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	<title>História | CCLA</title>
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	<description>Centro de Ciências, Letras e Artes</description>
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	<title>História | CCLA</title>
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		<title>Francisco Glicério de Cerqueira Leite e o Centro de Ciências Letras e Artes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Aug 2022 16:16:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Glicério]]></category>
		<category><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></category>
		<category><![CDATA[História de Campinas]]></category>
		<category><![CDATA[República]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Prefeito Heitor Penteado, relembrou com propriedade a caminhada de Francisco Glicério na construção da República.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-pullquote is-style-default"><blockquote><p><strong>República!&#8230; Voo ousado</strong>                     <strong>  Do homem feito condor!                    Raio de aurora inda oculta</strong>                <strong>Que beija a fronte ao Tabor!</strong>          <strong>Deus! Por que enquanto o monte</strong>   <strong>Bebe a luz desse horizonte,</strong>          <strong>Deixas vagar tanta fronte,</strong>                   <strong>No vale envolto em negror?!&#8230;</strong><br><strong><em>&nbsp;</em></strong><br><em>Trecho da III parte do poema Pedro Ivo</em> <em>Livro Espumas Flutuantes</em>              <em>“Poesias de &nbsp;Castro Alves”</em>            <em>Tipografia de Camillo Lellis Masson</em> <em>Bahia 1870 – páginas 62</em></p></blockquote></figure>
</div>



<p>O vigário João Manoel de Almeida Barbosa, no dia 24 de agosto de 1846, registrou no livro VI, folhas 143, a certidão de batismo de Antônio e, na linha seguinte, a de Francisco, ambos batizados com a sua licença pelo Reverendo Antônio Fernando Nunes. Antônio trazia como padrinho Antônio Benedicto e D. Maria Cândida e Francisco, os padrinhos, Reginaldo Antônio e D. Maria Cândida. Francisco, de seis dias, nascido em 15 de agosto, não era outro senão o filho de Antônio Benedicto de Cerqueira Leite e D. Maria Zelinda da Conceição. Segundo sua certidão de casamento, carregaria o nome de Francisco Glicério de Cerqueira Leite. Seu padrinho de batismo era o compadre de seu pai Reginaldo Antônio de Moraes. Antônio, de 27 dias, nascido em 27 de julho de 1846, não era outro senão o filho de Reginaldo Antônio de Moraes Salles e de D. Antônia Joaquina do Amaral Camargo. Carregando o nome de Antônio Carlos de Moraes Salles, o menino se transformaria em um dos maiores advogados de Campinas. Seu padrinho de batismo era o compadre de seu pai, Antônio Benedicto de Cerqueira Leite.</p>



<p>Como imaginar D. Maria Cândida de Barros, a madrinha dos dois meninos, harmonizando os pensamentos tão diversos e tão diferentes que eram gerados por estes dois personagens. Cento e setenta e seis anos depois sinto-me bastante à vontade para relembrar, com muito orgulho e satisfação esta efeméride que, por sinal, já foi vivida com muita intensidade no ano de 1916, data em que o Centro de Ciências Letras e Artes comemorou o 70º aniversário de nascimento de Francisco Glicério, exatamente quatro meses e três dias após a sua morte, que se deu no Rio de Janeiro em 12 janeiro de 1916. Comentava o Correio Paulistano de 16 de agosto de 1916:</p>



<p><em>“&#8230;Razões de sobra tem o Centro de Ciências Letras e Artes para ficar orgulhoso do êxito de sua comemoração: com ela pagaram Campinas e o Estado de São Paulo uma dívida de honra para com a memória do General Francisco Glycerio, cuja vida, cuja atividade, cujo caráter, cujos altos sentimentos de benemerência e abnegação exigiam uma homenagem condigna, que exaltasse suas virtudes e as apontasse como exemplo a geração atual”</em></p>



<p>Os festejos começaram no dia 15 de agosto, com uma visita pela manhã ao túmulo de Glicério. Uma comitiva partiu do largo da catedral às oito horas da manhã com a banda da Força Pública, sob as ordens do Alferes Salvador Chiarelli e diversas autoridades. Alunos do Liceu de Artes e Ofícios, do Externato São João, alunos da escola do Fundão, alunos do segundo Grupo Escolar, alunos do Ginásio do Estado e diversas outras entidades de ensino, seguiram pelas (atuais) Francisco Glicério, Barreto Leme, Barão de Jaguara, Ferreira Penteado, José Paulino e Avenida do Fundão, hoje conhecida como Avenida da Saudade, até a porta da necrópole, onde a polícia vetou a entrada do grande número de populares.</p>



<p>O túmulo de Francisco Glicério se encontrava completamente coberto de flores naturais, onde o prefeito municipal, Heitor Penteado, pronunciou um discurso em que se dizia guiado pelo Centro de Ciências, Letras e Artes e seus fins altamente nobres para reunir e incentivar o civismo e o patriotismo em nossa cidade. Acrescentava o prefeito que a solenidade teria uma dupla significação, de um lado, a dor pelo desaparecimento do amigo, ilustre, generoso e bom e, por outro lado, a solidariedade do povo com o princípio ideal que, em vida, o eminente campineiro sempre encarnou.</p>



<p>O Prefeito Heitor Penteado, relembrou com propriedade a caminhada de Francisco Glicério na construção da República. Em seguida a banda da Força Pública executou uma peça de seu repertório. Usou também a palavra o aluno do Colégio São Benedito, Araripe Rodrigues que encerrou esta parte da solenidade. Às 20 horas, realizou-se no salão nobre do Centro de Ciências Letras e Artes, a Sessão Magna. Com abertura do presidente, dr. Carlos Stevenson, a palavra foi entregue ao Presidente da Câmara dos Deputados, dr. Antônio Lobo que, em seu discurso, menciona uma carta de próprio punho de Glicério a ele endereçada. A carta era datada de 17 de julho de 1890 e se referia a momentos delicados e tristes da vida de Glicério:</p>



<p><em>“&#8230;Pede ao Deus dos católicos que me auxilie, s</em><em>ó </em><em>vejo em torno de mim o dever de ser forte, a necessidade de ser puro e os perigos da minha situação.</em><em></em></p>



<p><em>Quando parti disse-te que te mandaria 30:000$000 para pagares aqueles três compromissos que envolvem a minha honra e o meu nome, no suposto de que viria receber essa soma de meus irmãos, pela venda do meu quinhão na fazenda de Jaú, pois supunha poder liquidar, pelo menos, 40 contos. Deram-me 20 contos, sendo 12 j</em><em>á</em><em>, e 8 depois! Que pancada levei na cabe</em><em>ç</em><em>a com essa triste nova, deves imaginar. Equilibrei-me, o mais que pude, para não cair fulminado, e não dei sequer a perceber que assim ficava exposto a um desastre moral que me pode ser fatal.</em><em></em></p>



<p><em>Disse ao Jorge que te mandasse os 12 contos, pague com eles, Rafael Sampaio &amp; CO, 8.602$670, pela liquidação de D. Gertrudes de Arruda Camargo e o restante use na reforma da letra endossada pelo Octaviano, no Banco Provincial. Quanto ao saldo das prestações de D. Isabel e Domingos da Costa Neto, serão pagas do seguinte modo: com os 8 contos que pedir</em><em>á</em><em>s ao Jorge e com o produto da venda de minha casa, para o que te mandarei procuração minha e de minha mulher do Rio de Janeiro.</em><em></em></p>



<p><em>Arranja-me isso, pelo amor de Deus, de modo que meu nome seja salvo do naufrágio</em><em>.</em></p>



<p><em>Além </em><em>disso, tenho outras d</em><em>í</em><em>vidas, sendo a que mais me tortura é a de Santos, Irmão &amp; Nogueira, a quem não</em><em> posso e não</em><em> devo prejudicar, sob pena de ser um falso amigo.</em><em></em></p>



<p><em>Calculo </em><em>que os servi</em><em>ç</em><em>os do escritório darão 40 contos, sem incluir Fiorita e Tavolara, mas isso </em><em>é liquidação </em><em>demorada, portanto, tudo depende das tuas diligências, da tua dedicação a mim.</em><em></em></p>



<p><em>Se estes meios falharem, temo que a minha honra ser</em><em>á </em><em>o pasto apetecido dos meus cruéis inimigos e a minha retirada do governo e da pol</em><em>í</em><em>tica, a consequência forçada do desastre. </em><em>Então</em><em> minha visita a Campinas passar</em><em>á </em><em>a ser uma eterna despedida, no seio dos meus companheiros, no teatro das minhas glórias. Bem v</em><em>ê</em><em>s quanto isso </em><em>é horrível, </em><em>menos para mim do que mesmo para a salvação e o ressurgimento de minha terra. </em><em>Não sei o que pensava quando, a custo, desprendi-me de vocês, entretanto, eu nada suspeitava. </em><em>Meus irmãos apresentaram-me um cálculo exato, contra o qual nada tenho que reclamar, mas a questão</em><em> é </em><em>que eu devia </em><em>à </em><em>firma, a parte do capital, que retirei aos poucos, e a sociedade tem passivo considerável. Se pudesse esperar a colheita de 91, então estaria salvo, mas não posso, pelas circunstâncias que exponho.</em><em></em></p>



<p><em>Eis tudo, tudo quanto me acontece, depois que cheguei ao fim da minha jornada pol</em><em>í</em><em>tica. Aqui estou, sem poder me abrir com viva alma. Quis chamar-te, mas verifiquei que eu não poderia conter-me, sem disparar no mais indiscreto desabafo. Esse encontro seria até</em><em> um vexame para mim, </em><em>que preciso manter calma, reflexão e firmeza inabalável.</em><em></em></p>



<p><em>Não devo considerar-me infeliz, porque o culpado fui eu. Sou apenas um patriota sem dinheiro com a responsabilidade do governo e do futuro de S. Paulo. </em><em>Há </em><em>uma coisa que me tortura o coração e a consciência, fiz a República, a custa do dinheiro alheio prejudicando meus credores. Este espinho h</em><em>á </em><em>de levar-me ao t</em><em>ú</em><em>mulo, se eu não&nbsp; puder salvar-me agora, a fim de trabalhar e pagar as minhas d</em><em>í</em><em>vidas.</em><em></em></p>



<p><em>Vê</em><em>s quanto deves fazer por mim. Confio a direção dos meus negócios para você e parto para o Rio, para </em><em>à</em><em>quele inferno, levando a alma em pedaços. Olha: salva-me, e fica desde j</em><em>á </em><em>pago do teu servi</em><em>ç</em><em>o, recebendo este conselho: nunca sejas chefe político. Esta carta come</em><em>ç</em><em>ada ontem </em><em>concluo</em><em> agora, </em><em>à</em><em>s 5 horas da tarde de 18, e daqui a pouco vou ao banquete político</em><em> que me d</em><em>ã</em><em>o. </em><em>E vou mostrar-me risonho, e vou fazer discursos! Adeus.</em><em>Dá</em><em>-me um abra</em><em>ç</em><em>o e que isto me anime. Teu amigo, Glicério”</em><em></em></p>



<p>Este episódio não terminaria assim, pois um amigo comum de Glicério e Antônio Lobo, morador de Santos, diante de uma acusação que chegara ao seu conhecimento, a de que Glicério não saldara uma dívida de quatro contos de réis, imediatamente chama Antônio Lobo que, sem poder mentir e bastante envergonhado, confirma que Glicério não tinha mais atividade profissional o que dificultava sua vida em vários sentidos. &nbsp;O perfeito cavalheiro e leal amigo de Santos, então tomou a seguinte decisão:</p>



<p><em>“&#8230; Pois, eu não desejo que se fale de Glicério; quero que seu nome continue tão limpo e respeitado como é e tem sido até hoje.” </em>Logo no outro dia, este amigo, providencia 36 contos de réis para saldar as contas de Glicério na praça de Campinas, sacados do Banco União de São Paulo, empresa em que era sócio com Bento Quirino e José Paulino Nogueira e proíbe Antônio Lobo, de revelar sua identidade ou a origem dos recursos. O tempo não consegue torná-lo anônimo: Antônio Carlos da Silva Telles, nome que Campinas admira por esta e outas atitudes.</p>



<p>Hoje, diante de tantas dificuldades vividas pelo Centro de Ciências, Letras e Artes que, sem esmorecer insiste em sobreviver, relembramos o nascimento de Francisco Glicério, não com as glórias do passado, dias em que civismo era valorizar nossos heróis, era transferir valores para uma geração, era a identificação com a república libertária, mas com este singelo artigo em tempos amargos, em uma sociedade que ainda não construiu os valores éticos do respeito e tolerância, base do espírito democrático.</p>



<p><strong>Genaro Campoy Scriptore</strong>                                                                                                                        Administrador de Empresas, Curador do Museu Campos Salles, Conselheiro Fiscal do Centro de Ciências Letras e Artes</p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/08/francisco-glicerio-de-cerqueira-leite-e-o-centro-de-ciencias-letras-e-artes/">Francisco Glicério de Cerqueira Leite e o Centro de Ciências Letras e Artes</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>O CCLA, pelo historiador Duílio Battistoni Filho</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/07/o-ccla-pelo-historiador-duilio-battistoni-filho/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Jul 2022 14:19:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conheça mais sobre o Centro de Ciências, Letras e Artes. O historiador Duílio Battistoni Filho fala sobre a centenária instituição que é o berço da Cultura campineira atual.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/07/o-ccla-pelo-historiador-duilio-battistoni-filho/">O CCLA, pelo historiador Duílio Battistoni Filho</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Chamada dos Heróis Combatentes</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/06/chamada-dos-herois-combatentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jun 2022 21:24:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Combate de Venda Grande]]></category>
		<category><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></category>
		<category><![CDATA[História de Campinas]]></category>
		<category><![CDATA[Monumento ao Combate de Venda Grande]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento Liberal de 1842]]></category>
		<category><![CDATA[Venda Grande]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto no Brasil uma sociedade conhecida como Conselho da Sociedade dos Patriarcas Invisíveis, com sede no Rio de Janeiro, em meio à corte do jovem Dom Pedro II, fomentava a insurreição para  sustentar e defender debaixo deste novo laço social a Independência do Brasil, e a Constituição do Império, do outro lado enfrentando uma guerra externa, os poderes constituídos defendiam a Regência, o Imperador e a Constituição e a pergunta que não calava era: “Quem era o inimigo? Os Liberais que se armavam ou os conservadores que se aliavam aos regressistas?” Em um fogo amigo os brasileiros se dizimavam em Campinas, Limeira, Sorocaba, Santa Luzia, Porto Alegre na busca de um caminho de amor ao Brasil e à Pátria.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Genaro Campoy Scriptore</strong></p>



<p><em>No dia em que celebramos esta data histórica, capítulo heroico e cívico vivido pela altivez do povo campineiro, do povo brasileiro e porque não dizer dos paulistas que fizeram a diferença no movimento liberal acontecido entre 1835-1842 que sacudiu o início do segundo império, não poderíamos ficar somente no discurso das façanhas das batalhas é preciso acima identificar os personagens, vultos históricos que exerceram ideais libertários constitucionais que são o coração da República Federativa do Brasil.</em></p>



<p><em>Enquanto no Brasil uma sociedade conhecida como Conselho da Sociedade dos Patriarcas Invisíveis, com sede no Rio de Janeiro, em meio à corte do jovem Dom Pedro II, fomentava a insurreição para&nbsp; sustentar e defender debaixo deste novo laço social a Independência do Brasil, e a Constituição do Império, do outro lado enfrentando uma guerra externa, os poderes constituídos defendiam a Regência, o Imperador e a Constituição e a pergunta que não calava era: “Quem era o inimigo? Os Liberais que se armavam ou os conservadores que se aliavam aos regressistas?” Em um fogo amigo os brasileiros se dizimavam em Campinas, Limeira, Sorocaba, Santa Luzia, Porto Alegre na busca de um caminho de amor ao Brasil e à Pátria.</em></p>



<p><em>Este capítulo do Combate da Venda Grande é precioso para nossa cidade, para nossa história e não podemos deixar de nominar alguns dos atores deste evento.</em> <em>Do Rio de Janeiro, no dia 18 de maio zarpava do porto, as 8:00 horas da manhã, quatro barcas de vapor: “A Especuladora, Paquete do Sul, Pernambucana e São Sebastião” com 700 praças do 12º Batalhão de Caçadores com destino a Santos.</em></p>



<p><em>Por terra, em 19 de maio, seguiam mais 400 praças do Batalhão de Fuzileiros e no vapor “Todos os Santos”, embarcava o Comandante em Chefe do Exército. General Luiz Alves de Lima e Silva, na época o Barão de Caxias.</em></p>



<p><em>Em Campinas no Engenho da Lagoa, sítio do finado Theodoro Ferraz, o lugar conhecido como “Venda Grande”, na estrada em direção a Limeira, no mesmo local que nossas vistas alcançam ao nosso derredor, se reunia um grupo de não mais do que 300 ou 350 rebeldes, portando armas de caça, alguns participantes da Guarda Nacional, fazendeiros e gente do povo que tinham laços com os liberais que haviam eleito Rafael Tobias de Aguiar como Presidente da Provincia de São Paulo com a liderança e aconselhamento de Diogo Antonio Feijó, o “paulistano campineiro”.</em></p>



<p><em>O Barão de Caxias não precisou vir a Campinas. Enviou o Coronel Amorim Bezerra com 3 cadetes do 12º para instruir os improvisados soldados conservadores em Campinas e uma força de soldados militarmente preparados que chegou em 6 de junho de 1842 em Campinas se juntando aos soldados da guarda pessoal do Padre João José Vieira Ramalho, agricultor, dono da fazenda Boa Vista e fundador da cidade de São João do Jaguary, hoje São João da Boa Vista, que detinha uma milícia particular utilizada para defender seus interesses e de sua fazenda, aos soldados da Guarda Nacional liderados pelos Coronel José Franco de Andrade e pelo major Joaquim Quirino dos Santos.</em></p>



<p><em>Das forças imperiais comandadas pelo coronel Amorim Bezerra, em relatório ao Barão de Caxias são mencionados com distinção:</em></p>



<p><em>No dia 7 de junho, com 120 homens de cavalaria e infantaria, o Coronel Amorim Bezerra, dirige-se para a fazenda da Lagoa, no Engenho da Lagoa ou Venda-Grande, onde estavam acampados 50 homens, que chegaram no meio do mês de maio de 1842 de diversas paragens e mais 130 homens da chamada “Coluna Libertadora”, trazidos pelo valente Capitão Boaventura Soares do Amaral, que abastecera os homens com armamentos, munição e uma peça, canhão, de artilharia. Tal peça, possivelmente, nunca foi usada por total despreparo dos rebeldes.</em></p>



<ol class="wp-block-list" type="1"><li><em>O alferes do 12º Batalhão Carlos Cirilo de Castro</em></li><li><em>II tenente João Jacques Godfroy, cadete de artilharia</em></li><li><em>Alferes de comissão João José Pereira do 12º Batalhão</em></li><li><em>Cadete em serviço do oficial João José Pereira do 12º Batalhão</em></li><li><em>Sargento Joaquim Theodoro do 12º Batalhão</em></li><li><em>Sargento de Guardas Nacionais Antonio do Rego Dante</em></li></ol>



<p><em>O número de mortos no Combate de Venda Grande, nunca foi realmente apurado. O relatório dos soldados do Barão de Caxias contou 17 mortos; historiadores e cronistas falam em 19 ou 20 combatentes mortos; Amador Bueno Machado Florence, em sua crônica, quarenta anos depois do evento, relaciona alguns mortos:</em></p>



<p><em>1. Boaventura do Amaral Soares de Camargo.</em></p>



<p><em>2. Antonio Joaquim Vianna.</em></p>



<p><em>3. “Negueime”, apelido de um primo de Joaquim Bonifácio do Amaral, o Sete Quedas, Visconde de Indaiatuba.</em></p>



<p><em>4. João Evangelista Monteiro, um primo de Juca Salles.</em></p>



<p><em>5. Um tal de João Francisco, que talvez seja, João Sapateiro, nome que Amador Bueno Machado Florence identifica como alfaiate, oficial, mestre de ofício, do Cezarino, refere-se Antonio Ferreira Cezarino que nesta época era um prestador de serviços na comunidade.</em></p>



<p><em>6. Um camarada do Bittencourt, provavelmente um dos colonos ou empregado de Antonio Pio Correia Bittencourt que também participou do combate, que não se recorda o nome.</em></p>



<p><em>Da força Imperial pereceu somente um soldado do Padre Ramalho.</em></p>



<p><em>Quanto aos feridos, Amador Bueno Machado Florence, relaciona:</em></p>



<p><em>1. Antonio Alfaiate, baleado de revés na cabeça.</em></p>



<p><em>2. Joaquim Cardoso, irmão de Manoel Cardoso, tio do maestro Santana Gomes e de Antonio Carlos Gomes, baleado no peito, que se recuperou graças ao acolhimento e ajuda dos sitiantes da redondeza.</em></p>



<p><em>3. José Antonio da Silva, ferido no braço.</em></p>



<p><em>Narra Amador Bueno Machado Florence, filho de Hercule Florence, curioso fato acontecido na fazenda do major Luciano Teixeira Nogueira, sobre o único prisioneiro de guerra, feito pelos revolucionários paulistas. Um jovem oficial que cumpria o serviço militar em Campinas, José Manoel de Castro, que no futuro despontaria como importante fazendeiro na região, desavisadamente foi à fazenda de Luciano Teixeira Nogueira e lá chegando foi detido pelo major e seus trinta companheiros, que o levaram para Sorocaba na comitiva que conduziu o Padre Feijó.</em></p>



<p><em>Em Sorocaba exerceu José Manoel de Castro, a função de impressor e tipógrafo do jornal “O Paulista”, editado por Hercule Florence, pai do narrador deste fato, com quem desenvolveu grande amizade, a ponto de fugirem juntos montados em um único animal com destino a Porto Feliz, após a fuga em massa acontecida no final da Revolta. Quanto retornaram para Campinas foram anistiados.</em></p>



<p><em>E agora com o objetivo de relembrar estes valentes combatentes faço uma singular chamada de seus nomes que compilei das menções feitas pelo Doutor Antonio Carlos de Moraes Salles, Amador Bueno Machado Florence e por João Baptista Moraes.</em></p>



<p><em>Parodiando o Príncipe dos Poetas, o campineiro Guilherme de Almeida empresto algumas linhas do poema <strong>Oração ante a última trincheira, </strong>uma homenagem a Revolução de 1932, para homenagear os nomes destes distintos campineiros, paulistas e brasileiros.</em></p>



<p><em>Agora é o silêncio&#8230;</em></p>



<p><em>É o silêncio que faz a última chamada&#8230;</em></p>



<p><em>É o silêncio que responde:</em></p>



<p><em>— &#8220;Presente!&#8221;</em></p>



<p><em>Depois será a grande asa tutelar de São Paulo,</em></p>



<p><em>asa que é dia, e noite, e sangue, e estrela, e mapa</em></p>



<p><em>descendo petrificada sobre um sono que é vigília.</em></p>



<p><em>E aqui ficareis Heróis-Mártires, plantados,</em></p>



<p><em>firmes para sempre neste santificado torrão de</em></p>



<p><em>chão paulista.</em></p>



<p><em>Para receber-vos feriu-se ele da máxima</em></p>



<p><em>de entre as únicas feridas na terra,</em></p>



<p><em>que nunca se cicatrizam,</em></p>



<p><em>porque delas uma imensa coisa emerge</em></p>



<p><em>e se impõe que as eterniza.</em></p>



<p><em>Só para o alicerce, a lavra, a sepultura e a trincheira</em></p>



<p><em>se tem o direito de ferir a terra&#8230;.</em><strong></strong></p>



<p><strong>(À menção de cada nome, os participantes do evento respondem “PRESENTE”)</strong><strong><em><br></em></strong></p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><strong><em>COMBATENTES DA VENDA GRANDE</em></strong><strong><em></em></strong></td></tr><tr><td><em>Ângelo Custodio Teixeira Nogueira</em></td></tr><tr><td><em>Antonio Alfaiate</em></td></tr><tr><td><em>Antonio Castelhano</em></td></tr><tr><td><em>Antonio Custódio de Morais</em></td></tr><tr><td><em>Antonio de Cerqueira</em></td></tr><tr><td><em>Antonio Joaquim Viana</em></td></tr><tr><td><em>Antonio Manuel Teixeira</em></td></tr><tr><td><em>Antonio Pio Correia Bitencourt</em></td></tr><tr><td><em>Bento Martins</em></td></tr><tr><td><strong><em>Boaventura do Amaral Soares de Camargo</em></strong></td></tr><tr><td><em>Cândido Pompeu</em></td></tr><tr><td><em>Carlos Augusto do Amaral</em></td></tr><tr><td><em>Casemiro de Lima</em></td></tr><tr><td><em>Diogo Benedito dos Santos Prado</em></td></tr><tr><td><em>Emídio Carpinteiro</em></td></tr><tr><td><em>Felipe Cesar Cerqueira Leite</em></td></tr><tr><td><em>Fidencio Bueno de Camargo</em></td></tr><tr><td><em>Floriano de Lima</em></td></tr><tr><td><em>Francisco Borges da Cunha</em></td></tr><tr><td><em>Francisco Cardoso</em></td></tr><tr><td><em>Francisco de Assis Pupo</em></td></tr><tr><td><em>Francisco de Barros Leite</em></td></tr><tr><td><em>Francisco Dias Aranha</em></td></tr><tr><td><em>Francisco Luiz das Chagas</em></td></tr><tr><td><em>Francisco Marcelino de Morais</em></td></tr><tr><td><em>Francisco Teixeira Nogueira</em></td></tr><tr><td><em>Gonçalo da Silva</em></td></tr><tr><td><em>Inácio de Oliveira</em></td></tr><tr><td><em>João Batista Pupo de Morais</em></td></tr><tr><td><em>João Dias Aranha</em></td></tr><tr><td><em>João Evangelista Monteiro</em></td></tr><tr><td><em>João Sapateiro</em></td></tr><tr><td><em>João Tamoio</em></td></tr><tr><td><em>Joaquim Bonifácio do Amaral</em></td></tr><tr><td><em>Joaquim Cardoso</em></td></tr><tr><td><em>Joaquim Custódio de Lima</em></td></tr><tr><td><em>Joaquim Incarnação</em></td></tr><tr><td><em>Joaquim Pinto de Camargo</em></td></tr><tr><td><em>José Antonio da Silva</em></td></tr><tr><td><em>José Inácio Teixeira</em></td></tr><tr><td><em>José Inocêncio de Camargo</em></td></tr><tr><td><em>José Maria do Nascimento</em></td></tr><tr><td><em>José Pedro</em></td></tr><tr><td><em>José Xavier Leite</em></td></tr><tr><td><em>Juca Cavalheiro</em></td></tr><tr><td><em>Luciano Teixeira Nogueira</em></td></tr><tr><td><em>Luiz Aranha</em></td></tr><tr><td><em>Luiz Dias Aranha</em></td></tr><tr><td><em>Malaquias de Tal</em></td></tr><tr><td><em>Manuel Fernandes Palhares</em></td></tr><tr><td><em>Manuel Joaquim Ferraz</em></td></tr><tr><td><em>Manuel Silvestre Martins</em></td></tr><tr><td><em>Modesto Correia</em></td></tr><tr><td><em>“Negueime”</em><em></em></td></tr><tr><td><em>Pedro Aleixo</em></td></tr><tr><td><em>Pedro Aranha</em></td></tr><tr><td><em>Reginaldo Antonio de Morais Salles</em></td></tr><tr><td><em>Rodrigo Cesar de Cerqueira</em></td></tr><tr><td><em>Sargento-Mor Raimundo Alvares dos Santos Prado Leme</em></td></tr></tbody></table></figure>



<p>Genaro Campoy Scriptore é membro do Conselho Fiscal (Gestão 2022-2024), administrador de empresas e pesquisador; Curador do Museu Campos Salles, do CCLA.</p>



<p><em><br></em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/06/chamada-dos-herois-combatentes/">Chamada dos Heróis Combatentes</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>CARLOS FERREIRA, BAUDELAIRIANO</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/06/carlos-ferreira-baudelairiano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jun 2022 20:23:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Baudelaire]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Carlos R Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Poeta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luiz Carlos R. Borges                   Em seu volume dedicado ao “Simbolismo”, dentro da coleção...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Luiz Carlos R. Borges</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/Carlos-Ferreira-edited-1.jpg" alt="" class="wp-image-691" width="497" height="745.5" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/Carlos-Ferreira-edited-1.jpg 337w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/Carlos-Ferreira-edited-1-200x300.jpg 200w" sizes="(max-width: 337px) 100vw, 337px" /></figure>


<h2> </h2>


<p>                         Em seu volume dedicado ao “Simbolismo”, dentro da coleção “Roteiro da Poesia Brasileira” editado em 2006 pela Global Editora, em conjunto com o então Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional, colhe-se a seguinte referência, no texto introdutório assinado por Lauro Junkes: “A partir de 1870 projetou-se crescentemente a influência de Baudelaire na poesia brasileira. O primeiro poeta de influência baudelairiana teria sido Carlos Ferreira, com <em>Alcíones</em> (1872)”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como se sabe, ao longo de todo o século dezenove a literatura francesa exerceu influência predominante no desenvolvimento das letras brasileiras (assim como na de outros países). Na segunda metade do século, a escola parnasiana mereceu entre nós inúmeros adeptos, que a praticaram de forma intensa e persistente, ao ponto de quase se transformar numa escola “oficial”, produzindo ícones como Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. O fenômeno se reproduziu (de forma, é certo, meio marginal) em relação ao simbolismo, como foi denominada a linhagem poética que, a partir de Charles Baudelaire e sua transgressão aos moldes românticos, foi implantada por Verlaine, Rimbaud e Mallarmé.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os grandes destaques do simbolismo, no Brasil, foram, reconhecidamente, Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens. Depois deles, no entanto, eclodiu uma nova e brilhante geração, bem destacada no livro mencionado. Mas o interesse pela nova poesia já havia sido despertado anteriormente junto a poetas sintonizados com o que ocorria no outro lado do Oceano, especialmente através da leitura do livro transgressivo e controvertido de Baudelaire, “As Flores do Mal”, editado em 1857. Entre eles, Carlos Augusto Ferreira.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sua inclusão entre os baudelairianos há de merecer destaque (e por isso suscitou nossa atenção), porque Carlos Ferreira foi, além de ficcionista e poeta, também jornalista, com atuação inclusive e especialmente em Campinas. Nascido no Rio Grande do Sul, a certa altura de sua trajetória, ele trasladou-se para nossa cidade, onde a partir de 1876 passou a militar na “Gazeta de Campinas”, como seu redator (ou como “proprietário e diretor”), jornal que entre seus fundadores, em 1869, contava com a figura exponencial de &nbsp;Francisco Quirino dos Santos. A esse respeito anota Duílio Batisttoni Filho, em sua importante obra “Imprensa e Literatura em Campinas nos seus primórdios”, Ed. Pontes, 2016: “Em 1876 a Gazeta passava a ser editada diariamente com feição mais literária tão a gosto de seu redator-chefe, o poeta Carlos Ferreira (1848-1913), que também trabalhara em jornais de São Paulo” (pág.28).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois de algum tempo, Ferreira mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo também residido em Amparo. É importante mencionar que a biblioteca do CCLA dispõe em seus acervos, na seção “Campiniana”, de um romance seu publicado já em 1890, através da Editora Livro Azul, intitulado “Primeira Culpa (Estudo da Vida Social)” e dedicado a seu amigo Machado de Assis.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao mencionado livro de poesia, “Alcíones”, não consta ter sido reeditado; notícias a respeito podem ser encontradas de maneira indireta, como é o caso do estudo intitulado “Les Fleurs du Mal antes de As Flores do Mal: os Primeiríssimos Baudelairianos”, disponível na internet. Seu autor, Ricardo Meirelles, revela que a tradução do poema “Les Balcons” consta do mencionado livro de 1872, sob o título de “Modulações” e o subtítulo de “Imitação de Baudelaire”. Através das inúmeras fontes pesquisadas pelo autor, destaca-se que na referida tradução / imitação, Ferreira se utilizou, livremente, de termos e expressões mais afeiçoadas à sua formação como poeta vinculado ao romantismo. Como estas: “Saudosa inspiração da lúcida poesia! / Que é da quadra feliz do affecto delirante?”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Teria sido ainda anteriormente à data da publicação do livro (1872) que Ferreira empreendeu sua primeira incursão tradutória. Noutro volume de poesia, “Redivivas”, de 1881, incluiu-se a sua versão do poema intitulado “Moesta et errabunda”, com a anotação de que a tradução teria sido feita em 1871. Nele, ao mesmo tempo em que se queixa do “negro oceano da cidade imunda”, Baudelaire convoca imagens ideais de outras terras, longínquas e paradisíacas, onde “sob um claro azul tudo é amor e alegria”. Segundo Meirelles e os comentaristas por ele consultados, Carlos Ferreira teria identificado seu próprio país e, em particular, o Rio de Janeiro em que durante muito tempo residiu, como esse idealizado “paraíso perfumado, verde e inocente, cheio de prazeres furtivos”. Procedeu, em suma, a uma “aclimatação” da poesia do francês.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fique, portanto, este modesto registro, como sugestão para que outros, mais capacitados, como historiadores, estudiosos da literatura e pesquisadores em geral, possam se interessar pela biografia e obra desse jornalista e poeta que, em sua trajetória, legou marcas indeléveis às letras e ao jornalismo inclusive durante sua estadia em Campinas.</p>



<p><em><strong>Luiz Carlos Ribeiro Borges é membro da Academia Campinense de Letras e secretário geral do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas (CCLA)</strong></em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/06/carlos-ferreira-baudelairiano/">CARLOS FERREIRA, BAUDELAIRIANO</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>O HISTÓRICO COMBATE DA VENDA GRANDE</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/06/o-historico-combate-da-venda-grande/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jun 2022 21:58:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>UMA QUASE GUERRA CIVIL QUE TEVE LUGAR EM CAMPINAS Giovanni Galvão Raros episódios reúnem personagens...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="has-text-align-center">UMA QUASE GUERRA CIVIL QUE TEVE LUGAR EM CAMPINAS</p>



<p><strong>Giovanni Galvão</strong></p>



<p>Raros episódios reúnem personagens históricos brasileiros tão importantes como Dom Pedro II, o Regente Feijó, o Duque de Caxias, o Brigadeiro Tobias de Aguiar, a famosíssima Marquesa de Santos, o Barão de Monte Alegre e Boaventura do Amaral. O episódio de Venda Grande reúne todos eles!<br>Este marco a que chamamos “monumento”, instalado no canteiro central de<br>uma avenida de um bairro campineiro, é pouquíssimo conhecido. Há mesmo quem viva a infância, a adolescência e a vida adulta por aqui, passando frequentemente próximo a este monumento, sem sequer saber o motivo de sua existência. Esta região chamada de &#8220;Amarais&#8221;, situada entre o Aeroporto dos Amarais e o Ribeirão Quilombo, tem uma enorme importância histórica: foi onde se deu o &#8220;COMBATE DA VENDA GRANDE&#8221; em 07 de junho de 1842. Se olharmos em volta, notaremos que aquilo que um dia foi um campo de batalha em que irmãos brasileiros se enfrentaram defendendo até à morte suas ideias, tem hoje toda uma estrutura urbana com casas, barracões, indústrias e comércios, ruas e praças.<br>O campo em que aquele episódio glorioso aconteceu foi engolido e desapareceu. É bem possível, no entanto, que sob algumas dessas construções ainda estejam os restos mortais de algum ou alguns dos muitos heróis que o combate produziu.<br>Neste pedaço de Campinas agora inteiramente urbanizado, que é parte da área da antiga Fazenda Santa Genebra, este marco pouco visível indica o local onde há exatamente 180 anos ocorreu aquele confronto fratricida que foi parte da chamada “Revolução Liberal de 1842”.<br>Em ambos os lados da luta de morte estavam brasileiros que amavam sua Pátria mas defendiam interesses opostos. Foi o episódio mais significativo de uma revolução que por pouco não descamba para uma guerra civil.<br>Aqui mesmo ou nas imediações de onde agora nos encontramos para prestar esta homenagem, as tropas imperiais derrotaram as forças rebeldes.<br>Chega a ser curioso que quase os mesmos grupos políticos que atualmente se enfrentam entre si pelo poder no Brasil (conservadores, moderados e<br>progressistas) estiveram também presentes naquela ocasião: os conservadores, os moderados e os liberais (que em parte poderiam hoje ser chamados “progressistas”). Mais mudam as coisas, mas as coisas continuam as mesmas. A revolução eclodiu em Sorocaba em 17 de maio de 1842.<br>Dela fizeram parte:<br> O Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar (que pouco antes, em 1831, havia<br>criado a Polícia Militar do Estado de São Paulo);                                                     O Padre Diogo Antônio Feijó, que havia sido Deputado, Senador,<br>Ministro da Justiça e finalmente Regente do Império de 1835 a 1837 de<br>onde lhe veio o título de “Regente Feijó”. Nessa época, ele morava em<br>Campinas mas se dirigiu a Sorocaba para apoiar Tobias de Aguiar assim<br>que soube da deflagração do movimento revoltoso;                                              Maria Domitila, a Marquesa de Santos, que havia sido amante de Dom<br>Pedro I, mãe de alguns de seus filhos, mas que na época da Revolução<br>era casada com o Brigadeiro Tobias.<br>A chamada &#8220;Revolução Liberal&#8221; foi principal centro da revolta contra os<br>conservadores, que estavam no poder desde março de 1841 e vinham aprovando leis contrárias aos interesses liberais. O Ministério havia adotado também medidas centralizadoras que provocaram nos liberais intensa agitação. A gota d´água foi a demissão, pelo ministério, do Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar do cargo de Presidente da Província (cargo atualmente chamado de Governador do Estado) que a havia presidido em duas ocasiões (1831-1835 e 1840-1841) e a conseqüente nomeação do Barão de Monte Alegre para o mesmo cargo.<br>Com amplo apoio popular, Tobias de Aguiar iniciou o movimento revolucionário que rapidamente se espalhou para outras cidades da Província (como Itu, Faxina, hoje Itapeva, Porto Feliz, Itapetininga e Capivari) e de Minas Gerais. Pretendiam os liberais depor em São Paulo o Barão de Monte Alegre e transferir a capital para Sorocaba, aclamando depois o brigadeiro Tobias de Aguiar como o novo Presidente da Província; em seguida, marchar em direção ao Rio de Janeiro para depor o governo conservador, devolvendo o poder aos liberais, mantendo-se a monarquia. Não se tratava, portanto, de um movimento republicano. Feijó havia levado um prelo de Campinas para Sorocaba e nele começou a escrever um jornal revolucionário, chamado «O Paulista», do qual se editaram apenas quatro números relatando o desenvolvimento do movimento.<br>Sendo aclamado presidente interino da província, Tobias prestou juramento de «defender o imperador e a Constituição até a última gota de seu sangue», nomeou comandantes militares, despachou emissários, suspendeu a «lei das reformas» e declarou nulos os atos praticados em virtude dela. Sob seu comando militar, foi constituída a chamada Coluna Libertadora, com uns 1.500 homens, para marchar até a capital paulista e dali para o Rio. O Barão de Caxias, brigadeiro Luís Alves de Lima e Silva (que depois se tornaria Visconde, Marquês e finalmente Duque de Caxias) foi encarregado de partir do Rio de Janeiro para São Paulo e combater os revoltosos. Partiu a bordo de um vapor, desembarcando em Santos; logo em seguida chega a São Paulo, acabando com os planos dos revoltosos de conquistar a cidade. Parte dos revolucionários estava marchando de Sorocaba para o Rio de Janeiro, passando por Campinas. A Venda Grande era o local quase obrigatório de pouso, descanso e recomposição dos mantimentos necessários ao prosseguimento da marcha. E foi aqui que se deu o encontro dos dois grupos. <br>O ponto quase final da Revolução Liberal foi a batalha, o combate que hoje aqui homenageamos. Foi aqui o epílogo de um movimento que estremeceu a gente do seu tempo e ceifou vidas de diversas famílias Campineiras e Paulistas de outras cidades. Este combate vitimou Boaventura do Amaral, que tombou morto junto com diversos outros soldados. Era ituano, capitão e hoje dá nome a importante rua no centro de Campinas. Ele e dezenas de outros revoltosos foram mortos pelos comandados do coronel Amorim Bezerra, que o então Barão de Caxias mandou vir de São Paulo para atacar os paulistas. O depoimento dos antigos dá conta de que o capitão Boaventura do Amaral e muitos dos seus companheiros feridos, morreram no interior da Venda Grande para onde haviam sido levados feridos, pelos companheiros, para os primeiros socorros.<br>Diversos mortos em combate foram sepultados no entorno da Venda Grande e depois removidos para outros locais não identificados. Assim, o &#8220;cemitério do combate” passou a ser, com o tempo, mera referência histórica. Mas o respeito popular ainda hoje ocasiona manifestações como o frequente aparecimento de velas e imagens junto a este marco.<br>Após esta vitória das forças do poder central, houve intensa “caça” aos líderes. Tobias de Aguiar foi preso e levado ao Rio de Janeiro. Feijó foi preso em Sorocaba a 21 de julho de 1842 e levado para São Paulo e dali para o Rio de Janeiro e depois para Vitória (Espírito Santo) onde permaneceu preso, tendo falecido pouco mais de um ano depois. Foram ambos anistiados em 1844 pelo Imperador Pedro II.<br>O verdadeiro historiador da Venda Grande, o cronista Amador Bueno Machado Florence, filho de Hércules Florence, inventor da fotografia, que morou em Campinas, relatou minuciosamente os episódios da ação revolucionária de 1842 em Campinas, ressaltando sempre o heroísmo dos participantes.<br>É possível que você tenha às vezes passado indiferente pelo marco construído no canteiro central desta Avenida e nem se tenha dado conta de sua importância. Você o verá, a partir de agora, com respeito e orgulho de seus heróis. Este marco existe exatamente para lembrar e homenagear este fato histórico e seus heroicos protagonistas. Estes sim os verdadeiros heróis que mereciam ter seu nome registrado no Livro dos Heróis da Pátria.<br>A presença de cada um de vocês hoje colabora para realizarmos uma<br>homenagem à altura do merecimento daqueles que lutaram por nossa liberdade e banharam com seu sangue este solo sagrado que agora nos vê reunidos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized is-style-rounded"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-685" style="width:184px;height:276px" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-683x1024.jpg 683w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-200x300.jpg 200w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-768x1152.jpg 768w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-1024x1536.jpg 1024w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-1365x2048.jpg 1365w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/IMG_4435-rotated.jpg 1600w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure>



<p><em><strong>Giovanni Galvão, advogado e empresário, é 1.o secretário da Diretoria Executiva do CCLA.</strong></em></p>



<p></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/06/o-historico-combate-da-venda-grande/">O HISTÓRICO COMBATE DA VENDA GRANDE</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>O Monumento a Campos Salles e a espera pela Revolução de 1932</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/04/o-monumento-a-campos-salles-e-a-espera-pela-revolucao-de-1932/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Apr 2022 14:21:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Núcleos do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></category>
		<category><![CDATA[História de Campos Salles]]></category>
		<category><![CDATA[Manuel Ferraz de Campos Salles]]></category>
		<category><![CDATA[Monumentos de Campinas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Monumento a Campos Salles inaugurado no Largo do Rosário.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Genaro Campoy Scriptore</p>



<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-color"><blockquote><p>O Passado não reconhece o seu lugar:<br>está sempre presente.<br>Mário Quintana</p></blockquote></figure>



<p>Logo depois da morte do ilustre doutor Manuel Ferraz de Campos Salles, no seio da cidade de Campinas nasce um movimento liderado por políticos, pelos seguidores das idéias republicanas e amigos de Campos Salles, com o propósito de marcar a cidade com uma homenagem ao campineiro e segundo Presidente civil deste país.</p>
<p>Na gestão do Prefeito, intendente nomeado, Orosimbo Maia, e por iniciativa de projeto da Câmara Municipal de Campinas era publicado na imprensa edital para a construção do monumento a Campos Salles. O edital, datado de 22 de fevereiro de 1930, vinha assinado pelo secretário da Prefeitura, Amilar Alves.</p>
<p>Não podemos deixar de ressaltar a figura do secretário da Prefeitura, Amilar Alves, homem do cinema, da cultura e que tão bem soube representar o Centro de Ciências, Letras e Artes nas funções que ali exerceu.</p>
<p>Depois de vários adendos e modificações deste edital, se estabelece que os escultores concorrentes deveriam adotar um pseudônimo para sua maquete e enviar a documentação e suas propostas até às 14:00 horas do dia 20 de junho de 1930.</p>
<p>O julgamento para a escolha do escultor vencedor, que iria realizar a construção deste monumento, aconteceu no dia 10 de julho de 1930, conduzido por uma comissão composta dos vereadores Doutor Ernesto Kulmmann e Benedicto Cunha Campos e mais Perseu Leite de Barros, engenheiro civil que ingressara neste mesmo ano no serviço público como chefe de obras e viação. Completavam a comissão o arquiteto Alexandre de Albuquerque e os escultores Amadeu Zani e Marcelino Velez. A comissão reunida no “Salão do Fascio Italiano”, localizado na Rua Barreto Leme, escolheu como vencedora a maquete “Ephiteto”, do escultor Yolando Mallozi, obtendo assim o primeiro lugar; e como segundo lugar a maquete “Semper Ut Quondam”, do escultor Hugo Bertazzan, do Rio de Janeiro, que recebeu o prêmio de 4.000$000 réis. As maquetes ficaram em exposição no “Salão do Fascio Italiano” para que todos pudessem apreciar a decisão apoiada e concorde do prefeito Orosimbo Maia, da comissão e todos os técnicos envolvidos no processo.</p>
<p>Três meses depois deste concurso para a escolha do escultor do monumento acontece a revolução de 1930, no dia 24 de outubro, que impõe a queda do governo de Washington Luís, exatamente vinte e um dias antes do término do período presidencial.</p>
<p>Júlio Prestes de Albuquerque, paulista de Itapetininga, vencera as eleições de março de 1930 e aguardava para ser empossado, mas a deposição de Washington Luís e a instauração da junta governativa, presidida pelo General Tasso Fragoso, provocou uma espera na normalização do ambiente político.</p>
<p>A junta governativa exerceu a presidência até o dia 4 de novembro de 1930, data em que transferiu o governo para Getúlio Vargas, líder da revolução e do golpe. Júlio Prestes de Albuquerque foi impedido pelo governo de Getúlio Vargas de assumir a presidência, passando assim para a história como o único presidente eleito pelo voto popular que não foi empossado. Apresentavam-se mais uma vez, as ideias de Campos Salles, vivas pela luta democrática e de libertação, na qual o povo exerce o papel de senhor de todas as vontades, mas, de forma geral, acaba derrotado pelo despótico poder das armas e dos poderosos. O monumento esperava a homenagem do povo de Campinas.</p>
<p>Entre 1931 e 1932 os paulistas e, principalmente, os campineiros, esperavam de Getúlio Vargas a normalização do ambiente político, a convocação de uma Assembleia Constituinte e a data para a eleição presidencial.</p>
<p>No dia 23 de maio de 1932, em São Paulo, um ato cívico levou milhares de paulistas à Praça do Patriarca, Rua Líbero Badaró, Praça da República, Ladeira de São João, Rua São Bento, Praça da Sé, Viaduto do Chá e rua Conselheiro Crispiniano para seguir em direção ao palácio do governo, onde se encontrava o novo interventor do governo paulista, o senhor Pedro Manuel de Toledo.</p>
<p>O ato cívico reivindicava as eleições presidenciais e notícias da Constituinte. Na praça da República, esquina com Barão de Itapetininga, estabelece-se um conflito entre o povo, a polícia e os membros da Legião Revolucionária. Neste conflito é metralhado o estudante Mario Martins de Almeida, de 31 anos, Euclydes de Miragaia, de 21 anos, com um tiro no peito, Antonio Camargo Andrade por tiros disparados por populares e Dráuzio Marcondes de Sousa, de 14 anos, ferido por um tiro de Legionários. Os restos mortais destes mártires estão hoje sepultados no mausoléu do Obelisco do Ibirapuera.</p>
<p>Para quem passa nas imediações da Rua Guilherme de Almeida, no Cambuí, Campinas, pode notar uma rua curta, de uma quadra, denominada Rua MMDC. Este acrônimo construído pelas letras M de Mario, M de Miragaia, D de Drauzio e C de Camargo se tornou sigla para a organização clandestina que iria conspirar e organizar a Revolução Constitucionalista de 9 de julho de 1932. Depois do conflito tornou-se uma sociedade sem fins lucrativos denominada “Sociedade Veteranos de 1932–MMDC”, hoje com sede no Monumento Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 32, conhecido como Obelisco do Ibirapuera, desde 9 de dezembro de 2014. O núcleo de Campinas funciona e atende na Rua General Osório, 490, nas antigas instalações dos escritórios da Mogiana.</p>
<p>Campinas se posicionou. Daqui saíram soldados para combater tropas <em>“getulistas”</em> infiltradas e estacionadas nas cidades das linhas da Mogiana, da Paulista e no interior do estado de São Paulo. Eram desiguais as forças do governo de Getúlio e as tropas dos Paulistas, dadas as desproporções do material bélico.</p>
<p>Campinas foi bombardeada pelos aviões vermelhos do governo nos dias 18 de setembro e 24 de setembro de 1932.</p>
<p>O jornal o Estado de São Paulo, que apoiava os soldados constitucionalistas, noticia o bombardeio do domingo, dia 18 de setembro:</p>
<p><em> </em><em>“Prossegue com intensidade a luta no sector do Amparo. A situação das tropas constitucionalistas continua a ser, naquele sector, muito boa. Um avião de ditadura voou hoje sobre a cidade de Campinas, jogando uma bomba, no pátio fronteiro à estação da Paulista, matando o menor Aldo Chiorato, de 9 anos de idade, filho de João Chiorato e ferindo gravemente o velho operário italiano Vicente Nome, cujo estado inspira cuidados, e um velho sírio. Também foi ferido, mas sem gravidade o funcionário da Mogiana, Isolino Monteiro. Passageiros de um bonde que na hora trafegava pelo local receberam também alguns ferimentos. Outra bomba foi lançada sobre a estação da Mogiana, sem causar danos e uma terceira caiu sobre uma residência particular da rua Campos Salles, destruindo parte do edifício. Os moradores estavam ausentes, as bombas eram grandes, de peso aproximado de 45 quilos.</em></p>
<p><em>À tarde, a aviação da ditadura voltou a bombardear Campinas, lançando contra aquela cidade cinco bombas. Duas caíram na Cadeia, ferindo vários presos, duas alcançaram o pátio da estação da Paulista, sem causar vítimas e a última estourou na Vila Industrial, que é habitada por operários, ferindo vários deles. Esse bombardeio desumano e sem nenhum objetivo militar, pois não visou lugares onde houvesse concentração de tropas ou fortificações, causou profunda indignação no povo campineiro.”<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><strong>[1]</strong></a></em></p>
<p><em> </em>A repercussão da morte de Aldo Chioratto começou no dia 24 de setembro de 1930, quando Raul Laranjeira, exímio violinista, premiado na Europa e que havia se incorporado ao “Batalhão Diocesano”, sediado no Interior do Estado, se propõe a fazer assim que possível um concerto e reverter a renda para a família da criança de 9 anos.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><em><strong>[2]</strong></em></a></p>
<p>Nas comemorações de 23 de maio de 1966, Dia da Juventude Constitucionalista” e quando das solenidades de transferência dos restos mortais de Aldo para o Obelisco do Ibirapuera, Guilherme de Almeida, de forma emocionada escreveu lindos versos no jornal Estado de São Paulo:</p>
<p><em>Vem de Campinas — a minha Campinas dos jequitibás — o herói criança – Aldo Chioratto –verde vergôntea da árvore velha que vergastada por vendaval manda a mensagem que eu adivinho e que em alguém por mim somente em épica língua é capaz de exprimir, o exprime assim:</em></p>
<p><em>Tu. infante imolado, tenro caule,</em></p>
<p><em>de raríssima arvore cortado,</em></p>
<p><em>Muda plantada que ora aqui floresce.</em></p>
<p><em>Deixando lá, na cicatriz do cerne,</em></p>
<p><em>Promessa de altas florações futuras!”<a href="#_ftn3" name="_ftnref3"><strong>[3]</strong></a></em></p>
<p>No dia 24 de setembro, o correspondente do Diário Nacional narra desta maneira o bombardeio em Campinas:</p>
<p><em>“Hoje, precisamente às 12:25 horas, dois aviões da ditadura, voando por sobre Campinas, não demoraram a dar sinais de que, em cumprimento dos seus monstruosos propósitos, vinham para hostilizar a cidade.</em></p>
<p><em>Para logo, entretanto, sumir das vistas do povo ansioso um dos sinistros mensageiros alados do crime e da irresponsabilidade, atocaiado como feras, numa das mais belas capitais do mundo&#8230;</em></p>
<p><em>Outro, porém, librando-se a uma altura, calculada, de 2.000 metros, aqui ficava a corvejar, ameaçadoramente.</em></p>
<p><em>Tivemos ocasião de observar, aos primeiros bufos dos aeroplanos, as precauções que à população toma a fim de se preservar, o mais possível, aos efeitos do bombardeio aéreo. Estamos na praça Bento Quirino. Ali está a estátua do Carlos Gomes, o gênio da harmonia brasileira, a afrontar impassível, simbólico, a fúria assassinados “azes” ditatoriais. Mas, os transeuntes se recolhem à primeira porta que ainda encontram aberta. Todas as casas com as suas portas e janelas cerradas. Tudo, porém, sem correria, nem gritos, nem inúteis gestos desordenados. Opressos e indignados, os campineiros esperam estoicamente a vil agressão dos ícaros infernais.</em></p>
<p><em>Os céus, pejados de nuvens escuras, como que envolvem numa proteção tenebrosa a ronda dos malditos bombardeadores de mulheres, velhos, crianças e enfermos.</em></p>
<p><em>De repente, o primeiro assovio e o primeiro estrondo: é o traiçoeiro delírio de matar, de destruir, de arrasar! Ao emergir do bojo negro de uma nuvem, lá despejara o aviador inimigo o seu cartão de visita, certamente decorado com os brasões do “Clube 3 de Outubro”&#8230;</em></p>
<p><em>E, as negaças! E as evoluções! E o ir e vir desse pássaro da morte, e seus arrabaldes: cinco dos quais em pleno perímetro urbano, em um raio de 500 metros, pouco mais ou menos, no derredor da estação da Paulista.</em></p>
<p><em>Os petardos atirados fora do perímetro urbano não causaram estragos nenhum. Dos que atingiram as  imediações da gare ferroviária, três vieram explodir à travessa Monte-Mór, na Villa Industrial, duas das quais em meio da rua, razão pela qual não provocaram estragos nem vítimas. A terceira, porém, veio rebentar em cheio no prédio número 74 daquela travessa, aluindo-o quase totalmente.</em></p>
<p><em>Não fora a precaução de seus moradores, que são o senhor Antolin Fernandez, maquinista da Mogiana, e sua mulher, e teríamos a lamentar, sem dúvida, vítimas pessoais. Apesar de encontrar-se no próprio domicílio, o senhor Antolin escapou aos terríveis efeitos da bomba de modo verdadeiramente providencial: metera-se por debaixo de uma mesa, que resistiu à compressão do telhado e paredes desmoronados. Quanto à esposa do maquinista, esta se havia retirado para casa de uma família vizinha à aproximação dos aviões inimigos&#8230;</em></p>
<p><em>Duas outras bombas, explodindo em meio da rua 24 de Maio, também na Vila Industrial, não fizeram vítimas pessoais nem estragos materiais de monta. Eis a obra dos outubristas, a quem o demônio emprestou suas asas!</em></p>
<p><em>Não deixemos de assinalar, ainda, o alcance de mais este fato, determinado pelo desumano bombardeio de Campinas: à hora em que ele se verificou, hoje, a estação da Paulista se achava repleta de famílias inteiras e civis de todas as qualificações sociais, à espera do trem que os conduziria para São Paulo.<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"><strong>[4]</strong></a></em></p>
<p>Oito dias depois deste evento em uma negociação na cidade de Cruzeiro, em 2 de outubro de 1932, aconteceu o final do conflito com o armistício assinado pelo General Pedro de Aurélio Góis Monteiro.</p>
<p>Foi então,  designando um interventor para o estado de São Paulo, o general Valdomiro Castilho de Lima.</p>
<p>Em Campinas, no sábado, dia 18 de agosto de 1934, o prefeito nomeado Perseu Leite de Barros, se prepara para a grande inauguração do monumento a Campos Salles e o interventor nomeado por Getúlio Vargas, o engenheiro Armando de Sales Oliveira, resolve aproveitar-se deste evento para reconciliar mais uma vez a alma campineira e paulista com o governo central do Brasil.</p>
<p>Os jornais anunciaram com bastante antecedência a programação da vinda do interventor para Campinas. Mas o fato é que Campos Salles foi esquecido nesta inauguração, que teve diversos outros campineiros enaltecidos como Fernão Salles, Joaquim Bonifácio do Amaral, além de politicamente o interventor utilizar a inauguração para prestar contas de um ano do seu governo no Estado de São Paulo.</p>
<p>O Interventor Armando de Sales Oliveira anuncia previamente pelos jornais a sua agenda em Campinas:</p>
<ul>
<li>Partida pela manhã da estação da Luz em trem especial.</li>
<li>Chegada a Jundiaí com salva de 21 tiros de morteiro e partida anunciada para Campinas com 1 tiro de morteiro.</li>
<li>Em Jundiaí esperarão o Interventor os senhores, Doutor Horácio Antonio da Costa, Doutor Theodureto de Camargo, Doutor Sylvino de Godoy, Claudio Celestino Soares, Aníbal de Freitas, professor José Villagelin Netto, membros do diretório local do Partido Constitucionalista.</li>
<li>O tenente coronel Tenório de Brito, comandante do 8° Batalhão de Polícia de Campinas, prestará ao Interventor as continências de estilo acompanhado do corpo discente das escolas, casas de ensino e associações.</li>
<li>Às 13:00 horas após a chegada, o Interventor e sua comitiva caminharão até o Largo do Rosário &#8211; Praça Visconde de Indaiatuba, passando pelas ruas 13 de maio, Francisco Glicério, Conceição e Barão de Jaguara.</li>
<li>No largo do Rosário, Armando de Salles Oliveira fará a entrega do monumento a Campos Salles, ocasião em que discursarão Carlos Francisco de Paula pela municipalidade, doutor José Pereira da Cunha pelo Centro de Ciências Letras e Artes e, em nome da família de Campos Salles, o doutor Luiz Pizza Sobrinho.</li>
<li>Três aviões “Corsário” do exército, um de passageiros da Vasp e um planador do Aeroclube de São Paulo voarão sobre a praça atirando flores.</li>
<li>No Centro de Ciências, Letras e Artes estarão expostas as relíquias de Campos Salles pertencentes ao Museu daquela agremiação.</li>
<li>Das 14:40 às 15:40 recepção na Prefeitura Municipal, onde o Interventor será homenageado pelo Presidente do Conselho Municipal, doutor Carlos Stevenson.</li>
<li>Visita à Escola Normal e Escola Profissionalizante Bento Quirino onde farão uso das palavras os professores José Villagelin Netto e José Minervino. Na Escola Profissionalizante Bento Quirino serão inauguradas as oficinas de fundição.</li>
<li>Visita ao Centro de Ciências Letras e Artes onde discursará o professor Nelson Omegna.</li>
<li>Às 20:30 no Teatro Municipal acontecerá um banquete para 500 talheres oferecido pelo Partido Constitucionalista, que reservará ao Doutor Paulo de Castro Pupo Nogueira o discurso de saudação ao Interventor e sua comitiva, assim como será reservado tempo para o discurso do representante do 6º Distrito Eleitoral, Doutor Antenor Candra.</li>
<li>Após o banquete, um grandioso baile será oferecido pela Sociedade Campineira ao Interventor e sua comitiva.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a></li>
</ul>
<p>O monumento a Campos Salles não ficaria no largo do Rosário, compartilhando a praça Visconde de Indaiatuba com o povo de Campinas, por muito tempo. Com a publicação da Lei 1457, de abril de 1956, inicia-se o alargamento da Francisco Glicério, a demolição da Igreja do Rosário e sua reconstrução no bairro do Castelo e um concurso para fazer da praça Visconde de Indaiatuba um centro Cívico, um local oficial para manifestações de civismo aberto à comunidade campineira. Foi eleito o projeto do arquiteto campineiro Renato Righetto, que trazia uma nova e moderna concepção, onde não haveria espaço para o monumento.</p>
<p>O Monumento foi retirado da praça, mutilado, pois perdeu sua base de granito, o que valeu um rebaixo de mais de um metro de altura e acabou sendo transferido para um espaço menor do que o local onde estava assentado. Uma rotatória nas confluências da Rua Onze de Agosto, Avenida dos Expedicionários e Avenida Campos Salles.</p>
<p>A transferência gerou discussão na imprensa e na sociedade campineira e ocasionou até ação judicial em fevereiro de 1960 por parte do escultor Yolando Mallozi, que pediu reparação pela retirada da base do monumento. Processo em que o escultor do monumento teve ganho de causa e mesmo assim o monumento permaneceu no mesmo lugar, contrariando a decisão judicial.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a></p>
<p>A revolução de 1932 terminou, Campinas teve o seu monumento, se aliou ao progresso desmedido das grandes metrópoles e a escultura do personagem Manuel Ferraz de Campos Salles, sentado ao pé da estação, vai dia a dia sendo esquecida e o seu nome desconhecido em sua própria terra.</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a>Jornal O Estado de São Paulo Edição 19287 de 19 de setembro de 1932página 1</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Jornal O Estado de São Paulo Edição 19292 de 24 de setembro de 1932 página 2</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Jornal o Estado de São Paulo Edição 27943 de 24 de maio de 1966 página 2</p>
<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Jornal Diário Nacional Edição 01579 de 25 de setembro de 1932 páginas1 e 3</p>
<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Jornal Correio de São Paulo Edição 00676 de 17 de Agosto de 1934 página 2</p>
<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> De Casaca ao Pé da Estação – História do Monumento a Campos Salles – Dissertação de Mestrado de apresentada por Ana Rita Uhle no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas.</p>



<p class="has-text-align-right">Genaro Campoy Scriptore é Administrador de Empresas e membro do Conselho Fiscal do CCLA</p>



<p class="has-text-align-right"></p>
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		<title>A Casa de César aos cento e vinte anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 20:18:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[César Bierrenbach]]></category>
		<category><![CDATA[História do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Castanho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sérgio Castanho Não, não vou falar aqui do palácio em que vivia o imperador romano...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="has-text-align-right"><strong><em>Sérgio Castanho</em><br></strong></p>



<p class="has-text-align-left">Não, não vou falar aqui do palácio em que vivia o imperador romano Júlio César. Quando me refiro à “casa de César”, é de César Bierrenbach que estou falando e sua casa não é o palácio bimilenar do imperador de todas as Gálias, mas o Centro de Ciências, Letras e Artes, a “Casa de César”, que esse ilustre campineiro fundou ao lado de outros expoentes da cultura de Campinas há cento e vinte anos, que se completam neste domingo 31 de outubro.<br>Pois foi a 31 de outubro de 1901, mal inaugurada a vigésima centúria de nossa época, que se fundava em Campinas o Centro, que no projeto inicial seria “de Ciências”, para apoiar aqui o avanço das ciências naturais. Cabe lembrar que décadas antes se criara na cidade um colégio cujo nome não deixava dúvida quanto à orientação cientificista de seus idealizadores: “Culto à Ciência”. Acresce a isso o fato de sediar Campinas o maior núcleo de pesquisa científica do país, o Instituto Agronômico. Mas o escopo da nova entidade transbordou do culto às ciências da natureza para banhar toda a área das ciências do espírito. Por sugestão do escritor Coelho Neto, membro da Academia Brasileira de Letras, na ocasião radicado nesta cidade por aqui lecionar no Culto à Ciência, então tornado estadual com o nome de Ginásio de Campinas, o novo Centro se dedicaria também às letras e às artes. Surgia assim o Centro de Ciências, Letras e Artes. &nbsp;<br>A primeira presidência da entidade, a cargo de Leôncio de Carvalho, seria logo assumida pelo vice, o intelectual, escritor e cientista José de Campos Novais. Da diretoria fariam parte o notável tribuno César Bierrenbach e o celebrado escritor Coelho Neto. Numa época em que as comunicações eram difíceis, a diretoria do Centro, antenada com o mundo, decidia enviar, no mesmo dia de sua fundação, e por sugestão de Coelho Neto, mensagem de congratulação a Santos Dumont, por ter sobrevoado Paris e contornado a Torre Eiffel apenas doze dias antes. No ano seguinte já se discutia no Centro a obra de Victor Hugo; palestrava-se sobre Graça Aranha, grande incentivador mais tarde da Semana de Arte Moderna de 22, e seu <em>Canaã</em>; Coelho Neto apresentava <em>Os Sertões</em>, de Euclides da Cunha, mal saído da prensa em 1902; o próprio Euclides viria a Campinas em seguida e manteria contato com Campos Novais, além de entabular rica correspondência com Coelho Neto; numa das sessões, a abertura da ópera <em>Lohengrin</em>, de Wagner, foi executada por orquestra regida por Santana Gomes. Campinas vivia, como dizem hoje os madrilenhos de sua agitada vida intelectual, <em>una movida cultural</em>, acelerada pelo Centro.<br>Um dos mais expressivos frutos do CCLA foi sua <strong><em>Revista</em></strong>. O primeiro número saiu já em 1902. Dirigiram-na e nela colaboraram grandes vultos das ciências, das letras e das artes do país, Campos Novais, Coelho Neto, Alberto Faria – a lista completa exigiria uma nova crônica. Em 1976 este cronista dirigiu-a e editou o número comemorativo dos 75 anos do Centro.<br>Quando comecei a frequentar o Centro de Ciências, por volta de 1975, presidia-o Herculano Gouveia Neto, vereador, ministro protestante, não me lembro que mais. Uma curiosidade: havia no térreo da imponente sede da rua Bernardino de Campos uma sala com um equipamento de som e mais de uma cabine individual em que o ouvinte podia escutar a música que escolhesse com fones de ouvido. Foi ali que ouvi pela primeira vez o <em>Boléro </em>(me ensinaram que era para pronunciar “bolerrô”), de Ravel; e foi ali que o amigo Alexandre, o mais tarde celebrado linguista e musicólogo José Alexandre dos Santos Ribeiro, explicou-me que o andamento arrastado e repetitivo da peça reproduzia o arrastar-se de uma caravana no deserto.<br>A biblioteca do Centro, por longo tempo dirigida por Maria Luísa Pinto de Moura, tem o nome de César Bierrenbach e abriga um verdadeiro tesouro bibliográfico. A pinacoteca não fica atrás e ostenta obras notáveis de Lasar Segall, Pedro Alexandrino, Nicotta Ferraz&#8230; Os museus de Campos Sales e de Carlos Gomes guardam preciosidades do presidente e do operista.<br>Ao completar 101 anos, em 2002, o Centro ganhou um livro, <em>CCLA 101</em>, sendo autores o escritor Luiz Carlos Ribeiro Borges e o jornalista Gustavo Osmar Mazzola, tendo como presidente Marino Ziggiatti. A galeria de ex-presidentes tem muitos nomes ilustres, que não me atreveria a arrolar, mas dos quais pelo menos me lembrar posso de Álvaro Cotomacci, meu professor de inglês no curso ginasial, de Rodolpho Bueno, engenheiro calculista, de Dayz Peixoto Fonseca, minha colega de faculdade, e por aqui paro.<br>Hoje o Centro de Ciências, Letras e Artes é presidido pelo tenor Alcides Ladislau Acosta, talentoso e operoso líder cultural da mesma têmpera dos Marinos, tendo como vice Clarissa Mendes Nogueira e como secretário geral o escritor Luiz Carlos Ribeiro Borges. Na próxima quinta-feira 28 haverá às 17 horas a comemoração dos 120 anos na sede do CCLA. Nesse dia, que antecipa o 31 de outubro, irei dar um abraço ao Alcides, apagar uma das cento e vinte velinhas do Centro, assistir à exposição das telas de Fúlvia Gonçalves que estarão ao lado das reproduções de poemas de Mallarmé, traduzidos pelo saudoso amigo e escritor ímpar Joaquim Fontes. Saudade dos rapazes do Centro. Saudade de cada canto onde mora uma saudade, como cantou e chorou Coelho Neto. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Sérgio Castanho</strong>&nbsp;é pesquisador e professor de História da Educação na UNICAMP e titular do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas e da Academia Campinense de Letras (ACL).</p>
</blockquote>



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		<title>A coleção de fotografias do Museu Carlos Gomes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Oct 2021 23:08:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Núcleos do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[Cassia Denise Gonçalves]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografias históricas]]></category>
		<category><![CDATA[Museu Carlos Gomes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cássia Denise Gonçalves Historiadora e arquivista voluntária do Museu Carlos Gomes A criação de um...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Cássia Denise Gonçalves</strong></p>



<p><em>Historiadora e arquivista voluntária do Museu Carlos Gomes</em></p>



<p>A criação de um museu dedicado a <strong>Carlos Gomes</strong> (1836-1896),em 1954, estabeleceu definitivamente um lugar de memória do compositor na cidade de Campinas. É sabido que a iniciativa de reunir e salvaguardar documentos produzidos pelo músico, ou a ele relacionados, remonta aos primórdios do CCLA, quando Cesar Bierrenbach (1872-1907), um de seus fundadores, propõe, em 1904, a formação do <em>Archivo Carlos Gomes</em>. A tipologia dos documentos que compõe o seu acervo é variada. Há peças musicais manuscritas e impressas, instrumentos musicais, artefatos, indumentária, correspondência, fotografias, cartões postais etc.&nbsp;&nbsp;Com relação à coleção de fotografias, esta foi reunida por meio das doações de familiares, historiadores, bibliófilos, musicólogos, musicistas e admiradores do artista. A Revista número oito do CCLA, de 1905, ao relacionar os documentos já existentes para compor a memorabilia de Carlos Gomes, menciona um retrato do músico de 1870, o qual foi oferecido ao <em>Archivo</em> em 1904, pelo então Consul do Brasil na Itália, Lessa Paranhos. Esta é a fotografia mais antiga do conjunto.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img decoding="async" width="192" height="295" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Carlos-Gomes-1-1.jpg" alt="" class="wp-image-589"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>[Carlos Gomes], Milão, 1870, Giuseppe Puppo. Dedicatória: “Feito em Milão em 1870 – nº 1. Para o Archivo de Carlos Gomes oferece o infrascripto Consul do Brasil em Milão 2 de Maio de 1904 Lessa Paranhos”.</strong></figcaption></figure>



<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow"></div>



<p>Há também documentos produzidos por iniciativa do Centro de Ciências, como o registro das comemorações do centenário de nascimento do compositor, as quais mobilizaram Campinas de modo extraordinário, em 1936. Ao buscar a representatividade de Carlos Gomes, foram conferidas características específicas à coleção. Pelo fato de não haver fotografias originais de seus parentes mais próximos, os retratos existentes do pai, Manuel José Gomes, do irmão, José Pedro de Sant’Anna Gomes, da esposa, Adelina Peri, do filho, Carlos André, e alguns do próprio músico, ou são reproduções de originais fotográficos de terceiros; ou reproduções de retratos publicados em livros e revistas, ou, ainda, impressos. Não há fotografias dos amigos mais íntimos.</p>



<p>As lacunas existentes na coleção podem ser compreendidas, em parte, por não se tratar do arquivo pessoal do compositor – este foi desmembrado devido ao tumultuado e trágico final de vida do artista, mas, sim, de um conjunto fragmentário, que carrega uma história contada por diversos atores, a qual, por sua vez, reflete a história do lugar que a forjou.</p>



<p><strong><em>A coleção de Fotografias do Museu Carlos Gomes: </em>o homem &#8211; a obra &#8211; o personagem</strong></p>



<p>A coleção de fotografias do Museu Carlos Gomes possui 517 imagens, entre 1870 e 1994. Considerando a composição do conjunto, Carlos Gomes encontra-se nela representado em três dimensões: o homem, a obra e o personagem. O homem, por meio dos retratos do compositor e de seus familiares; a obra, pelo registro das representações de suas obras e, o personagem, por intermédio da documentação fotográfica gerada em decorrência da sua morte e o uso posterior da sua imagem.</p>



<p><em><strong>O homem</strong></em></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os retratos de Carlos Gomes presentes na coleção caracterizam o artista em distintos momentos da sua vida, sendo que alguns desses, mais que outros, foram publicados em livros, jornais, revistas e cartões postais.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dentre os retratos de familiares encontram-se os de Ítala Gomes, filha do artista; do pai, Maneco Músico, como era conhecido, e dos irmãos, Sant’Anna, Joaquina e Anna Gomes. Classificados juntamente com os da família Gomes estão os retratos de Maria, Eliza, Didier e Mario Monteiro. </p>



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<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="188" height="299" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Carlos-Gomes-02.jpg" alt="" class="wp-image-591" style="width:245px;height:390px"/><figcaption class="wp-element-caption">Carlos Gomes, s.l., [entre 1886 e 1891].</figcaption></figure>



<p></p>
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<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="198" height="297" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Maria-Monteiro-Milao.jpg" alt="" class="wp-image-592" style="width:280px;height:420px"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Maria Monteiro. Milão, [entre 1887 e 1997], Fotog. Commercio E. Abeni.</strong></figcaption></figure>
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<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow"></div>



<p><em><strong>A obra</strong></em></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O conjunto traz o registro de representações de obras do maestro em Campinas e também no exterior. Há fotografias da ópera <em>O Guarani</em> no Teatro Municipal Carlos Gomes, em 1958; no Teatro Municipal José de Castro Mendes, em 1970, por ocasião da sua inauguração e do centenário de estreia da ópera no Teatro alla Scala, em Milão, e, ainda, no Teatro Dramático Real de Estocolmo, na década de 1930. Além desses, há o registro do poema vocal-sinfônico <em>Colombo</em>, apresentado no Castro Mendes, em 1974, e da ópera <em>A noite do castelo</em>, encenada no Teatro do Centro de Convivência Cultural de Campinas Carlos Gomes, em 1977. </p>



<p>Apesar do número reduzido, acham-se também fotografias de cenários, figurinos e retratos de intérpretes da obra do músico, como Guiomar Novaes, Estelinha Epstein, Yara Bernette e Rudolf Firkušný.</p>
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<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="450" height="291" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/O-Guarani-do-Centenario-Campinas.jpg" alt="" class="wp-image-595" style="width:450px;height:291px" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/O-Guarani-do-Centenario-Campinas.jpg 450w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/O-Guarani-do-Centenario-Campinas-300x194.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px" /><figcaption class="wp-element-caption">O Guarani do Centenário, Campinas, 1970, Henrique de Oliveira Jr.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="450" height="313" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Primeiro-ato-de-O-Guarani-em-Estocolmo.jpg" alt="" class="wp-image-596" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Primeiro-ato-de-O-Guarani-em-Estocolmo.jpg 450w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Primeiro-ato-de-O-Guarani-em-Estocolmo-300x209.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px" /><figcaption class="wp-element-caption">Primeiro ato de O Guarani no Teatro Dramático Real, Estocolmo, [193_], Studio Järläs.</figcaption></figure>



<p><em><strong>O personagem</strong></em></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A morte do compositor e os acontecimentos subsequentes originou uma documentação da qual a coleção possui alguns raros exemplares. A começar pelo álbum <em>Exéquias de Carlos Gomes</em>, oferecido ao Centro de Ciências por Augusto Gomes Pinto, em 1912. O álbum é composto por fotografias do cortejo fúnebre; do esquife na então Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição e na capela da Família Ferreira Penteado, onde foi depositado provisoriamente, no Cemitério da Saudade. Destacam-se na documentação os cartões postais das celebrações ocorridas quando da chegada do corpo de Belém do Pará a Campinas, com imagens das corporações musicais, irmandades e associações no cortejo na Rua Barão de Jaguara. </p>



<p>Relacionado ao assunto, figuram ainda as fotografias do compositor no leito de morte e do altar da Igreja Matriz, com o catafalco ornamentado para a Missa de sétimo dia com o retrato do compositor ao centro, esta última oferecida por Cesar Bierrenbach ao <em>Archivo</em>, em 1904.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="296" height="409" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Cortejo-funebre-Campinas.jpg" alt="" class="wp-image-597" style="width:390px;height:539px" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Cortejo-funebre-Campinas.jpg 296w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Cortejo-funebre-Campinas-217x300.jpg 217w" sizes="auto, (max-width: 296px) 100vw, 296px" /><figcaption class="wp-element-caption">Cortejo fúnebre, Campinas, [24 out. 1896]. Em: Álbum Exéquias de Carlos Gomes.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="380" height="241" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Trasladacao-do-corpo-de-Carlos-Gomes-Campinas-24-out-1896.jpg" alt="" class="wp-image-598" style="width:482px;height:306px" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Trasladacao-do-corpo-de-Carlos-Gomes-Campinas-24-out-1896.jpg 380w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Trasladacao-do-corpo-de-Carlos-Gomes-Campinas-24-out-1896-300x190.jpg 300w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Trasladacao-do-corpo-de-Carlos-Gomes-Campinas-24-out-1896-171x108.jpg 171w" sizes="auto, (max-width: 380px) 100vw, 380px" /><figcaption class="wp-element-caption">[Trasladação do corpo de Carlos Gomes, Campinas, 24 out. 1896]. Em primeiro plano a banda da escola do Circolo Italiani Uniti</figcaption></figure>



<p>O Monumento-túmulo a Carlos Gomes enquanto memória eternizada em pedra e bronze também foi motivo de documentação, na qual se encontram raridades, como as fotografias de projetos para a sua construção. O lançamento da pedra fundamental com a presença de Santos Dumont, em 18 de setembro de 1903, bem como a sua inauguração, em 2 de julho de 1905, foram eventos de grande repercussão na cidade, com a participação do povo nas ruas e a presença de autoridades. Ambas as ocasiões encontram-se representadas no conjunto por meio de fotografias e cartões postais. Localizado na Praça Antônio Pompeu de Camargo, o Monumento-túmulo a Carlos Gomes se tornou um marco local, tendo sido alçado a tema de cartões postais de Campinas. Através de suas imagens é possível verificar as mudanças no espaço urbano e das edificações ao seu redor ao longo do tempo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="626" height="393" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Lancamento-da-pedra-fundamental-do-Monumento-Tumulo.jpg" alt="" class="wp-image-600" style="width:596px;height:374px" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Lancamento-da-pedra-fundamental-do-Monumento-Tumulo.jpg 626w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Lancamento-da-pedra-fundamental-do-Monumento-Tumulo-300x188.jpg 300w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Lancamento-da-pedra-fundamental-do-Monumento-Tumulo-171x108.jpg 171w" sizes="auto, (max-width: 626px) 100vw, 626px" /><figcaption class="wp-element-caption">Lançamento da pedra fundamental do Monumento-túmulo a Carlos Gomes, Campinas, 18 set. 1903.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="560" height="459" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Inauguracao-do-Monumento-Tumulo.jpg" alt="" class="wp-image-601" style="width:613px;height:502px" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Inauguracao-do-Monumento-Tumulo.jpg 560w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Inauguracao-do-Monumento-Tumulo-300x246.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 560px) 100vw, 560px" /><figcaption class="wp-element-caption">Inauguração do Monumento-túmulo a Carlos Gomes no momento do discurso de Cesar Bierrenbach, Campinas, 2 jul. 1905.</figcaption></figure>



<p>O centenário de nascimento de Carlos Gomes, em 11 de julho de 1936, foi um acontecimento de grandes proporções em Campinas, com variantes por todo o Brasil. O álbum fotográfico, registro dos festejos, foi organizado de modo a produzir uma narrativa da ocasião. Ele traz imagens da missa campal na Praça Bento Quirino, celebrada pelo bispo de Campinas, Dom Francisco de Campos Barreto; das autoridades presentes; do coro formado por normalistas e alunos na Praça Rui Barbosa – conhecida popularmente como Largo do Teatro –; do desfile dos grupos escolares, das escolas particulares e dos tiros de guerra de Campinas e Limeira; da irmã, Anna Gomes aos pés do monumento-túmulo entre flores e coroas, junto aos integrantes da Ação Integralista Brasileira (AIB) e do chefe desta, Plínio Salgado. Compondo as comemorações do centenário, foi editada uma série com doze cartões postais da qual a coleção possui alguns exemplares. Os cartões apresentam, de um lado, um retrato de Carlos Gomes, e, no verso, dados biográficos do músico ou um histórico de suas obras.</p>



<figure class="wp-block-image size-medium"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="224" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Grupo-de-integralistas-no-Centenario-de-Nascimento-de-CG-300x224.jpg" alt="" class="wp-image-602" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Grupo-de-integralistas-no-Centenario-de-Nascimento-de-CG-300x224.jpg 300w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Grupo-de-integralistas-no-Centenario-de-Nascimento-de-CG.jpg 562w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /><figcaption class="wp-element-caption"><br>Grupo de integralistas no Centenário de nascimento de Carlos Gomes, Campinas, 11 jul. 1936. Ao centro, Anna Gomes, e, à sua esquerda, Plínio Salgado.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="564" height="421" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Desfile-de-grupos-escolares-no-Centenario-de-Nascimento.jpg" alt="" class="wp-image-603" style="width:615px;height:459px" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Desfile-de-grupos-escolares-no-Centenario-de-Nascimento.jpg 564w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/10/Desfile-de-grupos-escolares-no-Centenario-de-Nascimento-300x224.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 564px) 100vw, 564px" /><figcaption class="wp-element-caption">Desfile dos grupos escolares no Centenário de nascimento de Carlos Gomes, Campinas, 11 jul. 1936.</figcaption></figure>



<p>A coleção de fotografias do Museu Carlos Gomes configura o interesse da sociedade campineira na preservação e disseminação da memória do ilustre compositor. Sua maior relevância é trazer elementos que apontam para a importância do papel de Carlos Gomes no contexto sócio-político-cultural da cidade de Campinas, bem como, do Estado de São Paulo e do país, entre as primeiras décadas da Primeira República e o início do Estado Novo.</p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/10/a-colecao-de-fotografias-do-museu-carlos-gomes/">A coleção de fotografias do Museu Carlos Gomes</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Dante Alighieri e o Visconde de Inhomirim</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/03/dante-alighieri-e-o-visconde-de-inhomirim/</link>
					<comments>https://ccla.org.br/2021/03/dante-alighieri-e-o-visconde-de-inhomirim/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Mar 2021 20:17:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[700 Anos de Dante]]></category>
		<category><![CDATA[Dante Alighieri]]></category>
		<category><![CDATA[Divina Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Visconde de Inhomirim]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Francisco de Sales Torres Homem, Visconde de Inhomirim, ilumina nosso intelecto com um estudo literário sobre Dante Alighieri que, nos dias de hoje, poderia ser tema para um tese universitária.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-group alignwide is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow"></div>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="623" height="651" data-id="517" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/03/Visconde-de-Inhomirim.jpg" alt="" class="wp-image-517" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/03/Visconde-de-Inhomirim.jpg 623w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/03/Visconde-de-Inhomirim-287x300.jpg 287w" sizes="auto, (max-width: 623px) 100vw, 623px" /><figcaption class="wp-element-caption">Visconde de Inhomirim</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" data-id="516" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/03/Dante-Alighieri-e1616182836178.jpg" alt="" class="wp-image-516"/></figure>
<figcaption class="blocks-gallery-caption wp-element-caption">O Visconde de Inhomirim e Dante Alighieri</figcaption></figure>



<p>Novamente o acaso, cruzando meu caminho. Durante minhas pesquisas na busca de subsídios para uma obra pessoal, encontro a figura do Visconde de Inhomirim, Francisco de Sales Torres Homem, carioca, escritor, político, formado em medicina e direito, diplomata do segundo império, opositor ferrenho da Regência Una do Padre Diogo Feijó, cujas críticas transbordavam nos jornais da imprensa do segundo império.</p>



<p>Discípulo de Evaristo da Veiga, Torres Homem, formado na Universidade de Paris, Sorbonne, França, dominava o francês, inglês, latim e português com maestria. Filho de um padre de vida desregrada, chamado Apolinário Torres Homem e de Maria Patrícia, mulher negra alforriada, que no Rio de Janeiro, Largo do Rosário, hoje Praça Antonio Prado, exercia a profissão de quitandeira. Nesta região, era conhecida como Maria “Você me mata”.</p>



<p>Francisco Sales Torres Homem, o primeiro negro a defender a causa abolicionista, ilumina o intelecto do leitor do jornal <em>O Despertador: Diário Comercial, Político, Científico e Literário do Rio de Janeiro</em>, por ele dirigido durante os anos de 1838 a 1841, com um estudo literário sobre Dante Alighieri. Esta publicação do dia 6 de dezembro de 1839, edição de número 500, páginas 1 e 2, é de uma extraordinária riqueza de detalhes que nos dias de hoje poderia facilmente ser tema para uma tese universitária.</p>



<p>Conta Torres Homem que, no século 14, a língua e a poesia italiana não existiam ainda e que foi fertilizada pelas obras de três grandes renascentistas: Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Giovanni Bocaccio.</p>



<p>Para Torres Homem, Dante Alighieri é a estrela principal entre os três. Com base na crítica do seu professor do <em>Curso de Literatura Francesa, (Cours de littérature Française</em>), Abel-François Villemain, e por algumas ideias que teria retirado da Biblioteca Acadêmica da Universidade de Paris.</p>



<p>Torres Homem, compara Dante Alighieri a Homero, figuras que prestaram serviços significativos ao idioma de seus países. Dante teria encontrado a língua italiana nas mesmas condições que Homero encontrara o grego popular. Uma língua informe, falada em dialetos que variava de província a província, de vila a vila, o que descaracterizava o idioma pátrio. Para unifica-lo era preciso que aparecesse um escritor que tivesse a habilidade de sujeitá-lo ao seu talento, fazendo brilhar, como um meteoro, a sua poesia e sua escrita, criando um espetáculo literário que iluminasse o mundo todo, assim como fez Homero.</p>



<p>Segundo Torres Homem, Dante Alighieri foi para a Itália, o genial escritor e literato que em uma terra inculta, realizou o primeiro trabalho no qual o idioma se sujeita ao estilo poético, criativo e engenhoso do autor. Adaptou-o a assuntos vários, tornou-o flexível a todas as nuances de sentimentos, buscando nos diversos dialetos falados na península itálica as locuções mais felizes e as palavras mais significativas incorporando-as em sua obra, assim como a abelha que do pólen de várias flores cria o suco dulcíssimo do mel.</p>



<p>Esse poeta dedicou seus primeiros versos a uma bela jovem, chamada Beatriz que, em Florença, viu a morte chegar prematuramente, plantando na mente laboriosa do escritor, sentimentos de um amor ardente e permanente, cheios de sensibilidade doce e terna, carregados do perfume da mais suave melancolia.</p>



<p>Conta-nos o Visconde que certo dia, no ano 1304, visitou Florença o Cardeal bispo de Óstia-Velletrio, Niccollò Albertino, filho do conde de Prato, também chamado como Niccolò da Prato, ou Nikolaus von Prato. Durante esta visita divulgou-se, ao som de trombetas, que aqueles que desejassem receber notícias do outro mundo, do mundo invisível dos mortos, deveriam vir à ponte <em>“Alle Carraia”</em>, a segunda ponte construída sobre o Rio Arno, feita de pedra e madeira e que ligava Florença ao interior da Itália. Na Ponte foi levantado um teatro onde artistas usando máscaras demoníacas, representavam os suplícios do inferno, precipitando-se em chamas, interpretando condenados rangendo dentes e desferindo gritos horríveis sobre a plateia atônita. Em um determinado momento, a Ponte não suportou o peso da multidão e dos artistas e desmoronou. A curiosidade com as coisas do outro mundo, agora, se tornava realidade para as pobres vítimas do evento, vitimadas de forma mortal.</p>



<p>Torres Homem enfatiza que foram muitos os estudiosos de Dante Alighieri que referenciam este evento como a inspiração das primeiras ideias da <em>“Divina Comédia”. </em>O século 14, era um tempo em que a religião tudo influenciava &#8211; superstições, o pecado, o medo e até mesmo a submissão clerical devotada por fiéis católicos – o que abria, de certa forma, um caminho para a poesia e para a música, recheadas de curiosidade sobre a morte e a vida pós-morte. O povo julgava Dante Alighieri um viajante das regiões infernais, e dos meandros do purgatório, colecionador de mapas, itinerários e trilhas geográficas desses lugares desconhecidos.</p>



<p>Em certa ocasião, conta-nos o Visconde, que em uma rua de Verona uma mulher do povo mostrou-o à sua vizinha nestes termos: &#8211; <em>“Vedes aquele homem, que vai ao inferno quando quer, e vem contar o que viu?”. Ao que outra respondeu que “não era difícil reconhecê-lo pela sua barba meio queimada, e pela tez enegrecida pelo fogo e o fumo”.</em></p>



<p>As disputas ocasionadas pelo clero e pelo Sacro Império Romano-Germânico geravam uma época de confusão e depressão e deram a Dante Alighieri uma rica fonte de inspiração, com episódios vários, até mesmo incluindo o próprio autor. Dante relata com paixão e maestria opiniões, costumes, conflitos de paixões e de acontecimentos.</p>



<p>A obra de Dante Alighieri apresenta um itinerário poético de três mundos, marcado por viagens através do Inferno, Purgatório e Paraíso. O viajante desce pelos dez recintos do inferno como se fosse, figurativamente, um cone com sua base circular voltada para cima, cuja ponta coincide com o centro da terra, local onde repousa o corpo de Lúcifer. Depois de passar pelo centro da terra, segue em tropa pelo hemisfério austral, até uma ilha onde se acha o Purgatório, montanha feita em cone truncado, cone com ponta achatada em formato cônico, onde se situa o Paraíso. Esta referida montanha com sete diferentes alturas, ou planos, da base até o cume onde termina o Purgatório e começa o Paraíso. Dante, depois de saudar a morada de nossos primeiros pais, continua sua jornada elevando-se até a morada de Ptolomeu na décima esfera, onde a divindade reside. Dia após dia, Dante nos proporciona um relato fiel do que viu e ouviu no caminho de suas aventuras.</p>



<p>Continua Torres Homem relatando que, no começo do canto do Paraíso, com seus arroubos de entusiasmo e suas frequentes invocações, as musas são carregadas de ingenuidade encantadora. Apavorado com a enorme tarefa que o força a subir o cume dobrado de duas colinas, pede a Apolo que tome conta de sua alma. Que faça cair sobre ele e sua missão os sons provocados pela sua lira que venceu a flauta do fauno Marsias, causador de tão desgraçado desafio musical entre ele e Apolo. A derrota do fauno trouxe como consequência o castigo terrível de ser amarrado a um tronco de árvore e esfolado vivo. O estudo do Visconde menciona que no Poema do inferno são elevados ao mais alto tom o negro e o terrível. Já no Purgatório pode se respirar a melancolia piedosa da penitência resignada, com ar sombrio, como um doce crepúsculo em perspectiva. No canto do Paraíso, a calma, a serenidade, o êxtase, o sublime da religião. Chama a atenção Torres Homem que os críticos são unânimes em afirmar, que a inscrição na porta do Inferno pode ser traduzida como a transcendência do terror:</p>



<p><em>“Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate!”</em></p>



<p><em>(Renunciai a toda esperança, vós que entrais) &#8211; </em><em>Inferno Canto III</em></p>



<p>E ao passar por esta porta infernal, é impossível deixar de se escutar suspiros, soluços profundos, queixumes atrozes que retumbam nos dias e nas noites.</p>



<p>O patético e o terrível são extremamente aplicados no canto em que Dante narra a horrorosa história do conde Ugolino, que perece de fome com seus filhos na torre de Pisa. Com certeza este é um momento na obra que excede a qualquer obra produzida, impossível de ser lida sem o sentimento de piedade e terror, frisa Torres Homem.</p>



<p>E continua sua análise, com bastante propriedade:</p>



<p><em>“Que espetáculo oferecem esses meninos que, em seus sonhos, pedem pão com soluços e gritos dolorosos; e que, depois de acordados, imploram a compaixão de seu pai, também esfaimado, e passam dois dias a olhar uns para os outros com uma dor muda.” </em><em>Inferno Canto XXXIII</em><em></em></p>



<p>O Visconde, em seu estudo, não perde um detalhe e traz em seus comentários que na passagem pelo Inferno Dante mostra seu espírito de sátira, de uma sátira violenta, atroz que, através das palavras enterra sua lâmina envenenada nos mais profundos recônditos da alma do leitor. Seria uma justificativa para tal espírito os infortúnios sofridos por Dante Alighieri? Seria este o gênio natural do poeta, que transitou entre Guelfos e Gibelinos? Guelfos, que se alinhavam ao clero, aos papas e à liberdade das cidades e os Gibelinos, que se alinhavam ao Imperador do Sacro Império Romano-Germânico.</p>



<p>Aqui inicia o Visconde uma análise pessoal de Dante Alighieri. Dante havia sido guelfo à frente da magistratura em Florença. Mas, uma divisão interna entre Guelfos Brancos e Guelfos Negros provocaram disputas e discórdias que não permitiram reconciliações. Depois de ter sido expulso de Florença, Donato Corsi, inimigo mortal de Dante Alighieri, retorna sob a proteção do papa Bonifácio VIII e de Carlos di Valois, filho de Felipe III, da França, este, para servir de pacificador entre Guelfos Brancos e Negros e reprimir as lutas entre as facções. Carlos di Valois, atendendo aos pedidos secretos do pontífice, reprime severamente o partido dos Brancos com uma longa série de exílios, assassinatos, confiscos e incêndios, favorecendo assim o triunfo dos Guelfos Negros. Tal violência acaba envolvendo também Dante Alighieri que, várias vezes, manifestou-se com muita dureza nos órgãos municipais contra a presença de Carlos de Valois em Florença.</p>



<p>Dante Alighieri, da mesma forma, seria expulso de Florença e passaria o resto de sua vida exilado de sua cidade, mas o seu rancor com o clero papal acaba por transforma-lo em um Gibelino, inimigo figadal dos papas.</p>



<p>O Visconde traz à lembrança que, <em>“as feridas no coração do poeta Dante Alighieri gotejavam dor e sangue”</em> e ao escrever sua obra prima durante os doze primeiros anos do seu banimento de Florença, elas se abriam a todo instante. E questiona veementemente, o Visconde, analista literário: <em>“Devemo-nos, pois, admirar de ver o seu ressentimento em versos cheios de força e furor?”</em><em></em></p>



<p>Continua com bastante ênfase, que o tema escolhido por Dante Alighieri o deixava bastante à vontade para saciar a sua própria vingança. Seus inimigos o exilaram de sua pátria, ele também os exilará da pátria celeste e os mergulhará em lagos de fogo no inferno. O alvo se volta sem piedade para coroas reais, mitra episcopal, chapéu de cardeal, tiara sagrada de sumo pontífice. Para Dante, toda a Itália não é aos seus olhos <em>“senão uma morada de dor, um navio sem piloto”</em>, não é mais a rainha do mundo, “<em>mas sim uma vil escrava, um lugar de crápulas e prostituição”:</em></p>



<p><em>Ahi, serva Italia, di dolore ostello,</em></p>



<p><em>(Ai, serva Itália, da dor albergue)</em></p>



<p><em>Nave senza nocchiero in gran tempesta,</em></p>



<p><em>(Navio sem timoneiro, na grande tempestade)</em></p>



<p><em>Non Donna di province, ma bordello.</em></p>



<p><em>(Não mulher da província, mas de bordel)</em></p>



<p><em>Purgatório Canto VI</em></p>



<p>O Visconde de Inhomirim afirma que a audácia de Dante Alighieri cresce à medida que se expõe a maiores perigos, e sobe ao cúmulo quando chega às ordens religiosas, aos papas e seus ministros. Amontoando no inferno papa sobre papa, fez de todos uma coleção perpendicular com a cabeça para baixo e os pés para cima.</p>



<p>Dante Alighieri reserva ao seu perseguidor, o papa Bonifácio VIII, todos os raios possíveis da vingança, descrevendo-o com as tintas mais negras retiradas do fel da amargura encravada nos recônditos da alma.</p>



<p>No inferno de Dante podem-se encontrar as mais variadas punições. Os preguiçosos e indolentes que, nem bem, nem mal fizeram, são condenados a correr incessantemente. Os heréticos estão estendidos em sepulcros ardentes de um vasto cemitério. Os suicidas, encerrados dentro de vegetais, são os hamadríadas; as ninfas dos bosques que na mitologia nasciam encerradas dentro de uma árvore, não reassumirão seus corpos no dia da ressureição, por que não seria justo que lhe restituíssem o que voluntariamente renegaram. <em>(Inferno Canto XIII)</em></p>



<p>Assim narra, o Visconde:</p>



<p><em>“Os blasfemadores estão deitados em supinação sob as chamas que os envolvem! Os fogos de Sodoma caem em chuva sobre seus habitantes, e sobre os que lhes imitaram os costumes perversos. Os sedutores de mulheres são fustigados e cozidos em um lago de fogo, onde os demônios os viram, à semelhança de um cozinheiro experimentado que revolve à carne.” </em><em>(Inferno Canto XXI)</em><em></em></p>



<p><em>Serpentes dilaceram os salteadores e assassinos, e os fazem passar pelas mais singulares metamorfoses. Enfim, um rio gelado é destinado aos traidores da pátria, seus parentes e benfeitores.</em> <em>(Inferno Canto XXXII)</em><em></em></p>



<p>Torres Homem chama a atenção para este canto XXXII, onde Dante, que conhecia como ninguém o som das palavras, busca versos roucos, duros, e receando que a língua italiana não lhe forneça os sons que deseja recorre ao expediente de endurecer o estilo, emprestando do alemão sons como: <em>(1) Danoia in Ostericchi (rio Danúbio na Áustria), (2) Tambernicchi (nome antigo do Monte Tambura, na Toscana), (3) Pietrapana (nome antigo do monte Pania de la Croce, na província de Luca, na Toscana), (4) borda cricchi (Se essas montanhas, tivessem caído no lago de gelo, não teriam craquelado as camadas da borda).</em></p>



<p><em>“Non fece al corso suo sì grosso velo</em></p>



<p><em>(Não fez seu curso tão espesso véu)</em></p>



<p><em>Di verno la Danoia in Ostericchi (1)</em></p>



<p><em>(No inverno o Danúbio na Áustria)</em></p>



<p><em>Nè ’l Tanai tà sotto ’l freddo cielo,</em></p>



<p><em>(Nem o Tanai sob o céu frio)</em></p>



<p><em>Com’ era quivi: che se Tambernicchi (2)</em></p>



<p><em>(Como lá estava: que o Monte Tambura</em></p>



<p><em>Vi fosse su caduto, o Pietrapana (3)</em></p>



<p><em>Lhe tivesse caído sobre o Pietrapana</em></p>



<p><em>Non avria pur dall’orlo fatto cricchi (4)”.</em></p>



<p><em>(Não teria as bordas feito rachar)</em></p>



<p>Conclui Francisco de Sales Torres Homem, o Visconde Inhomirim, dizendo que a grande arte de Dante Alighieri está na maneira como ele combina sons, palavras e imagens. Talento poético que proporciona imagens encantadoras e singelas.</p>



<p>Como exemplo o Visconde toma os versos do Canto XXIII do Paraíso, que descreve a imagem do pássaro vigilante que, durante a escuridão da noite, repousa com seus filhos em um ninho oculto na espessura das folhagens, cuidando das suas crias implumes à espera de um novo dia.</p>



<p>Este canto é uma das imagens de Dante Alighieri mais citadas pelos críticos, no sentido de definir a pureza do amor divino, caridoso, esperançoso e triunfante nos cuidados pelos seus filhos. Impossível não se enternecer com os versos deste canto:</p>



<p>Come l’augello intra l’amate fronde</p>



<p>(Com o pássaro entre amados ramos)</p>



<p>Posato al nido de’ suoi dolci nati,</p>



<p>(Pousado no ninho com seus doces rebentos)</p>



<p>La notte, che le cose ci nasconde,</p>



<p>(A noite, que as coisas nos escondem)</p>



<p>Che per veder gli aspetti desiati.</p>



<p>(Que ao ver os aspectos desejados).</p>



<p>E per trovar lo cibo onde li pasca.</p>



<p>(E encontrar comida para alimentá-los)</p>



<p>In che gravi labori li son grati,</p>



<p>(Em sérios trabalhos lhe são gratos),</p>



<p>Previene ’l tempo in su l’aperta frasca,</p>



<p>(Calcula o tempo em seu ramo saltitante),</p>



<p>E con ardente affetto il Sole aspetta,</p>



<p>(E, com ardente afeto, o sol espera),</p>



<p>Fiso guardando pur che l’alba nasca;</p>



<p>(Vigiando constantemente o nascer da alvorada).</p>



<p>Campinas, 11 de março de 2021.</p>



<p>Genaro Campoy Scriptore</p>



<p>Diretor &#8211; 1.o Tesoureiro do Centro de Ciências, Letras e Artes</p>



<p>(por ocasião dos 700 anos da morte de Dante Alighieri)</p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/03/dante-alighieri-e-o-visconde-de-inhomirim/">Dante Alighieri e o Visconde de Inhomirim</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O Berço da Cultura</title>
		<link>https://ccla.org.br/2019/02/o-berco-da-cultura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Feb 2019 18:29:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[História do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Marino Ziggiatti]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe loading="lazy" title="O BERÇO DA CULTURA DE CAMPINAS" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/eEmIcBm5qRk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>O Centro de Ciências, Letras e Artes atinge este ano os seus 118 anos de fundação. Sem dúvida, uma longa trajetória de mais de um século privilegiando a Cultura em Campinas, nas mais diversificadas áreas. Para este ano, agora elevado a Ponto de Cultura, o CCLA cumprirá uma intensa programação cultural, da Música às Artes Plásticas, incluindo também palestras abordando temas da atualidade, no campo das Ciências e da Saúde, oficinas pedagógicas, e ainda, realizará o XII Concurso Estímulo para Cantores Líricos, revelando jovens valores para a cena lírica nacional, em colaboração com a Secretaria Municipal de Cultura. Esteja atento a tudo que acontecerá nos próximos meses. Colabore com o CCLA tornando-se um associado. Entre em contato conosco pelo e-mail ccla@ccla.org.br</p>
<p>Em 2018, através de cuidadoso trabalho do cineasta, escritor e filósofo Fernando Figueirinhas, e trabalho de câmera do documentarista Flávio Machado Homem, foi realizado o curta &#8220;O Berço da Cultura&#8221;, registrando as atividades de nosso CCLA e oferecendo um passeio por suas dependências, inclusive, pelos Museus Carlos Gomes e Campos Salles. Salientamos a entrevista do eng. Marino Ziggiatti, nesse documentário, onde este recorda aspectos das gestões em que esteve à frente da entidade. O Presidente atual é o jornalista e professor Alcides Ladislau Acosta.</p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2019/02/o-berco-da-cultura/">O Berço da Cultura</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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