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	<title>CCLA na Mídia | CCLA</title>
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	<description>Centro de Ciências, Letras e Artes</description>
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		<title>Francisco Glicério de Cerqueira Leite e o Centro de Ciências Letras e Artes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Aug 2022 16:16:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Glicério]]></category>
		<category><![CDATA[Genaro Campoy Scriptore]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Prefeito Heitor Penteado, relembrou com propriedade a caminhada de Francisco Glicério na construção da República.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-pullquote is-style-default"><blockquote><p><strong>República!&#8230; Voo ousado</strong>                     <strong>  Do homem feito condor!                    Raio de aurora inda oculta</strong>                <strong>Que beija a fronte ao Tabor!</strong>          <strong>Deus! Por que enquanto o monte</strong>   <strong>Bebe a luz desse horizonte,</strong>          <strong>Deixas vagar tanta fronte,</strong>                   <strong>No vale envolto em negror?!&#8230;</strong><br><strong><em>&nbsp;</em></strong><br><em>Trecho da III parte do poema Pedro Ivo</em> <em>Livro Espumas Flutuantes</em>              <em>“Poesias de &nbsp;Castro Alves”</em>            <em>Tipografia de Camillo Lellis Masson</em> <em>Bahia 1870 – páginas 62</em></p></blockquote></figure>
</div>



<p>O vigário João Manoel de Almeida Barbosa, no dia 24 de agosto de 1846, registrou no livro VI, folhas 143, a certidão de batismo de Antônio e, na linha seguinte, a de Francisco, ambos batizados com a sua licença pelo Reverendo Antônio Fernando Nunes. Antônio trazia como padrinho Antônio Benedicto e D. Maria Cândida e Francisco, os padrinhos, Reginaldo Antônio e D. Maria Cândida. Francisco, de seis dias, nascido em 15 de agosto, não era outro senão o filho de Antônio Benedicto de Cerqueira Leite e D. Maria Zelinda da Conceição. Segundo sua certidão de casamento, carregaria o nome de Francisco Glicério de Cerqueira Leite. Seu padrinho de batismo era o compadre de seu pai Reginaldo Antônio de Moraes. Antônio, de 27 dias, nascido em 27 de julho de 1846, não era outro senão o filho de Reginaldo Antônio de Moraes Salles e de D. Antônia Joaquina do Amaral Camargo. Carregando o nome de Antônio Carlos de Moraes Salles, o menino se transformaria em um dos maiores advogados de Campinas. Seu padrinho de batismo era o compadre de seu pai, Antônio Benedicto de Cerqueira Leite.</p>



<p>Como imaginar D. Maria Cândida de Barros, a madrinha dos dois meninos, harmonizando os pensamentos tão diversos e tão diferentes que eram gerados por estes dois personagens. Cento e setenta e seis anos depois sinto-me bastante à vontade para relembrar, com muito orgulho e satisfação esta efeméride que, por sinal, já foi vivida com muita intensidade no ano de 1916, data em que o Centro de Ciências Letras e Artes comemorou o 70º aniversário de nascimento de Francisco Glicério, exatamente quatro meses e três dias após a sua morte, que se deu no Rio de Janeiro em 12 janeiro de 1916. Comentava o Correio Paulistano de 16 de agosto de 1916:</p>



<p><em>“&#8230;Razões de sobra tem o Centro de Ciências Letras e Artes para ficar orgulhoso do êxito de sua comemoração: com ela pagaram Campinas e o Estado de São Paulo uma dívida de honra para com a memória do General Francisco Glycerio, cuja vida, cuja atividade, cujo caráter, cujos altos sentimentos de benemerência e abnegação exigiam uma homenagem condigna, que exaltasse suas virtudes e as apontasse como exemplo a geração atual”</em></p>



<p>Os festejos começaram no dia 15 de agosto, com uma visita pela manhã ao túmulo de Glicério. Uma comitiva partiu do largo da catedral às oito horas da manhã com a banda da Força Pública, sob as ordens do Alferes Salvador Chiarelli e diversas autoridades. Alunos do Liceu de Artes e Ofícios, do Externato São João, alunos da escola do Fundão, alunos do segundo Grupo Escolar, alunos do Ginásio do Estado e diversas outras entidades de ensino, seguiram pelas (atuais) Francisco Glicério, Barreto Leme, Barão de Jaguara, Ferreira Penteado, José Paulino e Avenida do Fundão, hoje conhecida como Avenida da Saudade, até a porta da necrópole, onde a polícia vetou a entrada do grande número de populares.</p>



<p>O túmulo de Francisco Glicério se encontrava completamente coberto de flores naturais, onde o prefeito municipal, Heitor Penteado, pronunciou um discurso em que se dizia guiado pelo Centro de Ciências, Letras e Artes e seus fins altamente nobres para reunir e incentivar o civismo e o patriotismo em nossa cidade. Acrescentava o prefeito que a solenidade teria uma dupla significação, de um lado, a dor pelo desaparecimento do amigo, ilustre, generoso e bom e, por outro lado, a solidariedade do povo com o princípio ideal que, em vida, o eminente campineiro sempre encarnou.</p>



<p>O Prefeito Heitor Penteado, relembrou com propriedade a caminhada de Francisco Glicério na construção da República. Em seguida a banda da Força Pública executou uma peça de seu repertório. Usou também a palavra o aluno do Colégio São Benedito, Araripe Rodrigues que encerrou esta parte da solenidade. Às 20 horas, realizou-se no salão nobre do Centro de Ciências Letras e Artes, a Sessão Magna. Com abertura do presidente, dr. Carlos Stevenson, a palavra foi entregue ao Presidente da Câmara dos Deputados, dr. Antônio Lobo que, em seu discurso, menciona uma carta de próprio punho de Glicério a ele endereçada. A carta era datada de 17 de julho de 1890 e se referia a momentos delicados e tristes da vida de Glicério:</p>



<p><em>“&#8230;Pede ao Deus dos católicos que me auxilie, s</em><em>ó </em><em>vejo em torno de mim o dever de ser forte, a necessidade de ser puro e os perigos da minha situação.</em><em></em></p>



<p><em>Quando parti disse-te que te mandaria 30:000$000 para pagares aqueles três compromissos que envolvem a minha honra e o meu nome, no suposto de que viria receber essa soma de meus irmãos, pela venda do meu quinhão na fazenda de Jaú, pois supunha poder liquidar, pelo menos, 40 contos. Deram-me 20 contos, sendo 12 j</em><em>á</em><em>, e 8 depois! Que pancada levei na cabe</em><em>ç</em><em>a com essa triste nova, deves imaginar. Equilibrei-me, o mais que pude, para não cair fulminado, e não dei sequer a perceber que assim ficava exposto a um desastre moral que me pode ser fatal.</em><em></em></p>



<p><em>Disse ao Jorge que te mandasse os 12 contos, pague com eles, Rafael Sampaio &amp; CO, 8.602$670, pela liquidação de D. Gertrudes de Arruda Camargo e o restante use na reforma da letra endossada pelo Octaviano, no Banco Provincial. Quanto ao saldo das prestações de D. Isabel e Domingos da Costa Neto, serão pagas do seguinte modo: com os 8 contos que pedir</em><em>á</em><em>s ao Jorge e com o produto da venda de minha casa, para o que te mandarei procuração minha e de minha mulher do Rio de Janeiro.</em><em></em></p>



<p><em>Arranja-me isso, pelo amor de Deus, de modo que meu nome seja salvo do naufrágio</em><em>.</em></p>



<p><em>Além </em><em>disso, tenho outras d</em><em>í</em><em>vidas, sendo a que mais me tortura é a de Santos, Irmão &amp; Nogueira, a quem não</em><em> posso e não</em><em> devo prejudicar, sob pena de ser um falso amigo.</em><em></em></p>



<p><em>Calculo </em><em>que os servi</em><em>ç</em><em>os do escritório darão 40 contos, sem incluir Fiorita e Tavolara, mas isso </em><em>é liquidação </em><em>demorada, portanto, tudo depende das tuas diligências, da tua dedicação a mim.</em><em></em></p>



<p><em>Se estes meios falharem, temo que a minha honra ser</em><em>á </em><em>o pasto apetecido dos meus cruéis inimigos e a minha retirada do governo e da pol</em><em>í</em><em>tica, a consequência forçada do desastre. </em><em>Então</em><em> minha visita a Campinas passar</em><em>á </em><em>a ser uma eterna despedida, no seio dos meus companheiros, no teatro das minhas glórias. Bem v</em><em>ê</em><em>s quanto isso </em><em>é horrível, </em><em>menos para mim do que mesmo para a salvação e o ressurgimento de minha terra. </em><em>Não sei o que pensava quando, a custo, desprendi-me de vocês, entretanto, eu nada suspeitava. </em><em>Meus irmãos apresentaram-me um cálculo exato, contra o qual nada tenho que reclamar, mas a questão</em><em> é </em><em>que eu devia </em><em>à </em><em>firma, a parte do capital, que retirei aos poucos, e a sociedade tem passivo considerável. Se pudesse esperar a colheita de 91, então estaria salvo, mas não posso, pelas circunstâncias que exponho.</em><em></em></p>



<p><em>Eis tudo, tudo quanto me acontece, depois que cheguei ao fim da minha jornada pol</em><em>í</em><em>tica. Aqui estou, sem poder me abrir com viva alma. Quis chamar-te, mas verifiquei que eu não poderia conter-me, sem disparar no mais indiscreto desabafo. Esse encontro seria até</em><em> um vexame para mim, </em><em>que preciso manter calma, reflexão e firmeza inabalável.</em><em></em></p>



<p><em>Não devo considerar-me infeliz, porque o culpado fui eu. Sou apenas um patriota sem dinheiro com a responsabilidade do governo e do futuro de S. Paulo. </em><em>Há </em><em>uma coisa que me tortura o coração e a consciência, fiz a República, a custa do dinheiro alheio prejudicando meus credores. Este espinho h</em><em>á </em><em>de levar-me ao t</em><em>ú</em><em>mulo, se eu não&nbsp; puder salvar-me agora, a fim de trabalhar e pagar as minhas d</em><em>í</em><em>vidas.</em><em></em></p>



<p><em>Vê</em><em>s quanto deves fazer por mim. Confio a direção dos meus negócios para você e parto para o Rio, para </em><em>à</em><em>quele inferno, levando a alma em pedaços. Olha: salva-me, e fica desde j</em><em>á </em><em>pago do teu servi</em><em>ç</em><em>o, recebendo este conselho: nunca sejas chefe político. Esta carta come</em><em>ç</em><em>ada ontem </em><em>concluo</em><em> agora, </em><em>à</em><em>s 5 horas da tarde de 18, e daqui a pouco vou ao banquete político</em><em> que me d</em><em>ã</em><em>o. </em><em>E vou mostrar-me risonho, e vou fazer discursos! Adeus.</em><em>Dá</em><em>-me um abra</em><em>ç</em><em>o e que isto me anime. Teu amigo, Glicério”</em><em></em></p>



<p>Este episódio não terminaria assim, pois um amigo comum de Glicério e Antônio Lobo, morador de Santos, diante de uma acusação que chegara ao seu conhecimento, a de que Glicério não saldara uma dívida de quatro contos de réis, imediatamente chama Antônio Lobo que, sem poder mentir e bastante envergonhado, confirma que Glicério não tinha mais atividade profissional o que dificultava sua vida em vários sentidos. &nbsp;O perfeito cavalheiro e leal amigo de Santos, então tomou a seguinte decisão:</p>



<p><em>“&#8230; Pois, eu não desejo que se fale de Glicério; quero que seu nome continue tão limpo e respeitado como é e tem sido até hoje.” </em>Logo no outro dia, este amigo, providencia 36 contos de réis para saldar as contas de Glicério na praça de Campinas, sacados do Banco União de São Paulo, empresa em que era sócio com Bento Quirino e José Paulino Nogueira e proíbe Antônio Lobo, de revelar sua identidade ou a origem dos recursos. O tempo não consegue torná-lo anônimo: Antônio Carlos da Silva Telles, nome que Campinas admira por esta e outas atitudes.</p>



<p>Hoje, diante de tantas dificuldades vividas pelo Centro de Ciências, Letras e Artes que, sem esmorecer insiste em sobreviver, relembramos o nascimento de Francisco Glicério, não com as glórias do passado, dias em que civismo era valorizar nossos heróis, era transferir valores para uma geração, era a identificação com a república libertária, mas com este singelo artigo em tempos amargos, em uma sociedade que ainda não construiu os valores éticos do respeito e tolerância, base do espírito democrático.</p>



<p><strong>Genaro Campoy Scriptore</strong>                                                                                                                        Administrador de Empresas, Curador do Museu Campos Salles, Conselheiro Fiscal do Centro de Ciências Letras e Artes</p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/08/francisco-glicerio-de-cerqueira-leite-e-o-centro-de-ciencias-letras-e-artes/">Francisco Glicério de Cerqueira Leite e o Centro de Ciências Letras e Artes</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>CARLOS FERREIRA, BAUDELAIRIANO</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/06/carlos-ferreira-baudelairiano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jun 2022 20:23:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Baudelaire]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Carlos R Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Poeta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luiz Carlos R. Borges                   Em seu volume dedicado ao “Simbolismo”, dentro da coleção...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Luiz Carlos R. Borges</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/Carlos-Ferreira-edited-1.jpg" alt="" class="wp-image-691" width="497" height="745.5" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/Carlos-Ferreira-edited-1.jpg 337w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/Carlos-Ferreira-edited-1-200x300.jpg 200w" sizes="(max-width: 337px) 100vw, 337px" /></figure>


<h2> </h2>


<p>                         Em seu volume dedicado ao “Simbolismo”, dentro da coleção “Roteiro da Poesia Brasileira” editado em 2006 pela Global Editora, em conjunto com o então Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional, colhe-se a seguinte referência, no texto introdutório assinado por Lauro Junkes: “A partir de 1870 projetou-se crescentemente a influência de Baudelaire na poesia brasileira. O primeiro poeta de influência baudelairiana teria sido Carlos Ferreira, com <em>Alcíones</em> (1872)”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como se sabe, ao longo de todo o século dezenove a literatura francesa exerceu influência predominante no desenvolvimento das letras brasileiras (assim como na de outros países). Na segunda metade do século, a escola parnasiana mereceu entre nós inúmeros adeptos, que a praticaram de forma intensa e persistente, ao ponto de quase se transformar numa escola “oficial”, produzindo ícones como Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. O fenômeno se reproduziu (de forma, é certo, meio marginal) em relação ao simbolismo, como foi denominada a linhagem poética que, a partir de Charles Baudelaire e sua transgressão aos moldes românticos, foi implantada por Verlaine, Rimbaud e Mallarmé.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os grandes destaques do simbolismo, no Brasil, foram, reconhecidamente, Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens. Depois deles, no entanto, eclodiu uma nova e brilhante geração, bem destacada no livro mencionado. Mas o interesse pela nova poesia já havia sido despertado anteriormente junto a poetas sintonizados com o que ocorria no outro lado do Oceano, especialmente através da leitura do livro transgressivo e controvertido de Baudelaire, “As Flores do Mal”, editado em 1857. Entre eles, Carlos Augusto Ferreira.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sua inclusão entre os baudelairianos há de merecer destaque (e por isso suscitou nossa atenção), porque Carlos Ferreira foi, além de ficcionista e poeta, também jornalista, com atuação inclusive e especialmente em Campinas. Nascido no Rio Grande do Sul, a certa altura de sua trajetória, ele trasladou-se para nossa cidade, onde a partir de 1876 passou a militar na “Gazeta de Campinas”, como seu redator (ou como “proprietário e diretor”), jornal que entre seus fundadores, em 1869, contava com a figura exponencial de &nbsp;Francisco Quirino dos Santos. A esse respeito anota Duílio Batisttoni Filho, em sua importante obra “Imprensa e Literatura em Campinas nos seus primórdios”, Ed. Pontes, 2016: “Em 1876 a Gazeta passava a ser editada diariamente com feição mais literária tão a gosto de seu redator-chefe, o poeta Carlos Ferreira (1848-1913), que também trabalhara em jornais de São Paulo” (pág.28).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois de algum tempo, Ferreira mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo também residido em Amparo. É importante mencionar que a biblioteca do CCLA dispõe em seus acervos, na seção “Campiniana”, de um romance seu publicado já em 1890, através da Editora Livro Azul, intitulado “Primeira Culpa (Estudo da Vida Social)” e dedicado a seu amigo Machado de Assis.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao mencionado livro de poesia, “Alcíones”, não consta ter sido reeditado; notícias a respeito podem ser encontradas de maneira indireta, como é o caso do estudo intitulado “Les Fleurs du Mal antes de As Flores do Mal: os Primeiríssimos Baudelairianos”, disponível na internet. Seu autor, Ricardo Meirelles, revela que a tradução do poema “Les Balcons” consta do mencionado livro de 1872, sob o título de “Modulações” e o subtítulo de “Imitação de Baudelaire”. Através das inúmeras fontes pesquisadas pelo autor, destaca-se que na referida tradução / imitação, Ferreira se utilizou, livremente, de termos e expressões mais afeiçoadas à sua formação como poeta vinculado ao romantismo. Como estas: “Saudosa inspiração da lúcida poesia! / Que é da quadra feliz do affecto delirante?”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Teria sido ainda anteriormente à data da publicação do livro (1872) que Ferreira empreendeu sua primeira incursão tradutória. Noutro volume de poesia, “Redivivas”, de 1881, incluiu-se a sua versão do poema intitulado “Moesta et errabunda”, com a anotação de que a tradução teria sido feita em 1871. Nele, ao mesmo tempo em que se queixa do “negro oceano da cidade imunda”, Baudelaire convoca imagens ideais de outras terras, longínquas e paradisíacas, onde “sob um claro azul tudo é amor e alegria”. Segundo Meirelles e os comentaristas por ele consultados, Carlos Ferreira teria identificado seu próprio país e, em particular, o Rio de Janeiro em que durante muito tempo residiu, como esse idealizado “paraíso perfumado, verde e inocente, cheio de prazeres furtivos”. Procedeu, em suma, a uma “aclimatação” da poesia do francês.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fique, portanto, este modesto registro, como sugestão para que outros, mais capacitados, como historiadores, estudiosos da literatura e pesquisadores em geral, possam se interessar pela biografia e obra desse jornalista e poeta que, em sua trajetória, legou marcas indeléveis às letras e ao jornalismo inclusive durante sua estadia em Campinas.</p>



<p><em><strong>Luiz Carlos Ribeiro Borges é membro da Academia Campinense de Letras e secretário geral do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas (CCLA)</strong></em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/06/carlos-ferreira-baudelairiano/">CARLOS FERREIRA, BAUDELAIRIANO</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Com 150 anos de idade, Cesar  Bierrenbach ainda vive</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/04/com-150-anos-de-idade-cesar-bierrenbach-ainda-vive/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Apr 2022 15:46:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[7 de abril]]></category>
		<category><![CDATA[César Bierrenbach]]></category>
		<category><![CDATA[Correio Popular]]></category>
		<category><![CDATA[Efeméride do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Giovanni Galvão]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanni Galvão Somos, em parte, o que realizamos. É por isto que neste 7 de...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Giovanni Galvão</strong></p>



<p>Somos, em parte, o que realizamos. É por isto que neste 7 de abril de 2022, quando se comemoram exatamente 150 anos do nascimento de João Cesar Bueno Bierrenbach (o “nosso” Cesar Bierrenbach) ele continua de alguma forma vivo, porque ainda existentes e produzindo belos efeitos culturais algumas de suas muitas realizações.</p>



<p>Temos muito a comemorar. O CCLA – Centro de Ciências, Letras de Artes (criado como CSLA no tempo em que “ciências” se escrevia “Sciencias”), talvez seja a principal das realizações desse advogado formado na famosa “Faculdade das Arcadas” do Largo de São Francisco, que com apenas 35 anos de idade tirou a própria vida no Rio de Janeiro, devastado e inconsolável por um amor incompreendido por Marie Hortence, 3 anos mais nova que ele, uma das duas filhas do Barão do Rio Branco.</p>



<p>Contava 30 anos e já era reconhecido como um dos mais destacados intelectuais da cidade, quando fundou o CCLA, com a colaboração do escritor e depois acadêmico Coelho Neto (ambos professores no Colégio – Ginásio – Culto à Ciência, de Campinas) e de outros cultos campineiros. Foi ele o primeiro secretário da entidade cultural que criou e que já conta mais de 120 anos de existência, abrigando os Museus Carlos Gomes e Campos Salles, uma pinacoteca e a Biblioteca com aproximadamente 150 mil volumes que leva o nome desse aniversariante. São 1.000 livros para cada um dos períodos anuais que compõem esses 150 anos. Nada mal!</p>



<p>Mas o que a todos realmente encantava era sua capacidade oratória. Era considerado um “tribuno” como à época se definiam os grandes oradores capazes de arrebatar multidões na convergência para alguma causa boa, justa e importante, como se deu quando conseguiu mover pequena multidão contrária à continuação da cobrança de pedágio para pedestres (isto mesmo! por incrível que possa parecer) no Viaduto do Chá (em São Paulo) ou quando conseguiu motivar campineiros para a construção do monumento-túmulo do Compositor e Maestro (também campineiro) Carlos Gomes que foi erigido no centro de Campinas, encimado por uma estátua de corpo inteiro do glorioso homenageado, em posição de maestro.</p>



<p>Foi dele a principal homenagem, como orador, na inauguração, em 1906, daquele monumento-símbolo da gratidão de Campinas a seu inesquecível compositor, em presença de autoridades do nível e importância de Santos Dumont, o “Pai da Aviação”, que compareceu para também prantear o autor da ópera “O Guarani” (que em abril de 1911 inspirou o nome do time de futebol que estava sendo criado).</p>



<p>Abalada pelo precoce e então recentíssimo desaparecimento do tribuno querido e admirado por todos, em março de 1908 a cidade alterou para “Cesar Bierrenbach” o nome da então “Rua do Góis”, situada no centro, que liga a Avenida Anchieta (antiga “Rua do Brejo”) com a Rua Barão de Jaguara (antiga “Rua de Cima”).</p>



<p>Cesar Bierrenbach está ainda presente – e vivo! – nas ruas e nas instituições que ele criou com carinho, devoção e apostolado, mas sobretudo nos corações e mentes dos cidadãos que amam a cidade, sua história e cultura.</p>



<p>No sesquicentenário de seu nascimento, Cesar Bierrenbach é homenageado em artigos que estão sendo escritos e divulgados e com a deposição, às 10:00h do dia 07 de abril (data exata de seu aniversário) de uma coroa de flores no túmulo onde ele, suas irmãs e sua benemérita mãe se encontram, logo à entrada do Cemitério da Saudade e com homenagem às 11:30h em frente a seu busto, posicionado à frente da igreja do Carmo, no centro da cidade.</p>



<p>Se possível, leitor, compareça para engrandecer as merecidas homenagens que a cidade estará prestando ao filho ilustre. Uma data como esta não pode passar em branco. Venha conosco agradecer o grande Cesar Bierrenbach por suas muitas realizações em favor de Campinas, sua segunda maior paixão.</p>



<p><strong>Giovanni Galvão</strong>                                                                                               <strong><em>Diretor 1º Secretário do CCLA</em></strong></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/04/com-150-anos-de-idade-cesar-bierrenbach-ainda-vive/">Com 150 anos de idade, Cesar  Bierrenbach ainda vive</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>CÉSAR BIERRENBACH LITERATO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 22:52:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[150 anos de nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[César Bierrenbach]]></category>
		<category><![CDATA[Sesquicentenário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Através do presente texto vem-se acrescentar modesta contribuição em que se procura destacar a atividade de Bierrenbach como escritor.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Luiz Carlos R. Borges</strong></p>



<p>Em belo artigo publicado no Correio Popular em sua edição de 06 de abril, intitulado “Com 150 anos de idade, Cesar Bierrenbach ainda vive”, nosso companheiro do Centro de Ciências, Letras e Artes, Giovanni Galvão prestou a devida reverência à memória de quem foi não apenas um dos cofundadores da entidade, como também a própria alma da instituição em seus primórdios, em seus tempos heroicos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Através do presente texto vem-se acrescentar modesta contribuição em que se procura destacar a atividade de Bierrenbach como escritor.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tendo falecido em 1907, somente em 1937, através da amorosa compilação feita por suas irmãs Vicentina e Noemia Bierrenbach, foram publicadas em livro as suas “Producções Litterarias” (Livraria Universal/Curitiba), em dois volumes contendo poemas, crônicas e manifestações de cunho político como o célebre “Protesto Latino” (em que defende a doutrina de um Pan-Americanismo de que seriam excluídos os Estados Unidos).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os poemas ocupam o primeiro volume. Sua poesia segue os cânones da então dominante escola parnasiana. Mas em sua obra poética também se podem vislumbrar influxos do Simbolismo, como a &nbsp;prática das aliterações tão caras a Cruz e Souza (“Vozes veladas, veludosas vozes&#8230;”), como estas, extraídas de sua “À aeronave de Dumont” (1906): “Nave sem mastros, nave sem vela / que contra os ventos vos elevais / nuvens são ondas, oh caravela dos Oceanos que navegais!”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Já “O Samba das Sombras”, datado de 1890, se destaca não apenas por ter sido certamente uma das primeiras referências literárias e eruditas à modalidade musical que viria marcar a identidade nacional, mas também por seu próprio enfoque em que, no decorrer da “folia no terreiro” animada por batuques e pelo canto coletivo dos participantes, eis que a certa altura intervêm as sombras do título, “as almas dos mortos, os avós&#8230;”, os ancestrais, enfim, identificados como “Cambinda”, “Cambaio”, “mãe Florinda” e “pai Candongo” – &nbsp;até a que a ilusão esmorece e se desfaz (mas o samba continua até o alvorecer).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nas crônicas, reunidas em ambos os volumes, são evocados eventos e figuras ilustres, locais ou não, como Bilac, Victor Hugo, Maria Monteiro e o legendário flautista Patápio Silva, que, tendo-se apresentado em Campinas, no “Club Campineiro”, é comparado, por sua precocidade, a Mozart&#8230;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Particularmente admirável é a crônica intitulada “As Chrysantemas”. Nesse trabalho, que traz a indicação “Paris – janeiro, 1895”, Bierrenbach reconstrói, com tintas impressionistas, a partir de uma “flor de chrysanthema”, dádiva de uma “encantadora filha do Oriente”, a atmosfera outonal de um apartamento parisiense, recheada de orientalismos tão ao gosto da época, ânforas, vasos de porcelana, lembranças de rosas, “lyrios” e “lilazes”, uma aparição exótica em trajes japoneses, dedos “fugazes a bailarem no ar como um esvoaçar de azas ligeiras”&#8230;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O título nos reporta a um romance do francês Pierre Loti (1850-1923), não por acaso citado no texto. Autor de um belíssimo romance, verdadeira joia literária, intitulado “O Pescador da Islândia”, Loti também escreveu “Madame Chrysantème”, cuja ação se passa no Japão e cuja trama se identifica com aquela percorrida pela grandiosa ópera de Giacomo Puccini, “Madama Butterfly”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais que isso, ouso dizer que, de certo modo, essa crônica de Bierrenbach prefigura&#8230; Marcel Proust (1871-1922). A atmosfera interior que ali se insinua conduz a outra, superlativa, magicamente suscitada pelo romancista francês ao descrever o apartamento, com seu jardim de inverno, de uma das mais fascinantes personagens femininas de “Em Busca do Tempo Perdido”, Odette Swann – &nbsp;inclusive com a presença de crisântemos&#8230; (conforme “A Sombra das Raparigas em Flor”, que veio a lume em 1919, páginas 132 e seguintes da edição brasileira de 1960 da Editora Globo, tradução de Mário Quintana).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seria, certamente, o caso de serem reeditadas as “Producções Litterarias”, de modo que o conhecimento e estudo da obra não se limitem aos frequentadores da Biblioteca do CCLA – que com inteira justiça leva o nome de Cesar Bierrenbach.</p>



<p class="has-text-align-right"><em><strong>Luiz Carlos R. Borges é membro da Academia Campinense de Letras e secretário geral do Centro de Ciências, Letras e Artes</strong></em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/04/cesar-bierrenbach-literato/">CÉSAR BIERRENBACH LITERATO</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Pedro Kilkerry no CCLA</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/03/pedro-kilkerry-no-ccla/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Mar 2022 23:11:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Denise Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[Homenagem a Kilkerry]]></category>
		<category><![CDATA[Kilkerry]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento Modernista]]></category>
		<category><![CDATA[Revista do CCLA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A poesia do baiano Pedro Kilkerry deslumbrou a compositora Denise Garcia, ainda em seus anos de aprendizado e, já no curso de sua atividade criadora, sempre figurou em seus projetos musicais tecer uma homenagem ao poeta, o que viria a aflorar naquela composição executada em concerto da OSMC nos dias 11 e 12 de março de 2022, no Castro Mendes, sob a regência de Cláudia Feres.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Luiz Carlos R. Borges</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Oportuníssima a matéria publicada no Correio Popular, Caderno Cultura, em sua edição de 16 de março, sob o título de “A Contemporaneidade da Música Clássica” e assinada por Aline Guevara. A matéria focaliza a composição de Denise Garcia, “Homenagem a Kilkerry”, incluída dias antes (11) no concerto presencial da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. E é gratificante verificar que uma obra literária tenha sido motivo para a composição de uma peça musical erudita, como é o caso. A poesia do baiano Pedro Kilkerry, como esclarece a notícia, deslumbrou a compositora ainda em seus anos de aprendizado e, já no curso de sua atividade criadora, sempre figurou em seus projetos musicais tecer uma homenagem ao poeta, o que viria a aflorar naquela composição executada no concerto.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como ainda informa a autora do texto, Kilkerry, morto precocemente (1885-1917), não chegou a publicar nenhum livro em vida, e sua obra esparsa só viria a ser redescoberta por críticos vanguardistas já na segunda metade do século passado.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Coube efetivamente aos escritores vinculados à Poesia Concreta a tarefa de promover essa redescoberta, especialmente Augusto de Campos, que já na década de 1960 vinha publicando artigos na imprensa a respeito da obra de Kilkerry; posteriormente seus estudos e pesquisas foram reunidos em livro, “ReVisão de Kilkerry”, cuja segunda edição, revista e ampliada, veio a lume em 1985, através da Editora Brasiliense, contendo toda a obra do poeta que se conseguiu recolher e ainda fotos, reproduções de manuscritos e de fac-símiles de poemas divulgados pela imprensa. Dele, entre outras observações, disse Augusto de Campos: “pelo muito que deixou (non multa sed multum), merece ser considerado, como Sousândrade, um precursor da revolução literária que se iria desencadear, em sua plenitude, com o Movimento Modernista”. Lembre-se: Joaquim de Sousa Andrade, que adotou o nome literário de Sousândrade, foi poeta maranhense do século dezenove, igualmente dotado, em pleno período romântico de nossa literatura, de linguagem original e inovadora.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo após a morte de Kilkerry, como ainda informa Augusto, amigos e companheiros seus de Salvador, como Jackson de Figueiredo e Carlos Chiacchio, cuidaram de preservar o seu legado, em trabalhos como “Humilhados e Luminosos”, de autoria do primeiro e datado de 1921.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aqui entra o Centro de Ciências, Letras e Artes, que já no ano de 1920, através de sua Revista, chamava a atenção para a figura e a obra de Pedro Kilkerry.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não é de surpreender. A Revista do CCLA, que se começou a publicar em 1902, ou seja no ano seguinte à fundação da entidade, e que recentemente alcançou o seu exemplar de nº 72, desde os seus primórdios se notabilizou por repercutir, como autêntico repositório, as ideias e as tendências que marcaram esse período de mais de cem anos, seja no plano cultural, seja no científico, no histórico, no artístico – contribuindo, em especial, para a articulação de causas civilizatórias, como foi o seu posicionamento em prol dos povos indígenas e contra a devastação das matas.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não foi diferente na área literária. Quanto ao episódio Pedro Kilkerry, isso ocorreu no período em que o jornalista Alberto Faria atuou como Diretor da Revista (também assumiu a presidência da entidade no biênio 1917-1918). Entre 1915 e 1920, a revista acolheu inúmeras colaborações advindas de escritores de São Paulo e, sobretudo, do Rio de Janeiro, inclusive de participantes de suas Academias literárias (o próprio Faria viria a ser eleito para a ABL). Nomes como os de João Ribeiro, Olavo Bilac e Alberto de Oliveira começaram a frequentar suas páginas. E, entre eles, aquele mesmo Jackson de Figueiredo, através de artigo em que reverenciou a memória do amigo. Extrai-se, a respeito, o que foi por nós escrito no livro comemorativo dos 101 anos de fundação do CCLA:</p>



<p>“Aquela vocação do Centro para a abertura de veredas voltaria a se manifestar em 1920, quando abre as páginas de sua Revista para um trabalho de Jackson de Figueiredo em torno de um obscuro poeta baiano, Pedro Kilkerry, falecido poucos anos antes (1917) e cultor de uma vertente simbolista ainda mais à margem do próprio simbolismo, o qual só muitas décadas depois seria revisto e devidamente valorizado, por versos como estes:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Agora sabes que sou verme.</strong></p><p><strong>Agora, sei da tua luz.</strong></p><p><strong>Se não notei minha epiderme&#8230;</strong></p><p><strong>É, nunca estrela eu te supus.</strong></p><p><strong>Mas, se cantar pudesse um verme,</strong></p><p><strong>Eu cantaria a tua luz!</strong>”.</p></blockquote>



<p>                                   O belo e instigante repertório musical de Denise Garcia se encontra disponível na internet (YouTube), inclusive a “Homenagem a Kilkerry”, gravada em áudio pela mesma OSMC enquanto ainda regida pelo maestro Victor Hugo Toro. Nessa peça a artista consegue captar o equivalente sonoro a um poema, sem título, que se inicia com o verso “a esses sons longínquos estremeço” e termina com estes: “&#8230; caem lentamente / quentes e rubras gotas, uma a uma / no mar, sobre uma velha casa submarina”. Não por acaso, o maestro Toro, em sua introdução, destaca que a parte final da peça contém uma citação da composição de Debussy, “A Catedral Submersa”.</p>



<p><strong>Luiz Carlos R. Borges é membro da Academia Campinense de Letras e secretário geral do CCLA</strong></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/03/pedro-kilkerry-no-ccla/">Pedro Kilkerry no CCLA</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Uma discreta senhora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Jan 2022 18:58:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[120 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Efeméride do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Luiza Pinto de Moura]]></category>
		<category><![CDATA[Mazzola]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gustavo Mazzola Subi as escadarias de mármore de dois lances, cheguei a um amplo salão...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Gustavo Mazzola</p>



<p>Subi as escadarias de mármore de dois lances, cheguei a um amplo salão decorado com mobiliário discreto e clássico: poltronas estofadas, anteparos de vidro para mostras de arte, belos quadros nas paredes. Ao fundo, uma grande mesa de madeira entalhada, cadeiras de espaldar alto. À esquerda, a Secretaria e a entrada para um Auditório. Eu estava no Centro de Ciências, Letras e Artes, entidade cultural de Campinas que, em outubro, chega aos seus 120 anos. Um momento de homenagens, marcantes comemorações.</p>



<p>Mas o meu destino era outro: queria caminhar até à sua Biblioteca e, para isso, deveria subir mais dois lances de escada. Quando cheguei, surpreendi-me com a presença solitária de uma senhora de ares discretos, gestos comedidos, seriedade que denunciava um ar de requintada e fina cultura.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p>&#8211; Maria Luíza! Que surpresa vê-la aqui no Centro!</p>



<p>Era Maria Luíza Pinto de Moura, que por mais de 50 anos orientou tudo na Biblioteca, e que já havia nos deixado anos atrás. Uma figura emblemática na história da entidade.</p>



<p>&#8211; Olá! Sabe, com o Centro agora nos 120 anos, resolvi dar uma passadinha por aqui, hoje. Queria ver como andam as coisas na Biblioteca. Posso lhe dizer que estou satisfeitíssima: o pessoal que continua o meu trabalho é ótimo, organizado. Está tudo muito bem, mesmo. Mas, e você? Veio para alguma atividade, reunião?</p>



<p>&#8211; Não. Tudo no Centro tem acontecido virtualmente, embora com muita atividade e animação. O Alcides, Alcides Ladislau Acosta é o atual presidente &#8211; a senhora está a par, não? Pois, ele continua empreendedor, brindando-nos com eventos, informações, realizações artísticas, tudo via digital. E a gente participa com muito entusiasmo. Existe até um canal na Internet para postagem de notícias e principais eventos. Mas, Maria Luiza, acredito que essa situação é por pouco tempo: logo, logo, voltaremos a todas as atividades presenciais como de costume. Até que enfim!</p>



<p>Orientado pela experiente Bibliotecária tão prestigiada em anos a fio, meio que aturdido, sem compreender bem o que estava acontecendo, fui aos arquivos à disposição: buscava informações para um texto que preparava sobre esse mais de um centenário, comemorado em outubro.</p>



<p>Bem, colhi muita coisa, dados, gente famosa que fez sua história. Lá mesmo, acabei resumindo tudo em poucas linhas, embora tivesse ainda muito a escrever: se acrescentasse mais, não caberia aqui o que gostaria de registrar.</p>



<p>Com esse relato que lhe passo, leitor, espero definir bem o que representa o Centro de Ciências dentro da cultura campineira e, mesmo, do país.</p>



<p>1901. Começa a história do Centro de Ciências, Letras e Artes.</p>



<p>Tudo teve início com a ideia de César Bierrenbach e de intelectuais motivados pela filosofia positivista, com apoio de cientistas do Instituto Agronômico e mestres do colégio Culto à Ciência. Inicialmente, pensavam formar um grêmio de estudos científicos, projeto que logo evoluiu para uma aventura muito maior, a criação do Centro de Ciências, Letras e Artes, associação privada instituída em histórica Assembleia Geral no Clube Campineiro. 99 fundadores aprovaram os estatutos da nova sociedade.</p>



<p>Ao longo dos anos, a entidade, que trazia entre seus princípios fundamentais o desenvolvimento da cultura, através das ciências, das letras e das artes, prosperou, marcando pontos na história cultural da cidade. Um ano depois de sua fundação, já tinha uma sede, o pavimento superior de um prédio na Barão de Jaguara, cedido pela mãe de Cesar Bierrenbach, e, mais cinco anos, inaugurava outra na esquina da Francisco Glicério com a Conceição.</p>



<p>Aí chegamos à década de 50. Já instalado na Rua Bernardino de Campos, o Centro de Ciências passou a viver um período de renovação: a partir do presidente João de Souza Coelho, integram-se novos nomes à entidade, como Roberto Pinto de Moura, Marino Ziggiatti (veio para implantar um cineclube e não saiu mais dali), Rodolfo Bueno, Francisco Isolino de Siqueira, Bráulio Mendes Nogueira, José Roberto do Amaral Lapa, José Alexandre dos Santos Ribeiro e Alberto Amêndola Heinzl. Formavam o “Movimento Renovador”.</p>



<p>Desse momento em diante, movido pelas novas concepções e conceitos culturais que animavam aquela geração, o Centro transformou-se, despertando o interesse da comunidade.</p>



<p>Terminado o meu trabalho, desci as escadarias, saída para a Bernardino de Campos, 989. Mas, antes de chegar à rua, dei uma olhada para trás: sentia que era observado discretamente. Ainda incrédulo, vi, ao pé da escada, Maria Luíza. Junto a ela, para o meu assombro, estavam também duas outras figuras já não mais conosco, sempre lembradas no Centro: Norma Piazon, antiga responsável pela Secretaria, e Fuad Cury, encarregado dos serviços gerais, ambos muito queridos colaboradores na sede social da entidade. Todos me acenavam, sorrindo. Senti, emocionado, que me davam um último Adeus!</p>



<p class="has-normal-font-size"><em>*Gustavo Mazzola é jornalista e membro da Academia Campinense de Letras</em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/01/uma-discreta-senhora/">Uma discreta senhora</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Evento no Centro marca os 125 anos da morte de Carlos Gomes</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/11/evento-no-centro-marca-os-125-anos-da-morte-de-carlos-gomes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Nov 2021 19:38:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[Homenagem]]></category>
		<category><![CDATA[Hora Campinas]]></category>
		<category><![CDATA[Monumento Túmulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;Por&#160;Francisco Lima Neto, 16 de setembro de 2021&#160;em&#160;Cidade e Região.&#160;A homenagem reuniu cerca de 30...</p>
<p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/11/evento-no-centro-marca-os-125-anos-da-morte-de-carlos-gomes/">Evento no Centro marca os 125 anos da morte de Carlos Gomes</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="750" height="375" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/11/Homenagem-Monumento-Carlos-Gomes-16-09-2021.jpeg" alt="" class="wp-image-621" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/11/Homenagem-Monumento-Carlos-Gomes-16-09-2021.jpeg 750w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/11/Homenagem-Monumento-Carlos-Gomes-16-09-2021-300x150.jpeg 300w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></figure>



<h6 class="has-text-align-center wp-block-heading"><img decoding="async" srcset="https://secure.gravatar.com/avatar/6a3205e1edf7d35117714347e2912b4c?s=160&amp;d=mm&amp;r=g 2x" height="80" width="80" alt="Francisco Lima Neto" src="https://secure.gravatar.com/avatar/6a3205e1edf7d35117714347e2912b4c?s=80&amp;d=mm&amp;r=g">&nbsp;Por&nbsp;<a href="https://horacampinas.com.br/author/francisco/">Francisco Lima Neto</a><a href="https://horacampinas.com.br/evento-no-centro-marca-os-125-anos-da-morte-de-carlos-gomes/">, 16 de setembro de 2021</a>&nbsp;em&nbsp;<a href="https://horacampinas.com.br/categoria/cidade-e-regiao/">Cidade e Região</a>.&nbsp;<a href="https://horacampinas.com.br/wp-content/uploads/2021/09/WhatsApp-Image-2021-09-16-at-20.24.14-1.jpeg">A homenagem reuniu cerca de 30 pessoas na Praça Bento Quirino. Foto: Divulgação</a></h6>



<p>Um evento no monumento-túmulo de Carlos Gomes, na Praça Bento Quirino, em Campinas, na tarde desta quinta-feira (16), marcou a data em que morreu o maestro, 125 anos atrás. Mas a data não é de tristeza e sim de celebrar a obra internacionalmente reconhecida e a vida desse renomado campineiro que ganhou o mundo. Cerca de 30 pessoas compareceram à celebração, depositaram coroas de flores, fizeram fotos no monumento, e assistiram à cantora lírica Marina Gabetta, que cantou a ópera “Quem Sabe”.</p>



<p>O evento faz parte da programação do Mês Carlos Gomes, que foi instituído por lei, em 2014. Todos os anos são programas apresentações, concertos, recitais, entre outros, mas por conta da pandemia do novo coronavírus, a comemoração precisou ser reduzida. Participaram da celebração, representantes de diversas entidades, como do Rotary Carlos Gomes, do Rotary Cambuí, do Conservatório Carlos Gomes, e a Academia das Forças Armadas.</p>



<p>Quem conduziu o evento foi o presidente do Centro de Ciências Letras e Artes (CCLA) e da Associação Brasileira Carlos Gomes de Artistas Líricos (Abal), Alcides Acosta.</p>



<p>“Campinas todos os anos se reúne para prestar uma singela homenagem a ele. Estamos aqui para falar algumas palavras a respeito da vida e da obra dele. Ele foi para o Rio de Janeiro, depois para a Itália e lá ganhou reconhecimento. Estreou quatro de suas óperas no mais renomado palco de óperas, no Scala de Milão. Ele levou o nome de Campinas para o mundo”, afirmou Alcides Acosta.</p>



<p>De acordo com Alexandra Caprioli, Secretária de Cultura, é papel de todos manter a memória de Carlos Gomes viva. “É nosso papel e todas essas entidades fazem isso como uma missão, que é manter viva a memória, e hoje em especial, fazer essa homenagem”, disse.</p>



<p><strong>Maestro</strong></p>



<p>Antonio Carlos Gomes nasceu em Campinas, em 1836. Estudou música com o pai, depois no Conservatório do Rio de Janeiro, até que ganhou bolsa de estudos em Milão, na Itália. O Guarani, sua ópera mais famosa, estreou no Teatro Scala de Milão, que o projetou em toda a Europa. Era considerado um gênio musical. Voltou ao Brasil e foi morar em Belém, para ser diretor do Conservatório de Música. Lá morreu, em 16 de setembro de 1896.</p>



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		<title>O CCLA abre exposição para celebrar seus 120 anos</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/11/o-ccla-abre-exposicao-para-celebrar-seus-120-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Nov 2021 19:17:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao completar seus 120 anos de história, o Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA)...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure class="wp-block-image size-large is-style-rounded"><img decoding="async" width="800" height="600" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/11/1_mallarme.jpg" alt="Stéphane Mallarmé" class="wp-image-618" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/11/1_mallarme.jpg 800w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/11/1_mallarme-300x225.jpg 300w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/11/1_mallarme-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption>Stéphane Mallarmé</figcaption></figure>



<p>Ao completar seus 120 anos de história, o Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) de Campinas abriu a exposição <strong>Mallarmé &#8211; A transfiguração das Palavras </strong>da artista Fulvia Gonçalves. Ela ficará aberta para visitação gratuita até o final de dezembro, mas ainda em horários dias e horários restritos. Em função da pandemia, o expediente do Centro está restrito a três dias por semana (terças, quartas e quintas-feiras, das 9h30 às 16h30h). A instituição preserva de maneira admirável a memória e os acervos da cidade.</p>



<p>O presidente Alcides Ladislau Acosta explica que os eventos artísticos presenciais estão sendo retomados progressivamente. &#8220;Em novembro e dezembro devem ser oferecidos um recital da ABAL (Associação Brasileira de Artistas Líricos) em cada mês e, em 2022, a tendência é a retorno normal das apresentações musicais em periodicidade quinzenal. O auditório, com 200 lugares, sedia esses eventos e guarda histórias. Parte das cadeiras pertenciam ao Teatro Municipal Carlos Gomes, demolido em 1966. No palco, um piano de cauda aguarda a retomada dos recitais.</p>



<p>&#8220;No início deste século 21, o CCLA continua o seu empenho de valorizar diversas linguagens artísticas e promover reflexões permanentes em vários segmentos&#8221;, afirma Alcides. A entidade acaba de criar o Departamento de Ecologia para promover debates sobre os desafios ambientais. Outro movimento para renovação é trazer jovens que ajudem na busca por temas vinculados à sustentabilidade, desafios da tecnologia e modernidade.</p>



<p>A sede fica no imóvel de três andares, estilo Art Decó, na esquina da Avenida Francisco Glicério com a Rua Bernardino de Campos. Inaugurado em 1942, o prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico pela importância histórica, cultural e arquitetônica.</p>



<p>É nesse espaço que estão a biblioteca de 150 mil volumes (sendo 800 raros), uma Pinacoteca com 180 obras e dois Museus, um dedicado ao Maestro Carlos Gomes e outro ao ex-presidente Campos Sales.</p>



<p>A entidade cultural particular e sem fins lucrativos foi fundada em 31 de outubro de 1901, quando Campinas tinha cerca de 70 mil habitantes. Sua história foi iniciada por um grupo de cientistas, médicos e professores, além de jornalistas e intelectuais que queriam um local onde pudessem debater questões científicas e artísticas. Teve início com a ideia de César Bierrenbach e apoio de cientistas do Instituto Agronômico e professores do Colégio Estadual Culto à Ciência.</p>



<p><strong>Entre histórias e raridades</strong></p>



<p>As largas escadas de mármore logo na entrada do Centro dão acesso ao saguão onde fica a Galeria de Artes, com vitrines de vidro para objetos históricos. É nesse espaço que está a exposição da artista Fúlvia Gonçalves, com quadros inspirados em textos do poeta Stéphane Mallarmé (na tradução de Joaquim Brasil Fontes). No último dia 28 foi inaugurado o retrato do ex-presidente Marino Ziggiatti, hoje com 96 anos de idade, pintado a óleo pelo artista plástico Arthur Blade. Logo acima da galeria um painel indica a cronologia da carreira política de Campos Sales, campineiro que foi vereador, deputado, governador da província de São Paulo e presidente da República (1898/1902).</p>



<p>A Biblioteca foi fundada em 1901 e guarda, até hoje, um dos mais importantes acervos do País, com mais de 150 mil títulos, entre eles obras raras que datam desde 1600, coleções de revistas e jornais de Campinas dos séculos 18, 19 e 20, além de outras preciosidades que são fonte de pesquisa para universidades. O atendimento na biblioteca é somente de consultas para pesquisa, teses, leitura no local, mas esse ano ainda permanece restrito. A Pinacoteca tem um acervo composto por 180 obras e pode ser considerada a mais expressiva coleção de obras de arte de Campinas. São telas assinadas por Benecdito Calixto, Almeida Júnior, Lasar Segall, Bruno Giorgi, Fernando Piendereck e Salvador Caruso, entre outros. Há também pinturas, desenhos, gravuras ou esculturas de artistas de Vanguarda e da Arte Contemporânea. Oficializado em 1956, o Museu Carlos Gomes guarda o arquivo musical do compositor campineiro, com aproximadamente 3 mil obras, entre coleções de manuscritos e impressos, libretos de óperas, partituras originais, fotos da época e documentos, além de seu piano, harpa e baquetas. Junto estão as coleções particulares de seu pai, José Manuel Gomes (o Maneco Músico), e de seu irmão e músico, José Pedro de Sant´Anna Gomes.</p>



<p>Manuel Ferraz de Campos Sales foi o segundo presidente civil da República (1898-1902) e deixou um legado de fotos, objetos pessoais, livros publicados, bustos, jornais e revistas da época.</p>



<p><strong>Acessibilidade e segurança</strong></p>



<p>O cancelamento dos eventos culturais e visitas, por conta da pandemia, acabou favorecendo a realização de melhorias na estrutura física. Uma delas é a instalação de um elevador para permitir melhor acessibilidade aos três andares do prédio. Embora com uma invejável infraestrutura, o imóvel projetado por Lix da Cunha em 1941 em área de 1.060 m² não foi planejado para ter elevador (na época essa exigência era apenas para prédios acima de três andares). A previsão é que em março ele já esteja funcionando. Outra novidade em andamento é a instalação de um completo sistema de combate a incêndio. Essa preocupação sempre existiu, mas faltavam recursos, explica o presidente. Com a recente venda de um imóvel, a instituição conseguiu recursos para esses investimentos.</p>



<p><strong>ANOTE</strong></p>



<p>Sede do&nbsp;Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas: Rua Bernardino de Campos &#8211; 989</p>



<p>Funcionamento: terças, quartas e quintas-feiras, das 9h30 às 16h30h</p>



<p>Telefones: (19) 3231-2567 | 3232-7119</p>



<p>Entrada gratuita</p>



<p>Escrito por:</p>



<p><strong>Cibele Vieira / Caderno C</strong> / <strong><em>Correio Popular &#8211; 28-10-2021</em></strong></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/11/o-ccla-abre-exposicao-para-celebrar-seus-120-anos/">O CCLA abre exposição para celebrar seus 120 anos</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>A Casa de César aos cento e vinte anos</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/10/a-casa-de-cesar-aos-cento-e-vinte-anos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 20:18:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[César Bierrenbach]]></category>
		<category><![CDATA[História do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Castanho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sérgio Castanho Não, não vou falar aqui do palácio em que vivia o imperador romano...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="has-text-align-right"><strong><em>Sérgio Castanho</em><br></strong></p>



<p class="has-text-align-left">Não, não vou falar aqui do palácio em que vivia o imperador romano Júlio César. Quando me refiro à “casa de César”, é de César Bierrenbach que estou falando e sua casa não é o palácio bimilenar do imperador de todas as Gálias, mas o Centro de Ciências, Letras e Artes, a “Casa de César”, que esse ilustre campineiro fundou ao lado de outros expoentes da cultura de Campinas há cento e vinte anos, que se completam neste domingo 31 de outubro.<br>Pois foi a 31 de outubro de 1901, mal inaugurada a vigésima centúria de nossa época, que se fundava em Campinas o Centro, que no projeto inicial seria “de Ciências”, para apoiar aqui o avanço das ciências naturais. Cabe lembrar que décadas antes se criara na cidade um colégio cujo nome não deixava dúvida quanto à orientação cientificista de seus idealizadores: “Culto à Ciência”. Acresce a isso o fato de sediar Campinas o maior núcleo de pesquisa científica do país, o Instituto Agronômico. Mas o escopo da nova entidade transbordou do culto às ciências da natureza para banhar toda a área das ciências do espírito. Por sugestão do escritor Coelho Neto, membro da Academia Brasileira de Letras, na ocasião radicado nesta cidade por aqui lecionar no Culto à Ciência, então tornado estadual com o nome de Ginásio de Campinas, o novo Centro se dedicaria também às letras e às artes. Surgia assim o Centro de Ciências, Letras e Artes. &nbsp;<br>A primeira presidência da entidade, a cargo de Leôncio de Carvalho, seria logo assumida pelo vice, o intelectual, escritor e cientista José de Campos Novais. Da diretoria fariam parte o notável tribuno César Bierrenbach e o celebrado escritor Coelho Neto. Numa época em que as comunicações eram difíceis, a diretoria do Centro, antenada com o mundo, decidia enviar, no mesmo dia de sua fundação, e por sugestão de Coelho Neto, mensagem de congratulação a Santos Dumont, por ter sobrevoado Paris e contornado a Torre Eiffel apenas doze dias antes. No ano seguinte já se discutia no Centro a obra de Victor Hugo; palestrava-se sobre Graça Aranha, grande incentivador mais tarde da Semana de Arte Moderna de 22, e seu <em>Canaã</em>; Coelho Neto apresentava <em>Os Sertões</em>, de Euclides da Cunha, mal saído da prensa em 1902; o próprio Euclides viria a Campinas em seguida e manteria contato com Campos Novais, além de entabular rica correspondência com Coelho Neto; numa das sessões, a abertura da ópera <em>Lohengrin</em>, de Wagner, foi executada por orquestra regida por Santana Gomes. Campinas vivia, como dizem hoje os madrilenhos de sua agitada vida intelectual, <em>una movida cultural</em>, acelerada pelo Centro.<br>Um dos mais expressivos frutos do CCLA foi sua <strong><em>Revista</em></strong>. O primeiro número saiu já em 1902. Dirigiram-na e nela colaboraram grandes vultos das ciências, das letras e das artes do país, Campos Novais, Coelho Neto, Alberto Faria – a lista completa exigiria uma nova crônica. Em 1976 este cronista dirigiu-a e editou o número comemorativo dos 75 anos do Centro.<br>Quando comecei a frequentar o Centro de Ciências, por volta de 1975, presidia-o Herculano Gouveia Neto, vereador, ministro protestante, não me lembro que mais. Uma curiosidade: havia no térreo da imponente sede da rua Bernardino de Campos uma sala com um equipamento de som e mais de uma cabine individual em que o ouvinte podia escutar a música que escolhesse com fones de ouvido. Foi ali que ouvi pela primeira vez o <em>Boléro </em>(me ensinaram que era para pronunciar “bolerrô”), de Ravel; e foi ali que o amigo Alexandre, o mais tarde celebrado linguista e musicólogo José Alexandre dos Santos Ribeiro, explicou-me que o andamento arrastado e repetitivo da peça reproduzia o arrastar-se de uma caravana no deserto.<br>A biblioteca do Centro, por longo tempo dirigida por Maria Luísa Pinto de Moura, tem o nome de César Bierrenbach e abriga um verdadeiro tesouro bibliográfico. A pinacoteca não fica atrás e ostenta obras notáveis de Lasar Segall, Pedro Alexandrino, Nicotta Ferraz&#8230; Os museus de Campos Sales e de Carlos Gomes guardam preciosidades do presidente e do operista.<br>Ao completar 101 anos, em 2002, o Centro ganhou um livro, <em>CCLA 101</em>, sendo autores o escritor Luiz Carlos Ribeiro Borges e o jornalista Gustavo Osmar Mazzola, tendo como presidente Marino Ziggiatti. A galeria de ex-presidentes tem muitos nomes ilustres, que não me atreveria a arrolar, mas dos quais pelo menos me lembrar posso de Álvaro Cotomacci, meu professor de inglês no curso ginasial, de Rodolpho Bueno, engenheiro calculista, de Dayz Peixoto Fonseca, minha colega de faculdade, e por aqui paro.<br>Hoje o Centro de Ciências, Letras e Artes é presidido pelo tenor Alcides Ladislau Acosta, talentoso e operoso líder cultural da mesma têmpera dos Marinos, tendo como vice Clarissa Mendes Nogueira e como secretário geral o escritor Luiz Carlos Ribeiro Borges. Na próxima quinta-feira 28 haverá às 17 horas a comemoração dos 120 anos na sede do CCLA. Nesse dia, que antecipa o 31 de outubro, irei dar um abraço ao Alcides, apagar uma das cento e vinte velinhas do Centro, assistir à exposição das telas de Fúlvia Gonçalves que estarão ao lado das reproduções de poemas de Mallarmé, traduzidos pelo saudoso amigo e escritor ímpar Joaquim Fontes. Saudade dos rapazes do Centro. Saudade de cada canto onde mora uma saudade, como cantou e chorou Coelho Neto. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Sérgio Castanho</strong>&nbsp;é pesquisador e professor de História da Educação na UNICAMP e titular do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas e da Academia Campinense de Letras (ACL).</p>
</blockquote>



<p></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/10/a-casa-de-cesar-aos-cento-e-vinte-anos/">A Casa de César aos cento e vinte anos</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>CCLA 120 ANOS</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/07/ccla-em-destaque-em-revista-metropole/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jul 2021 22:03:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[120 anos do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A caminho de atingir 120 anos de existência, numa trajetória de valiosas contribuições à cultura de Campinas, o Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) mereceu reportagem na revista METRÓPOLE, encartada de 15 em 15 dias, aos domingos, no jornal Correio Popular.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
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</figure><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/07/ccla-em-destaque-em-revista-metropole/">CCLA 120 ANOS</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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