letras e Artes</p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/08/francisco-glicerio-de-cerqueira-leite-e-o-centro-de-ciencias-letras-e-artes/">Francisco Glicério de Cerqueira Leite e o Centro de Ciências Letras e Artes</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O CCLA, pelo historiador Duílio Battistoni Filho</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/07/o-ccla-pelo-historiador-duilio-battistoni-filho/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Jul 2022 14:19:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conheça mais sobre o Centro de Ciências, Letras e Artes. O historiador Duílio Battistoni Filho fala sobre a centenária instituição que é o berço da Cultura campineira atual.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="&quot;O que é o CCLA?&quot;" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/I8wuXeHm05E?start=17&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Chamada dos Heróis Combatentes</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/06/chamada-dos-herois-combatentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jun 2022 21:24:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Combate de Venda Grande]]></category>
		<category><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></category>
		<category><![CDATA[História de Campinas]]></category>
		<category><![CDATA[Monumento ao Combate de Venda Grande]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento Liberal de 1842]]></category>
		<category><![CDATA[Venda Grande]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto no Brasil uma sociedade conhecida como Conselho da Sociedade dos Patriarcas Invisíveis, com sede no Rio de Janeiro, em meio à corte do jovem Dom Pedro II, fomentava a insurreição para  sustentar e defender debaixo deste novo laço social a Independência do Brasil, e a Constituição do Império, do outro lado enfrentando uma guerra externa, os poderes constituídos defendiam a Regência, o Imperador e a Constituição e a pergunta que não calava era: “Quem era o inimigo? Os Liberais que se armavam ou os conservadores que se aliavam aos regressistas?” Em um fogo amigo os brasileiros se dizimavam em Campinas, Limeira, Sorocaba, Santa Luzia, Porto Alegre na busca de um caminho de amor ao Brasil e à Pátria.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Genaro Campoy Scriptore</strong></p>



<p><em>No dia em que celebramos esta data histórica, capítulo heroico e cívico vivido pela altivez do povo campineiro, do povo brasileiro e porque não dizer dos paulistas que fizeram a diferença no movimento liberal acontecido entre 1835-1842 que sacudiu o início do segundo império, não poderíamos ficar somente no discurso das façanhas das batalhas é preciso acima identificar os personagens, vultos históricos que exerceram ideais libertários constitucionais que são o coração da República Federativa do Brasil.</em></p>



<p><em>Enquanto no Brasil uma sociedade conhecida como Conselho da Sociedade dos Patriarcas Invisíveis, com sede no Rio de Janeiro, em meio à corte do jovem Dom Pedro II, fomentava a insurreição para&nbsp; sustentar e defender debaixo deste novo laço social a Independência do Brasil, e a Constituição do Império, do outro lado enfrentando uma guerra externa, os poderes constituídos defendiam a Regência, o Imperador e a Constituição e a pergunta que não calava era: “Quem era o inimigo? Os Liberais que se armavam ou os conservadores que se aliavam aos regressistas?” Em um fogo amigo os brasileiros se dizimavam em Campinas, Limeira, Sorocaba, Santa Luzia, Porto Alegre na busca de um caminho de amor ao Brasil e à Pátria.</em></p>



<p><em>Este capítulo do Combate da Venda Grande é precioso para nossa cidade, para nossa história e não podemos deixar de nominar alguns dos atores deste evento.</em> <em>Do Rio de Janeiro, no dia 18 de maio zarpava do porto, as 8:00 horas da manhã, quatro barcas de vapor: “A Especuladora, Paquete do Sul, Pernambucana e São Sebastião” com 700 praças do 12º Batalhão de Caçadores com destino a Santos.</em></p>



<p><em>Por terra, em 19 de maio, seguiam mais 400 praças do Batalhão de Fuzileiros e no vapor “Todos os Santos”, embarcava o Comandante em Chefe do Exército. General Luiz Alves de Lima e Silva, na época o Barão de Caxias.</em></p>



<p><em>Em Campinas no Engenho da Lagoa, sítio do finado Theodoro Ferraz, o lugar conhecido como “Venda Grande”, na estrada em direção a Limeira, no mesmo local que nossas vistas alcançam ao nosso derredor, se reunia um grupo de não mais do que 300 ou 350 rebeldes, portando armas de caça, alguns participantes da Guarda Nacional, fazendeiros e gente do povo que tinham laços com os liberais que haviam eleito Rafael Tobias de Aguiar como Presidente da Provincia de São Paulo com a liderança e aconselhamento de Diogo Antonio Feijó, o “paulistano campineiro”.</em></p>



<p><em>O Barão de Caxias não precisou vir a Campinas. Enviou o Coronel Amorim Bezerra com 3 cadetes do 12º para instruir os improvisados soldados conservadores em Campinas e uma força de soldados militarmente preparados que chegou em 6 de junho de 1842 em Campinas se juntando aos soldados da guarda pessoal do Padre João José Vieira Ramalho, agricultor, dono da fazenda Boa Vista e fundador da cidade de São João do Jaguary, hoje São João da Boa Vista, que detinha uma milícia particular utilizada para defender seus interesses e de sua fazenda, aos soldados da Guarda Nacional liderados pelos Coronel José Franco de Andrade e pelo major Joaquim Quirino dos Santos.</em></p>



<p><em>Das forças imperiais comandadas pelo coronel Amorim Bezerra, em relatório ao Barão de Caxias são mencionados com distinção:</em></p>



<p><em>No dia 7 de junho, com 120 homens de cavalaria e infantaria, o Coronel Amorim Bezerra, dirige-se para a fazenda da Lagoa, no Engenho da Lagoa ou Venda-Grande, onde estavam acampados 50 homens, que chegaram no meio do mês de maio de 1842 de diversas paragens e mais 130 homens da chamada “Coluna Libertadora”, trazidos pelo valente Capitão Boaventura Soares do Amaral, que abastecera os homens com armamentos, munição e uma peça, canhão, de artilharia. Tal peça, possivelmente, nunca foi usada por total despreparo dos rebeldes.</em></p>



<ol class="wp-block-list" type="1"><li><em>O alferes do 12º Batalhão Carlos Cirilo de Castro</em></li><li><em>II tenente João Jacques Godfroy, cadete de artilharia</em></li><li><em>Alferes de comissão João José Pereira do 12º Batalhão</em></li><li><em>Cadete em serviço do oficial João José Pereira do 12º Batalhão</em></li><li><em>Sargento Joaquim Theodoro do 12º Batalhão</em></li><li><em>Sargento de Guardas Nacionais Antonio do Rego Dante</em></li></ol>



<p><em>O número de mortos no Combate de Venda Grande, nunca foi realmente apurado. O relatório dos soldados do Barão de Caxias contou 17 mortos; historiadores e cronistas falam em 19 ou 20 combatentes mortos; Amador Bueno Machado Florence, em sua crônica, quarenta anos depois do evento, relaciona alguns mortos:</em></p>



<p><em>1. Boaventura do Amaral Soares de Camargo.</em></p>



<p><em>2. Antonio Joaquim Vianna.</em></p>



<p><em>3. “Negueime”, apelido de um primo de Joaquim Bonifácio do Amaral, o Sete Quedas, Visconde de Indaiatuba.</em></p>



<p><em>4. João Evangelista Monteiro, um primo de Juca Salles.</em></p>



<p><em>5. Um tal de João Francisco, que talvez seja, João Sapateiro, nome que Amador Bueno Machado Florence identifica como alfaiate, oficial, mestre de ofício, do Cezarino, refere-se Antonio Ferreira Cezarino que nesta época era um prestador de serviços na comunidade.</em></p>



<p><em>6. Um camarada do Bittencourt, provavelmente um dos colonos ou empregado de Antonio Pio Correia Bittencourt que também participou do combate, que não se recorda o nome.</em></p>



<p><em>Da força Imperial pereceu somente um soldado do Padre Ramalho.</em></p>



<p><em>Quanto aos feridos, Amador Bueno Machado Florence, relaciona:</em></p>



<p><em>1. Antonio Alfaiate, baleado de revés na cabeça.</em></p>



<p><em>2. Joaquim Cardoso, irmão de Manoel Cardoso, tio do maestro Santana Gomes e de Antonio Carlos Gomes, baleado no peito, que se recuperou graças ao acolhimento e ajuda dos sitiantes da redondeza.</em></p>



<p><em>3. José Antonio da Silva, ferido no braço.</em></p>



<p><em>Narra Amador Bueno Machado Florence, filho de Hercule Florence, curioso fato acontecido na fazenda do major Luciano Teixeira Nogueira, sobre o único prisioneiro de guerra, feito pelos revolucionários paulistas. Um jovem oficial que cumpria o serviço militar em Campinas, José Manoel de Castro, que no futuro despontaria como importante fazendeiro na região, desavisadamente foi à fazenda de Luciano Teixeira Nogueira e lá chegando foi detido pelo major e seus trinta companheiros, que o levaram para Sorocaba na comitiva que conduziu o Padre Feijó.</em></p>



<p><em>Em Sorocaba exerceu José Manoel de Castro, a função de impressor e tipógrafo do jornal “O Paulista”, editado por Hercule Florence, pai do narrador deste fato, com quem desenvolveu grande amizade, a ponto de fugirem juntos montados em um único animal com destino a Porto Feliz, após a fuga em massa acontecida no final da Revolta. Quanto retornaram para Campinas foram anistiados.</em></p>



<p><em>E agora com o objetivo de relembrar estes valentes combatentes faço uma singular chamada de seus nomes que compilei das menções feitas pelo Doutor Antonio Carlos de Moraes Salles, Amador Bueno Machado Florence e por João Baptista Moraes.</em></p>



<p><em>Parodiando o Príncipe dos Poetas, o campineiro Guilherme de Almeida empresto algumas linhas do poema <strong>Oração ante a última trincheira, </strong>uma homenagem a Revolução de 1932, para homenagear os nomes destes distintos campineiros, paulistas e brasileiros.</em></p>



<p><em>Agora é o silêncio&#8230;</em></p>



<p><em>É o silêncio que faz a última chamada&#8230;</em></p>



<p><em>É o silêncio que responde:</em></p>



<p><em>— &#8220;Presente!&#8221;</em></p>



<p><em>Depois será a grande asa tutelar de São Paulo,</em></p>



<p><em>asa que é dia, e noite, e sangue, e estrela, e mapa</em></p>



<p><em>descendo petrificada sobre um sono que é vigília.</em></p>



<p><em>E aqui ficareis Heróis-Mártires, plantados,</em></p>



<p><em>firmes para sempre neste santificado torrão de</em></p>



<p><em>chão paulista.</em></p>



<p><em>Para receber-vos feriu-se ele da máxima</em></p>



<p><em>de entre as únicas feridas na terra,</em></p>



<p><em>que nunca se cicatrizam,</em></p>



<p><em>porque delas uma imensa coisa emerge</em></p>



<p><em>e se impõe que as eterniza.</em></p>



<p><em>Só para o alicerce, a lavra, a sepultura e a trincheira</em></p>



<p><em>se tem o direito de ferir a terra&#8230;.</em><strong></strong></p>



<p><strong>(À menção de cada nome, os participantes do evento respondem “PRESENTE”)</strong><strong><em><br></em></strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong><em>COMBATENTES DA VENDA GRANDE</em></strong><strong><em></em></strong></td></tr><tr><td><em>Ângelo Custodio Teixeira Nogueira</em></td></tr><tr><td><em>Antonio Alfaiate</em></td></tr><tr><td><em>Antonio Castelhano</em></td></tr><tr><td><em>Antonio Custódio de Morais</em></td></tr><tr><td><em>Antonio de Cerqueira</em></td></tr><tr><td><em>Antonio Joaquim Viana</em></td></tr><tr><td><em>Antonio Manuel Teixeira</em></td></tr><tr><td><em>Antonio Pio Correia Bitencourt</em></td></tr><tr><td><em>Bento Martins</em></td></tr><tr><td><strong><em>Boaventura do Amaral Soares de Camargo</em></strong></td></tr><tr><td><em>Cândido Pompeu</em></td></tr><tr><td><em>Carlos Augusto do Amaral</em></td></tr><tr><td><em>Casemiro de Lima</em></td></tr><tr><td><em>Diogo Benedito dos Santos Prado</em></td></tr><tr><td><em>Emídio Carpinteiro</em></td></tr><tr><td><em>Felipe Cesar Cerqueira Leite</em></td></tr><tr><td><em>Fidencio Bueno de Camargo</em></td></tr><tr><td><em>Floriano de Lima</em></td></tr><tr><td><em>Francisco Borges da Cunha</em></td></tr><tr><td><em>Francisco Cardoso</em></td></tr><tr><td><em>Francisco de Assis Pupo</em></td></tr><tr><td><em>Francisco de Barros Leite</em></td></tr><tr><td><em>Francisco Dias Aranha</em></td></tr><tr><td><em>Francisco Luiz das Chagas</em></td></tr><tr><td><em>Francisco Marcelino de Morais</em></td></tr><tr><td><em>Francisco Teixeira Nogueira</em></td></tr><tr><td><em>Gonçalo da Silva</em></td></tr><tr><td><em>Inácio de Oliveira</em></td></tr><tr><td><em>João Batista Pupo de Morais</em></td></tr><tr><td><em>João Dias Aranha</em></td></tr><tr><td><em>João Evangelista Monteiro</em></td></tr><tr><td><em>João Sapateiro</em></td></tr><tr><td><em>João Tamoio</em></td></tr><tr><td><em>Joaquim Bonifácio do Amaral</em></td></tr><tr><td><em>Joaquim Cardoso</em></td></tr><tr><td><em>Joaquim Custódio de Lima</em></td></tr><tr><td><em>Joaquim Incarnação</em></td></tr><tr><td><em>Joaquim Pinto de Camargo</em></td></tr><tr><td><em>José Antonio da Silva</em></td></tr><tr><td><em>José Inácio Teixeira</em></td></tr><tr><td><em>José Inocêncio de Camargo</em></td></tr><tr><td><em>José Maria do Nascimento</em></td></tr><tr><td><em>José Pedro</em></td></tr><tr><td><em>José Xavier Leite</em></td></tr><tr><td><em>Juca Cavalheiro</em></td></tr><tr><td><em>Luciano Teixeira Nogueira</em></td></tr><tr><td><em>Luiz Aranha</em></td></tr><tr><td><em>Luiz Dias Aranha</em></td></tr><tr><td><em>Malaquias de Tal</em></td></tr><tr><td><em>Manuel Fernandes Palhares</em></td></tr><tr><td><em>Manuel Joaquim Ferraz</em></td></tr><tr><td><em>Manuel Silvestre Martins</em></td></tr><tr><td><em>Modesto Correia</em></td></tr><tr><td><em>“Negueime”</em><em></em></td></tr><tr><td><em>Pedro Aleixo</em></td></tr><tr><td><em>Pedro Aranha</em></td></tr><tr><td><em>Reginaldo Antonio de Morais Salles</em></td></tr><tr><td><em>Rodrigo Cesar de Cerqueira</em></td></tr><tr><td><em>Sargento-Mor Raimundo Alvares dos Santos Prado Leme</em></td></tr></tbody></table></figure>



<p>Genaro Campoy Scriptore é membro do Conselho Fiscal (Gestão 2022-2024), administrador de empresas e pesquisador; Curador do Museu Campos Salles, do CCLA.</p>



<p><em><br></em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/06/chamada-dos-herois-combatentes/">Chamada dos Heróis Combatentes</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>CARLOS FERREIRA, BAUDELAIRIANO</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/06/carlos-ferreira-baudelairiano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jun 2022 20:23:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Baudelaire]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Carlos R Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Poeta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luiz Carlos R. Borges                   Em seu volume dedicado ao “Simbolismo”, dentro da coleção...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Luiz Carlos R. Borges</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/Carlos-Ferreira-edited-1.jpg" alt="" class="wp-image-691" width="497" height="745.5" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/Carlos-Ferreira-edited-1.jpg 337w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/Carlos-Ferreira-edited-1-200x300.jpg 200w" sizes="(max-width: 337px) 100vw, 337px" /></figure>


<h2> </h2>


<p>                         Em seu volume dedicado ao “Simbolismo”, dentro da coleção “Roteiro da Poesia Brasileira” editado em 2006 pela Global Editora, em conjunto com o então Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional, colhe-se a seguinte referência, no texto introdutório assinado por Lauro Junkes: “A partir de 1870 projetou-se crescentemente a influência de Baudelaire na poesia brasileira. O primeiro poeta de influência baudelairiana teria sido Carlos Ferreira, com <em>Alcíones</em> (1872)”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como se sabe, ao longo de todo o século dezenove a literatura francesa exerceu influência predominante no desenvolvimento das letras brasileiras (assim como na de outros países). Na segunda metade do século, a escola parnasiana mereceu entre nós inúmeros adeptos, que a praticaram de forma intensa e persistente, ao ponto de quase se transformar numa escola “oficial”, produzindo ícones como Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. O fenômeno se reproduziu (de forma, é certo, meio marginal) em relação ao simbolismo, como foi denominada a linhagem poética que, a partir de Charles Baudelaire e sua transgressão aos moldes românticos, foi implantada por Verlaine, Rimbaud e Mallarmé.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os grandes destaques do simbolismo, no Brasil, foram, reconhecidamente, Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens. Depois deles, no entanto, eclodiu uma nova e brilhante geração, bem destacada no livro mencionado. Mas o interesse pela nova poesia já havia sido despertado anteriormente junto a poetas sintonizados com o que ocorria no outro lado do Oceano, especialmente através da leitura do livro transgressivo e controvertido de Baudelaire, “As Flores do Mal”, editado em 1857. Entre eles, Carlos Augusto Ferreira.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sua inclusão entre os baudelairianos há de merecer destaque (e por isso suscitou nossa atenção), porque Carlos Ferreira foi, além de ficcionista e poeta, também jornalista, com atuação inclusive e especialmente em Campinas. Nascido no Rio Grande do Sul, a certa altura de sua trajetória, ele trasladou-se para nossa cidade, onde a partir de 1876 passou a militar na “Gazeta de Campinas”, como seu redator (ou como “proprietário e diretor”), jornal que entre seus fundadores, em 1869, contava com a figura exponencial de &nbsp;Francisco Quirino dos Santos. A esse respeito anota Duílio Batisttoni Filho, em sua importante obra “Imprensa e Literatura em Campinas nos seus primórdios”, Ed. Pontes, 2016: “Em 1876 a Gazeta passava a ser editada diariamente com feição mais literária tão a gosto de seu redator-chefe, o poeta Carlos Ferreira (1848-1913), que também trabalhara em jornais de São Paulo” (pág.28).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois de algum tempo, Ferreira mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo também residido em Amparo. É importante mencionar que a biblioteca do CCLA dispõe em seus acervos, na seção “Campiniana”, de um romance seu publicado já em 1890, através da Editora Livro Azul, intitulado “Primeira Culpa (Estudo da Vida Social)” e dedicado a seu amigo Machado de Assis.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao mencionado livro de poesia, “Alcíones”, não consta ter sido reeditado; notícias a respeito podem ser encontradas de maneira indireta, como é o caso do estudo intitulado “Les Fleurs du Mal antes de As Flores do Mal: os Primeiríssimos Baudelairianos”, disponível na internet. Seu autor, Ricardo Meirelles, revela que a tradução do poema “Les Balcons” consta do mencionado livro de 1872, sob o título de “Modulações” e o subtítulo de “Imitação de Baudelaire”. Através das inúmeras fontes pesquisadas pelo autor, destaca-se que na referida tradução / imitação, Ferreira se utilizou, livremente, de termos e expressões mais afeiçoadas à sua formação como poeta vinculado ao romantismo. Como estas: “Saudosa inspiração da lúcida poesia! / Que é da quadra feliz do affecto delirante?”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Teria sido ainda anteriormente à data da publicação do livro (1872) que Ferreira empreendeu sua primeira incursão tradutória. Noutro volume de poesia, “Redivivas”, de 1881, incluiu-se a sua versão do poema intitulado “Moesta et errabunda”, com a anotação de que a tradução teria sido feita em 1871. Nele, ao mesmo tempo em que se queixa do “negro oceano da cidade imunda”, Baudelaire convoca imagens ideais de outras terras, longínquas e paradisíacas, onde “sob um claro azul tudo é amor e alegria”. Segundo Meirelles e os comentaristas por ele consultados, Carlos Ferreira teria identificado seu próprio país e, em particular, o Rio de Janeiro em que durante muito tempo residiu, como esse idealizado “paraíso perfumado, verde e inocente, cheio de prazeres furtivos”. Procedeu, em suma, a uma “aclimatação” da poesia do francês.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fique, portanto, este modesto registro, como sugestão para que outros, mais capacitados, como historiadores, estudiosos da literatura e pesquisadores em geral, possam se interessar pela biografia e obra desse jornalista e poeta que, em sua trajetória, legou marcas indeléveis às letras e ao jornalismo inclusive durante sua estadia em Campinas.</p>



<p><em><strong>Luiz Carlos Ribeiro Borges é membro da Academia Campinense de Letras e secretário geral do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas (CCLA)</strong></em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/06/carlos-ferreira-baudelairiano/">CARLOS FERREIRA, BAUDELAIRIANO</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O HISTÓRICO COMBATE DA VENDA GRANDE</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/06/o-historico-combate-da-venda-grande/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jun 2022 21:58:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ccla.org.br/?p=679</guid>

					<description><![CDATA[<p>UMA QUASE GUERRA CIVIL QUE TEVE LUGAR EM CAMPINAS Giovanni Galvão Raros episódios reúnem personagens...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="has-text-align-center">UMA QUASE GUERRA CIVIL QUE TEVE LUGAR EM CAMPINAS</p>



<p><strong>Giovanni Galvão</strong></p>



<p>Raros episódios reúnem personagens históricos brasileiros tão importantes como Dom Pedro II, o Regente Feijó, o Duque de Caxias, o Brigadeiro Tobias de Aguiar, a famosíssima Marquesa de Santos, o Barão de Monte Alegre e Boaventura do Amaral. O episódio de Venda Grande reúne todos eles!<br>Este marco a que chamamos “monumento”, instalado no canteiro central de<br>uma avenida de um bairro campineiro, é pouquíssimo conhecido. Há mesmo quem viva a infância, a adolescência e a vida adulta por aqui, passando frequentemente próximo a este monumento, sem sequer saber o motivo de sua existência. Esta região chamada de &#8220;Amarais&#8221;, situada entre o Aeroporto dos Amarais e o Ribeirão Quilombo, tem uma enorme importância histórica: foi onde se deu o &#8220;COMBATE DA VENDA GRANDE&#8221; em 07 de junho de 1842. Se olharmos em volta, notaremos que aquilo que um dia foi um campo de batalha em que irmãos brasileiros se enfrentaram defendendo até à morte suas ideias, tem hoje toda uma estrutura urbana com casas, barracões, indústrias e comércios, ruas e praças.<br>O campo em que aquele episódio glorioso aconteceu foi engolido e desapareceu. É bem possível, no entanto, que sob algumas dessas construções ainda estejam os restos mortais de algum ou alguns dos muitos heróis que o combate produziu.<br>Neste pedaço de Campinas agora inteiramente urbanizado, que é parte da área da antiga Fazenda Santa Genebra, este marco pouco visível indica o local onde há exatamente 180 anos ocorreu aquele confronto fratricida que foi parte da chamada “Revolução Liberal de 1842”.<br>Em ambos os lados da luta de morte estavam brasileiros que amavam sua Pátria mas defendiam interesses opostos. Foi o episódio mais significativo de uma revolução que por pouco não descamba para uma guerra civil.<br>Aqui mesmo ou nas imediações de onde agora nos encontramos para prestar esta homenagem, as tropas imperiais derrotaram as forças rebeldes.<br>Chega a ser curioso que quase os mesmos grupos políticos que atualmente se enfrentam entre si pelo poder no Brasil (conservadores, moderados e<br>progressistas) estiveram também presentes naquela ocasião: os conservadores, os moderados e os liberais (que em parte poderiam hoje ser chamados “progressistas”). Mais mudam as coisas, mas as coisas continuam as mesmas. A revolução eclodiu em Sorocaba em 17 de maio de 1842.<br>Dela fizeram parte:<br> O Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar (que pouco antes, em 1831, havia<br>criado a Polícia Militar do Estado de São Paulo);                                                     O Padre Diogo Antônio Feijó, que havia sido Deputado, Senador,<br>Ministro da Justiça e finalmente Regente do Império de 1835 a 1837 de<br>onde lhe veio o título de “Regente Feijó”. Nessa época, ele morava em<br>Campinas mas se dirigiu a Sorocaba para apoiar Tobias de Aguiar assim<br>que soube da deflagração do movimento revoltoso;                                              Maria Domitila, a Marquesa de Santos, que havia sido amante de Dom<br>Pedro I, mãe de alguns de seus filhos, mas que na época da Revolução<br>era casada com o Brigadeiro Tobias.<br>A chamada &#8220;Revolução Liberal&#8221; foi principal centro da revolta contra os<br>conservadores, que estavam no poder desde março de 1841 e vinham aprovando leis contrárias aos interesses liberais. O Ministério havia adotado também medidas centralizadoras que provocaram nos liberais intensa agitação. A gota d´água foi a demissão, pelo ministério, do Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar do cargo de Presidente da Província (cargo atualmente chamado de Governador do Estado) que a havia presidido em duas ocasiões (1831-1835 e 1840-1841) e a conseqüente nomeação do Barão de Monte Alegre para o mesmo cargo.<br>Com amplo apoio popular, Tobias de Aguiar iniciou o movimento revolucionário que rapidamente se espalhou para outras cidades da Província (como Itu, Faxina, hoje Itapeva, Porto Feliz, Itapetininga e Capivari) e de Minas Gerais. Pretendiam os liberais depor em São Paulo o Barão de Monte Alegre e transferir a capital para Sorocaba, aclamando depois o brigadeiro Tobias de Aguiar como o novo Presidente da Província; em seguida, marchar em direção ao Rio de Janeiro para depor o governo conservador, devolvendo o poder aos liberais, mantendo-se a monarquia. Não se tratava, portanto, de um movimento republicano. Feijó havia levado um prelo de Campinas para Sorocaba e nele começou a escrever um jornal revolucionário, chamado «O Paulista», do qual se editaram apenas quatro números relatando o desenvolvimento do movimento.<br>Sendo aclamado presidente interino da província, Tobias prestou juramento de «defender o imperador e a Constituição até a última gota de seu sangue», nomeou comandantes militares, despachou emissários, suspendeu a «lei das reformas» e declarou nulos os atos praticados em virtude dela. Sob seu comando militar, foi constituída a chamada Coluna Libertadora, com uns 1.500 homens, para marchar até a capital paulista e dali para o Rio. O Barão de Caxias, brigadeiro Luís Alves de Lima e Silva (que depois se tornaria Visconde, Marquês e finalmente Duque de Caxias) foi encarregado de partir do Rio de Janeiro para São Paulo e combater os revoltosos. Partiu a bordo de um vapor, desembarcando em Santos; logo em seguida chega a São Paulo, acabando com os planos dos revoltosos de conquistar a cidade. Parte dos revolucionários estava marchando de Sorocaba para o Rio de Janeiro, passando por Campinas. A Venda Grande era o local quase obrigatório de pouso, descanso e recomposição dos mantimentos necessários ao prosseguimento da marcha. E foi aqui que se deu o encontro dos dois grupos. <br>O ponto quase final da Revolução Liberal foi a batalha, o combate que hoje aqui homenageamos. Foi aqui o epílogo de um movimento que estremeceu a gente do seu tempo e ceifou vidas de diversas famílias Campineiras e Paulistas de outras cidades. Este combate vitimou Boaventura do Amaral, que tombou morto junto com diversos outros soldados. Era ituano, capitão e hoje dá nome a importante rua no centro de Campinas. Ele e dezenas de outros revoltosos foram mortos pelos comandados do coronel Amorim Bezerra, que o então Barão de Caxias mandou vir de São Paulo para atacar os paulistas. O depoimento dos antigos dá conta de que o capitão Boaventura do Amaral e muitos dos seus companheiros feridos, morreram no interior da Venda Grande para onde haviam sido levados feridos, pelos companheiros, para os primeiros socorros.<br>Diversos mortos em combate foram sepultados no entorno da Venda Grande e depois removidos para outros locais não identificados. Assim, o &#8220;cemitério do combate” passou a ser, com o tempo, mera referência histórica. Mas o respeito popular ainda hoje ocasiona manifestações como o frequente aparecimento de velas e imagens junto a este marco.<br>Após esta vitória das forças do poder central, houve intensa “caça” aos líderes. Tobias de Aguiar foi preso e levado ao Rio de Janeiro. Feijó foi preso em Sorocaba a 21 de julho de 1842 e levado para São Paulo e dali para o Rio de Janeiro e depois para Vitória (Espírito Santo) onde permaneceu preso, tendo falecido pouco mais de um ano depois. Foram ambos anistiados em 1844 pelo Imperador Pedro II.<br>O verdadeiro historiador da Venda Grande, o cronista Amador Bueno Machado Florence, filho de Hércules Florence, inventor da fotografia, que morou em Campinas, relatou minuciosamente os episódios da ação revolucionária de 1842 em Campinas, ressaltando sempre o heroísmo dos participantes.<br>É possível que você tenha às vezes passado indiferente pelo marco construído no canteiro central desta Avenida e nem se tenha dado conta de sua importância. Você o verá, a partir de agora, com respeito e orgulho de seus heróis. Este marco existe exatamente para lembrar e homenagear este fato histórico e seus heroicos protagonistas. Estes sim os verdadeiros heróis que mereciam ter seu nome registrado no Livro dos Heróis da Pátria.<br>A presença de cada um de vocês hoje colabora para realizarmos uma<br>homenagem à altura do merecimento daqueles que lutaram por nossa liberdade e banharam com seu sangue este solo sagrado que agora nos vê reunidos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized is-style-rounded"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-685" style="width:184px;height:276px" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-683x1024.jpg 683w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-200x300.jpg 200w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-768x1152.jpg 768w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-1024x1536.jpg 1024w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-1365x2048.jpg 1365w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-rotated.jpg 1600w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure>



<p><em><strong>Giovanni Galvão, advogado e empresário, é 1.o secretário da Diretoria Executiva do CCLA.</strong></em></p>



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			</item>
		<item>
		<title>O Monumento a Campos Salles e a espera pela Revolução de 1932</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/04/o-monumento-a-campos-salles-e-a-espera-pela-revolucao-de-1932/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Apr 2022 14:21:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Núcleos do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></category>
		<category><![CDATA[História de Campos Salles]]></category>
		<category><![CDATA[Manuel Ferraz de Campos Salles]]></category>
		<category><![CDATA[Monumentos de Campinas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Monumento a Campos Salles inaugurado no Largo do Rosário.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Genaro Campoy Scriptore</p>



<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>O Passado não reconhece o seu lugar:<br>está sempre presente.<br>Mário Quintana</p></blockquote></figure>



<p>Logo depois da morte do ilustre doutor Manuel Ferraz de Campos Salles, no seio da cidade de Campinas nasce um movimento liderado por políticos, pelos seguidores das idéias republicanas e amigos de Campos Salles, com o propósito de marcar a cidade com uma homenagem ao campineiro e segundo Presidente civil deste país.</p>
<p>Na gestão do Prefeito, intendente nomeado, Orosimbo Maia, e por iniciativa de projeto da Câmara Municipal de Campinas era publicado na imprensa edital para a construção do monumento a Campos Salles. O edital, datado de 22 de fevereiro de 1930, vinha assinado pelo secretário da Prefeitura, Amilar Alves.</p>
<p>Não podemos deixar de ressaltar a figura do secretário da Prefeitura, Amilar Alves, homem do cinema, da cultura e que tão bem soube representar o Centro de Ciências, Letras e Artes nas funções que ali exerceu.</p>
<p>Depois de vários adendos e modificações deste edital, se estabelece que os escultores concorrentes deveriam adotar um pseudônimo para sua maquete e enviar a documentação e suas propostas até às 14:00 horas do dia 20 de junho de 1930.</p>
<p>O julgamento para a escolha do escultor vencedor, que iria realizar a construção deste monumento, aconteceu no dia 10 de julho de 1930, conduzido por uma comissão composta dos vereadores Doutor Ernesto Kulmmann e Benedicto Cunha Campos e mais Perseu Leite de Barros, engenheiro civil que ingressara neste mesmo ano no serviço público como chefe de obras e viação. Completavam a comissão o arquiteto Alexandre de Albuquerque e os escultores Amadeu Zani e Marcelino Velez. A comissão reunida no “Salão do Fascio Italiano”, localizado na Rua Barreto Leme, escolheu como vencedora a maquete “Ephiteto”, do escultor Yolando Mallozi, obtendo assim o primeiro lugar; e como segundo lugar a maquete “Semper Ut Quondam”, do escultor Hugo Bertazzan, do Rio de Janeiro, que recebeu o prêmio de 4.000$000 réis. As maquetes ficaram em exposição no “Salão do Fascio Italiano” para que todos pudessem apreciar a decisão apoiada e concorde do prefeito Orosimbo Maia, da comissão e todos os técnicos envolvidos no processo.</p>
<p>Três meses depois deste concurso para a escolha do escultor do monumento acontece a revolução de 1930, no dia 24 de outubro, que impõe a queda do governo de Washington Luís, exatamente vinte e um dias antes do término do período presidencial.</p>
<p>Júlio Prestes de Albuquerque, paulista de Itapetininga, vencera as eleições de março de 1930 e aguardava para ser empossado, mas a deposição de Washington Luís e a instauração da junta governativa, presidida pelo General Tasso Fragoso, provocou uma espera na normalização do ambiente político.</p>
<p>A junta governativa exerceu a presidência até o dia 4 de novembro de 1930, data em que transferiu o governo para Getúlio Vargas, líder da revolução e do golpe. Júlio Prestes de Albuquerque foi impedido pelo governo de Getúlio Vargas de assumir a presidência, passando assim para a história como o único presidente eleito pelo voto popular que não foi empossado. Apresentavam-se mais uma vez, as ideias de Campos Salles, vivas pela luta democrática e de libertação, na qual o povo exerce o papel de senhor de todas as vontades, mas, de forma geral, acaba derrotado pelo despótico poder das armas e dos poderosos. O monumento esperava a homenagem do povo de Campinas.</p>
<p>Entre 1931 e 1932 os paulistas e, principalmente, os campineiros, esperavam de Getúlio Vargas a normalização do ambiente político, a convocação de uma Assembleia Constituinte e a data para a eleição presidencial.</p>
<p>No dia 23 de maio de 1932, em São Paulo, um ato cívico levou milhares de paulistas à Praça do Patriarca, Rua Líbero Badaró, Praça da República, Ladeira de São João, Rua São Bento, Praça da Sé, Viaduto do Chá e rua Conselheiro Crispiniano para seguir em direção ao palácio do governo, onde se encontrava o novo interventor do governo paulista, o senhor Pedro Manuel de Toledo.</p>
<p>O ato cívico reivindicava as eleições presidenciais e notícias da Constituinte. Na praça da República, esquina com Barão de Itapetininga, estabelece-se um conflito entre o povo, a polícia e os membros da Legião Revolucionária. Neste conflito é metralhado o estudante Mario Martins de Almeida, de 31 anos, Euclydes de Miragaia, de 21 anos, com um tiro no peito, Antonio Camargo Andrade por tiros disparados por populares e Dráuzio Marcondes de Sousa, de 14 anos, ferido por um tiro de Legionários. Os restos mortais destes mártires estão hoje sepultados no mausoléu do Obelisco do Ibirapuera.</p>
<p>Para quem passa nas imediações da Rua Guilherme de Almeida, no Cambuí, Campinas, pode notar uma rua curta, de uma quadra, denominada Rua MMDC. Este acrônimo construído pelas letras M de Mario, M de Miragaia, D de Drauzio e C de Camargo se tornou sigla para a organização clandestina que iria conspirar e organizar a Revolução Constitucionalista de 9 de julho de 1932. Depois do conflito tornou-se uma sociedade sem fins lucrativos denominada “Sociedade Veteranos de 1932–MMDC”, hoje com sede no Monumento Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 32, conhecido como Obelisco do Ibirapuera, desde 9 de dezembro de 2014. O núcleo de Campinas funciona e atende na Rua General Osório, 490, nas antigas instalações dos escritórios da Mogiana.</p>
<p>Campinas se posicionou. Daqui saíram soldados para combater tropas <em>“getulistas”</em> infiltradas e estacionadas nas cidades das linhas da Mogiana, da Paulista e no interior do estado de São Paulo. Eram desiguais as forças do governo de Getúlio e as tropas dos Paulistas, dadas as desproporções do material bélico.</p>
<p>Campinas foi bombardeada pelos aviões vermelhos do governo nos dias 18 de setembro e 24 de setembro de 1932.</p>
<p>O jornal o Estado de São Paulo, que apoiava os soldados constitucionalistas, noticia o bombardeio do domingo, dia 18 de setembro:</p>
<p><em> </em><em>“Prossegue com intensidade a luta no sector do Amparo. A situação das tropas constitucionalistas continua a ser, naquele sector, muito boa. Um avião de ditadura voou hoje sobre a cidade de Campinas, jogando uma bomba, no pátio fronteiro à estação da Paulista, matando o menor Aldo Chiorato, de 9 anos de idade, filho de João Chiorato e ferindo gravemente o velho operário italiano Vicente Nome, cujo estado inspira cuidados, e um velho sírio. Também foi ferido, mas sem gravidade o funcionário da Mogiana, Isolino Monteiro. Passageiros de um bonde que na hora trafegava pelo local receberam também alguns ferimentos. Outra bomba foi lançada sobre a estação da Mogiana, sem causar danos e uma terceira caiu sobre uma residência particular da rua Campos Salles, destruindo parte do edifício. Os moradores estavam ausentes, as bombas eram grandes, de peso aproximado de 45 quilos.</em></p>
<p><em>À tarde, a aviação da ditadura voltou a bombardear Campinas, lançando contra aquela cidade cinco bombas. Duas caíram na Cadeia, ferindo vários presos, duas alcançaram o pátio da estação da Paulista, sem causar vítimas e a última estourou na Vila Industrial, que é habitada por operários, ferindo vários deles. Esse bombardeio desumano e sem nenhum objetivo militar, pois não visou lugares onde houvesse concentração de tropas ou fortificações, causou profunda indignação no povo campineiro.”<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><strong>[1]</strong></a></em></p>
<p><em> </em>A repercussão da morte de Aldo Chioratto começou no dia 24 de setembro de 1930, quando Raul Laranjeira, exímio violinista, premiado na Europa e que havia se incorporado ao “Batalhão Diocesano”, sediado no Interior do Estado, se propõe a fazer assim que possível um concerto e reverter a renda para a família da criança de 9 anos.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><em><strong>[2]</strong></em></a></p>
<p>Nas comemorações de 23 de maio de 1966, Dia da Juventude Constitucionalista” e quando das solenidades de transferência dos restos mortais de Aldo para o Obelisco do Ibirapuera, Guilherme de Almeida, de forma emocionada escreveu lindos versos no jornal Estado de São Paulo:</p>
<p><em>Vem de Campinas — a minha Campinas dos jequitibás — o herói criança – Aldo Chioratto –verde vergôntea da árvore velha que vergastada por vendaval manda a mensagem que eu adivinho e que em alguém por mim somente em épica língua é capaz de exprimir, o exprime assim:</em></p>
<p><em>Tu. infante imolado, tenro caule,</em></p>
<p><em>de raríssima arvore cortado,</em></p>
<p><em>Muda plantada que ora aqui floresce.</em></p>
<p><em>Deixando lá, na cicatriz do cerne,</em></p>
<p><em>Promessa de altas florações futuras!”<a href="#_ftn3" name="_ftnref3"><strong>[3]</strong></a></em></p>
<p>No dia 24 de setembro, o correspondente do Diário Nacional narra desta maneira o bombardeio em Campinas:</p>
<p><em>“Hoje, precisamente às 12:25 horas, dois aviões da ditadura, voando por sobre Campinas, não demoraram a dar sinais de que, em cumprimento dos seus monstruosos propósitos, vinham para hostilizar a cidade.</em></p>
<p><em>Para logo, entretanto, sumir das vistas do povo ansioso um dos sinistros mensageiros alados do crime e da irresponsabilidade, atocaiado como feras, numa das mais belas capitais do mundo&#8230;</em></p>
<p><em>Outro, porém, librando-se a uma altura, calculada, de 2.000 metros, aqui ficava a corvejar, ameaçadoramente.</em></p>
<p><em>Tivemos ocasião de observar, aos primeiros bufos dos aeroplanos, as precauções que à população toma a fim de se preservar, o mais possível, aos efeitos do bombardeio aéreo. Estamos na praça Bento Quirino. Ali está a estátua do Carlos Gomes, o gênio da harmonia brasileira, a afrontar impassível, simbólico, a fúria assassinados “azes” ditatoriais. Mas, os transeuntes se recolhem à primeira porta que ainda encontram aberta. Todas as casas com as suas portas e janelas cerradas. Tudo, porém, sem correria, nem gritos, nem inúteis gestos desordenados. Opressos e indignados, os campineiros esperam estoicamente a vil agressão dos ícaros infernais.</em></p>
<p><em>Os céus, pejados de nuvens escuras, como que envolvem numa proteção tenebrosa a ronda dos malditos bombardeadores de mulheres, velhos, crianças e enfermos.</em></p>
<p><em>De repente, o primeiro assovio e o primeiro estrondo: é o traiçoeiro delírio de matar, de destruir, de arrasar! Ao emergir do bojo negro de uma nuvem, lá despejara o aviador inimigo o seu cartão de visita, certamente decorado com os brasões do “Clube 3 de Outubro”&#8230;</em></p>
<p><em>E, as negaças! E as evoluções! E o ir e vir desse pássaro da morte, e seus arrabaldes: cinco dos quais em pleno perímetro urbano, em um raio de 500 metros, pouco mais ou menos, no derredor da estação da Paulista.</em></p>
<p><em>Os petardos atirados fora do perímetro urbano não causaram estragos nenhum. Dos que atingiram as  imediações da gare ferroviária, três vieram explodir à travessa Monte-Mór, na Villa Industrial, duas das quais em meio da rua, razão pela qual não provocaram estragos nem vítimas. A terceira, porém, veio rebentar em cheio no prédio número 74 daquela travessa, aluindo-o quase totalmente.</em></p>
<p><em>Não fora a precaução de seus moradores, que são o senhor Antolin Fernandez, maquinista da Mogiana, e sua mulher, e teríamos a lamentar, sem dúvida, vítimas pessoais. Apesar de encontrar-se no próprio domicílio, o senhor Antolin escapou aos terríveis efeitos da bomba de modo verdadeiramente providencial: metera-se por debaixo de uma mesa, que resistiu à compressão do telhado e paredes desmoronados. Quanto à esposa do maquinista, esta se havia retirado para casa de uma família vizinha à aproximação dos aviões inimigos&#8230;</em></p>
<p><em>Duas outras bombas, explodindo em meio da rua 24 de Maio, também na Vila Industrial, não fizeram vítimas pessoais nem estragos materiais de monta. Eis a obra dos outubristas, a quem o demônio emprestou suas asas!</em></p>
<p><em>Não deixemos de assinalar, ainda, o alcance de mais este fato, determinado pelo desumano bombardeio de Campinas: à hora em que ele se verificou, hoje, a estação da Paulista se achava repleta de famílias inteiras e civis de todas as qualificações sociais, à espera do trem que os conduziria para São Paulo.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"><strong>[4]</strong></a></em></p>
<p>Oito dias depois deste evento em uma negociação na cidade de Cruzeiro, em 2 de outubro de 1932, aconteceu o final do conflito com o armistício assinado pelo General Pedro de Aurélio Góis Monteiro.</p>
<p>Foi então,  designando um interventor para o estado de São Paulo, o general Valdomiro Castilho de Lima.</p>
<p>Em Campinas, no sábado, dia 18 de agosto de 1934, o prefeito nomeado Perseu Leite de Barros, se prepara para a grande inauguração do monumento a Campos Salles e o interventor nomeado por Getúlio Vargas, o engenheiro Armando de Sales Oliveira, resolve aproveitar-se deste evento para reconciliar mais uma vez a alma campineira e paulista com o governo central do Brasil.</p>
<p>Os jornais anunciaram com bastante antecedência a programação da vinda do interventor para Campinas. Mas o fato é que Campos Salles foi esquecido nesta inauguração, que teve diversos outros campineiros enaltecidos como Fernão Salles, Joaquim Bonifácio do Amaral, além de politicamente o interventor utilizar a inauguração para prestar contas de um ano do seu governo no Estado de São Paulo.</p>
<p>O Interventor Armando de Sales Oliveira anuncia previamente pelos jornais a sua agenda em Campinas:</p>
<ul>
<li>Partida pela manhã da estação da Luz em trem especial.</li>
<li>Chegada a Jundiaí com salva de 21 tiros de morteiro e partida anunciada para Campinas com 1 tiro de morteiro.</li>
<li>Em Jundiaí esperarão o Interventor os senhores, Doutor Horácio Antonio da Costa, Doutor Theodureto de Camargo, Doutor Sylvino de Godoy, Claudio Celestino Soares, Aníbal de Freitas, professor José Villagelin Netto, membros do diretório local do Partido Constitucionalista.</li>
<li>O tenente coronel Tenório de Brito, comandante do 8° Batalhão de Polícia de Campinas, prestará ao Interventor as continências de estilo acompanhado do corpo discente das escolas, casas de ensino e associações.</li>
<li>Às 13:00 horas após a chegada, o Interventor e sua comitiva caminharão até o Largo do Rosário &#8211; Praça Visconde de Indaiatuba, passando pelas ruas 13 de maio, Francisco Glicério, Conceição e Barão de Jaguara.</li>
<li>No largo do Rosário, Armando de Salles Oliveira fará a entrega do monumento a Campos Salles, ocasião em que discursarão Carlos Francisco de Paula pela municipalidade, doutor José Pereira da Cunha pelo Centro de Ciências Letras e Artes e, em nome da família de Campos Salles, o doutor Luiz Pizza Sobrinho.</li>
<li>Três aviões “Corsário” do exército, um de passageiros da Vasp e um planador do Aeroclube de São Paulo voarão sobre a praça atirando flores.</li>
<li>No Centro de Ciências, Letras e Artes estarão expostas as relíquias de Campos Salles pertencentes ao Museu daquela agremiação.</li>
<li>Das 14:40 às 15:40 recepção na Prefeitura Municipal, onde o Interventor será homenageado pelo Presidente do Conselho Municipal, doutor Carlos Stevenson.</li>
<li>Visita à Escola Normal e Escola Profissionalizante Bento Quirino onde farão uso das palavras os professores José Villagelin Netto e José Minervino. Na Escola Profissionalizante Bento Quirino serão inauguradas as oficinas de fundição.</li>
<li>Visita ao Centro de Ciências Letras e Artes onde discursará o professor Nelson Omegna.</li>
<li>Às 20:30 no Teatro Municipal acontecerá um banquete para 500 talheres oferecido pelo Partido Constitucionalista, que reservará ao Doutor Paulo de Castro Pupo Nogueira o discurso de saudação ao Interventor e sua comitiva, assim como será reservado tempo para o discurso do representante do 6º Distrito Eleitoral, Doutor Antenor Candra.</li>
<li>Após o banquete, um grandioso baile será oferecido pela Sociedade Campineira ao Interventor e sua comitiva.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a></li>
</ul>
<p>O monumento a Campos Salles não ficaria no largo do Rosário, compartilhando a praça Visconde de Indaiatuba com o povo de Campinas, por muito tempo. Com a publicação da Lei 1457, de abril de 1956, inicia-se o alargamento da Francisco Glicério, a demolição da Igreja do Rosário e sua reconstrução no bairro do Castelo e um concurso para fazer da praça Visconde de Indaiatuba um centro Cívico, um local oficial para manifestações de civismo aberto à comunidade campineira. Foi eleito o projeto do arquiteto campineiro Renato Righetto, que trazia uma nova e moderna concepção, onde não haveria espaço para o monumento.</p>
<p>O Monumento foi retirado da praça, mutilado, pois perdeu sua base de granito, o que valeu um rebaixo de mais de um metro de altura e acabou sendo transferido para um espaço menor do que o local onde estava assentado. Uma rotatória nas confluências da Rua Onze de Agosto, Avenida dos Expedicionários e Avenida Campos Salles.</p>
<p>A transferência gerou discussão na imprensa e na sociedade campineira e ocasionou até ação judicial em fevereiro de 1960 por parte do escultor Yolando Mallozi, que pediu reparação pela retirada da base do monumento. Processo em que o escultor do monumento teve ganho de causa e mesmo assim o monumento permaneceu no mesmo lugar, contrariando a decisão judicial.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a></p>
<p>A revolução de 1932 terminou, Campinas teve o seu monumento, se aliou ao progresso desmedido das grandes metrópoles e a escultura do personagem Manuel Ferraz de Campos Salles, sentado ao pé da estação, vai dia a dia sendo esquecida e o seu nome desconhecido em sua própria terra.</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a>Jornal O Estado de São Paulo Edição 19287 de 19 de setembro de 1932página 1</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Jornal O Estado de São Paulo Edição 19292 de 24 de setembro de 1932 página 2</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Jornal o Estado de São Paulo Edição 27943 de 24 de maio de 1966 página 2</p>
<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Jornal Diário Nacional Edição 01579 de 25 de setembro de 1932 páginas1 e 3</p>
<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Jornal Correio de São Paulo Edição 00676 de 17 de Agosto de 1934 página 2</p>
<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> De Casaca ao Pé da Estação – História do Monumento a Campos Salles – Dissertação de Mestrado de apresentada por Ana Rita Uhle no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas.</p>



<p class="has-text-align-right">Genaro Campoy Scriptore é Administrador de Empresas e membro do Conselho Fiscal do CCLA</p>



<p class="has-text-align-right"></p>
</div><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/04/o-monumento-a-campos-salles-e-a-espera-pela-revolucao-de-1932/">O Monumento a Campos Salles e a espera pela Revolução de 1932</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>CÉSAR BIERRENBACH LITERATO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 22:52:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[150 anos de nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[César Bierrenbach]]></category>
		<category><![CDATA[Sesquicentenário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Através do presente texto vem-se acrescentar modesta contribuição em que se procura destacar a atividade de Bierrenbach como escritor.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Luiz Carlos R. Borges</strong></p>



<p>Em belo artigo publicado no Correio Popular em sua edição de 06 de abril, intitulado “Com 150 anos de idade, Cesar Bierrenbach ainda vive”, nosso companheiro do Centro de Ciências, Letras e Artes, Giovanni Galvão prestou a devida reverência à memória de quem foi não apenas um dos cofundadores da entidade, como também a própria alma da instituição em seus primórdios, em seus tempos heroicos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Através do presente texto vem-se acrescentar modesta contribuição em que se procura destacar a atividade de Bierrenbach como escritor.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tendo falecido em 1907, somente em 1937, através da amorosa compilação feita por suas irmãs Vicentina e Noemia Bierrenbach, foram publicadas em livro as suas “Producções Litterarias” (Livraria Universal/Curitiba), em dois volumes contendo poemas, crônicas e manifestações de cunho político como o célebre “Protesto Latino” (em que defende a doutrina de um Pan-Americanismo de que seriam excluídos os Estados Unidos).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os poemas ocupam o primeiro volume. Sua poesia segue os cânones da então dominante escola parnasiana. Mas em sua obra poética também se podem vislumbrar influxos do Simbolismo, como a &nbsp;prática das aliterações tão caras a Cruz e Souza (“Vozes veladas, veludosas vozes&#8230;”), como estas, extraídas de sua “À aeronave de Dumont” (1906): “Nave sem mastros, nave sem vela / que contra os ventos vos elevais / nuvens são ondas, oh caravela dos Oceanos que navegais!”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Já “O Samba das Sombras”, datado de 1890, se destaca não apenas por ter sido certamente uma das primeiras referências literárias e eruditas à modalidade musical que viria marcar a identidade nacional, mas também por seu próprio enfoque em que, no decorrer da “folia no terreiro” animada por batuques e pelo canto coletivo dos participantes, eis que a certa altura intervêm as sombras do título, “as almas dos mortos, os avós&#8230;”, os ancestrais, enfim, identificados como “Cambinda”, “Cambaio”, “mãe Florinda” e “pai Candongo” – &nbsp;até a que a ilusão esmorece e se desfaz (mas o samba continua até o alvorecer).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nas crônicas, reunidas em ambos os volumes, são evocados eventos e figuras ilustres, locais ou não, como Bilac, Victor Hugo, Maria Monteiro e o legendário flautista Patápio Silva, que, tendo-se apresentado em Campinas, no “Club Campineiro”, é comparado, por sua precocidade, a Mozart&#8230;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Particularmente admirável é a crônica intitulada “As Chrysantemas”. Nesse trabalho, que traz a indicação “Paris – janeiro, 1895”, Bierrenbach reconstrói, com tintas impressionistas, a partir de uma “flor de chrysanthema”, dádiva de uma “encantadora filha do Oriente”, a atmosfera outonal de um apartamento parisiense, recheada de orientalismos tão ao gosto da época, ânforas, vasos de porcelana, lembranças de rosas, “lyrios” e “lilazes”, uma aparição exótica em trajes japoneses, dedos “fugazes a bailarem no ar como um esvoaçar de azas ligeiras”&#8230;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O título nos reporta a um romance do francês Pierre Loti (1850-1923), não por acaso citado no texto. Autor de um belíssimo romance, verdadeira joia literária, intitulado “O Pescador da Islândia”, Loti também escreveu “Madame Chrysantème”, cuja ação se passa no Japão e cuja trama se identifica com aquela percorrida pela grandiosa ópera de Giacomo Puccini, “Madama Butterfly”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais que isso, ouso dizer que, de certo modo, essa crônica de Bierrenbach prefigura&#8230; Marcel Proust (1871-1922). A atmosfera interior que ali se insinua conduz a outra, superlativa, magicamente suscitada pelo romancista francês ao descrever o apartamento, com seu jardim de inverno, de uma das mais fascinantes personagens femininas de “Em Busca do Tempo Perdido”, Odette Swann – &nbsp;inclusive com a presença de crisântemos&#8230; (conforme “A Sombra das Raparigas em Flor”, que veio a lume em 1919, páginas 132 e seguintes da edição brasileira de 1960 da Editora Globo, tradução de Mário Quintana).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seria, certamente, o caso de serem reeditadas as “Producções Litterarias”, de modo que o conhecimento e estudo da obra não se limitem aos frequentadores da Biblioteca do CCLA – que com inteira justiça leva o nome de Cesar Bierrenbach.</p>



<p class="has-text-align-right"><em><strong>Luiz Carlos R. Borges é membro da Academia Campinense de Letras e secretário geral do Centro de Ciências, Letras e Artes</strong></em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/04/cesar-bierrenbach-literato/">CÉSAR BIERRENBACH LITERATO</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Centenário de Jean Nicolini (1922-1991): O despertar de antigos novos sonhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 03:17:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>JEAN NICOLINI - há 100 anos nasceu em São Paulo/SP aos 9 de abril de 1922 e faleceu num acidente automobilístico em 23 de julho de 1991.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>ORLANDO RODRIGUES FERREIRA</strong></p>


<p><em>“Acreditamos que a obra realizada foi meritória e digna, justificando plenamente os anseios e o juramento (silencioso) feito há muito tempo [&#8230;] O mérito de uma vida, cremos, está em acreditar em algo. E, como bem disse alguém, ‘uma vida bem vivida é a materialização de um sonho da juventude’”</em></p>



<p class="has-text-align-right"><strong>Jean Nicolini</strong> (09/04/1922-23/07/1991)</p>



<p>Este excerto de autoria do astrônomo Jean Nicolini foi publicado em dezembro de 1975 no boletim Ouranos da União Brasileira de Astronomia (UBA), fundada em 1970 por Nicolini, Rubens de Azevedo (1921-2008), Rômulo Argentieri (1916-1995), Orlando Zambardino (1923-2008) – cunhado de Nicolini – e demais saudosos memoráveis da Astronomia.</p>



<p>Constantemente leio os escritos dele (diários, cartas, artigos, reportagens, livros publicados e inéditos, etc.), acervo da herança intelectual e da vida de quem soube dar forma aos seus sonhos e ideais. Filho dos franceses Nöel Nicolini (1889-1957) e Jeanne Cabrit Nicolini (1901-1994), ademais as irmãs  Elisa Eva Nicolini Zambardino (1917-2019) e Andrea Nicolini Imay (1925-2017) e o irmão Pedro Jacques Nicolini, Jean Nicolini, cujo nome oficial em Certidão de Nascimento consta “João” Nicolini – pitoresca história à parte –, há 100 anos nasceu em São Paulo/SP aos 9 de abril de 1922 e faleceu num acidente automobilístico em 23 de julho de 1991. Do casamento (1956) com Áurea Belluco Nicolini (1934-2019) tiveram os filhos Ulisses Nicolini (1959-2006) e Leonardo Nicolini (1964).</p>



<p class="has-text-align-left">Nicolini idealizou uma Astronomia toda própria e excelsamente humanista. Inicialmente inspirou-se pelas obras do astrônomo francês Nicolas Camille Flammarion (1842-1925), de quem sempre reverenciava a memória, por fim, com abnegada dedicação conseguiu unir seu Universo pessoal àquele dos astros, das estrelas e galáxias. Portanto, amalgamar o Universo astronômico ao humano foi o desafio que Nicolini enfrentou e à sua maneira concretizou demonstrando que somente compreenderemos o Universo&nbsp; exterior&nbsp; ao Ser&nbsp; – seja Uni ou Multiverso – à medida que possamos entender o nosso próprio Universo– ou Multiverso – interior, ou seja, se ordenarmos e harmonizarmos um (microcosmo interior) consequentemente seremos conduzidos ao outro (macrocosmo exterior) como nas sábias palavras do filósofo e poeta francês Ambroise-<em>Paul</em>-Toussaint-Jules <em>Valéry</em> (1871-1945): <em>“Nós contemos o Universo que nos contêm.”</em></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em cada palavra, frase e entrelinha de Jean Nicolini sentia – e ainda sinto – a manifestação da sua inquietude e criatividade, mas que era ciente das limitações porque algumas vezes dele escutei a seguinte afirmação:        <em>“ – Os meus minutos não têm mais 60 segundos!”</em>. Então, observava nele a angústia quanto à exiguidade da vida e o desejo de muito querer realizar no tempo iminente.</p>



<p>Naquele artigo no Ouranos de 1975, Nicolini externou que <em>“</em>[&#8230;] <em>Em uma época em que só os valores materiais, em detrimento dos morais e espirituais, parecem contar, é sumamente difícil pensar na continuação de uma obra que sempre teve a norteá-lo o culto ao Saber.</em> [&#8230;]<em>”</em>. Porquanto, a edificação da veneração à sabedoria para ele foi o Observatório do Capricórnio que fundou em 15 de outubro de 1948, primeiramente estabelecendo na casa de seu cunhado, Orlando Zambardino, depois transferindo à própria residência na Vila Olímpia, em São Paulo, posteriormente em 1970 instalando em Atibaia e depois por convênio prosseguindo na Estação Astronômica Municipal de Campinas, no Monte Urânia, Serra das Cabras, Distrito de Joaquim Egídio, erigida em 15 de janeiro de 1977 pelo idealista e realizador prefeito (1973-1977) Lauro Péricles Gonçalves, instituição que pela Lei Municipal 6.897/92 passou à denominação patronímica de Observatório Municipal de Campinas “Jean Nicolini”.</p>



<p>Peregrinando constantemente pelas sendas de Urânia, Nicolini sobremaneira se ocupava e preocupava com a sua obra maior por ser a concretização da vida que sabia efêmera perante a temporalidade porventura infinita do Universo, inclusive expressando que<em>“</em>[&#8230;] <em>Ignoramos qual vai ser o resultado dessa luta. O autor, que não se faz jovem (está há cerca de 30 anos com Urânia!), sabe que não é eterno &#8211; como as idéias e os ideais. De modo que se preocupa com o futuro daquilo que norteou sua vida e foi (e continua sendo) a sua razão de ser.</em> [&#8230;]<em>” </em>(Jean Nicolini, Ouranos, 1975).</p>



<p>Um dos maiores admiradores e discípulos de Jean Nicolini é o astrônomo Prof. Dr. Paulo Sérgio Bretones, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que em seu canal no YouTube (<a href="https://www.youtube.com/channel/UCP0Z43KohwL65TAYTUHcerQ" target="_blank" rel="noopener" title="">youtube.com/channel/UCP0Z43KohwL65TAYTUHcerQ</a>) disponibilizou três vídeos com entrevistas que realizou com o mestre em 1988, 1989 e 7 de julho de 1991, 16 dias antes de falecer. Também comemorando o centésimo natalício, o Museu Aberto de Astronomia-MAAS (<a href="https://museuabertodeastronomia.com.br/" target="_blank" rel="noopener" title="">museuabertodeastronomia.com.br</a>), por seu proprietário José Carlos Silva Júnior, em 8 de abril inaugurou o Pavilhão “Jean Nicolini” com a cúpula astronômica construída em 1961 por Nicolini e Orlando Zambardino, local com telescópio e memorial à personalidade. São vídeos históricos e visita que recomendo para conhecerem o pensamento, vida e obra de um dos expoentes da Astronomia brasileira e reconhecido internacionalmente, essencialmente as ininterruptas observações e registros solares que produziu de 1º de janeiro de 1956 até 22 de abril de 1991, véspera de seu falecimento.</p>



<p>O sofrimento pela ausência de quase 31 anos do querido amigo e mentor aparentemente passou, resguardo a memória dele na consciência e preservo sua história no relicário dos sentimentos. Poder evocar sozinho e silente, por decisão pessoal, o seu centenário de nascimento proporciona incomensurável felicidade, algo impossível de explicar e compartilhar. Por isso, neste 9 de abril de 2022, pela centúria do saudoso astrônomo singelamente celebro com gratidão quem me ensinou ir além das possibilidades e que deixou legados para serem sonhados, idealizados e materializados pelas pósteras gerações que oportunamente despertarão para antigos novos sonhos. Principalmente porque, seguindo na flecha do inexorável tempo, agora são os meus minutos que não têm mais 60 segundos&#8230;</p>



<p class="has-text-align-right"><strong><em>Ad astra per Aspera</em></strong></p>



<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p><strong><em>Orlando Rodrigues Ferreira</em></strong></p>
</div>



<p><em>Conselheiro Fiscal do CCLA, professor, astrônomo, licenciado em Filosofia, pós&#8211;graduado em Astronomia, Mestre e Doutor em Ensino de Ciências e Matemática; MTB 86.736/SP</em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/04/centenario-de-jean-nicolini-1922-1991-o-despertar-de-antigos-novos-sonhos/">Centenário de Jean Nicolini (1922-1991): O despertar de antigos novos sonhos</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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