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	<title>Literatura | CCLA</title>
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	<description>Centro de Ciências, Letras e Artes</description>
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	<title>Literatura | CCLA</title>
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		<title>Nossas letras e suas damas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2022 22:43:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Prada]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica de Sérgio Castanho]]></category>
		<category><![CDATA[Escritoras de Campinas]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Castanho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sérgio Castanho  -<br />
                                               Iniciarei com três palavras sobre a notável escritora campineira Maria José Morais Pupo Nogueira, nossa querida Dona Zeza, aqui nascida e aqui falecida em 2015 com 102 anos. Seu primeiro romance, “Natal Solitário”, recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio... adivinhem o nome da láurea – o Prêmio Júlia Lopes de Almeida.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="has-text-align-right"><strong><em>Sérgio Castanho</em></strong></p>



<p class="has-medium-font-size">De vez em quando volto ao tema das letras na terra que foi das andorinhas e agora é das pombas. Bairrismo? Regionalismo? Não sei. E se for, que seja.</p>



<p class="has-medium-font-size">Não falarei de Júlia Lopes de Almeida, carioca que ainda criança veio para esta cidade e aqui publicou seus primeiros escritos na “Gazeta de Campinas”. Todos os registros apontam Júlia como escritora carioca. Então desta Júlia não falarei.</p>



<p class="has-medium-font-size">Iniciarei com três palavras sobre a notável escritora campineira Maria José Morais Pupo Nogueira, nossa querida Dona Zeza, aqui nascida e aqui falecida em 2015 com 102 anos. Seu primeiro romance, “Natal Solitário”, recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio&#8230; adivinhem o nome da láurea – o Prêmio Júlia Lopes de Almeida. Seu segundo romance, “Céu Escuro”, foi premiado pela Academia Paulista de Letras e pela Secretaria de Cultura do então Estado da Guanabara. Outras obras literárias suas: “Ana” e “O Órfão e a Mulata”. Maria José ocupou a cadeira 33 da Academia Campinense de Letras e foi diretora do Departamento de Cultura e do saudoso Teatro Municipal de Campinas. Casou-se nesta cidade com Stênio Pupo Nogueira, um amigo com quem tive a felicidade de conviver, apesar da diferença de idade, no Centro de Ciências e em outros ambientes culturais. Intelectual de primeira água, Stênio foi professor da PUC-Campinas nos tempos de Monsenhor Salim. Era irmão do combativo jornalista Bráulio Mendes Nogueira e do músico Paulinho Nogueira. Dona Zeza e seu Stênio tiveram três filhos: Spencer, arquiteto, professor da PUC e artista plástico, autor da escultura em homenagem ao ex-prefeito Toninho; Clirian e Maria José, a Zezinha. Tudo – a escritora, seu marido, seus filhos, seus cunhados –tudo gente nossa, tudo gente de brilho.</p>



<p class="has-medium-font-size">Agora falarei de uma escritora que não nasceu aqui, não é parente de Campos Sales nem de Joaquim Egídio de Sousa Aranha (o marquês campineiro que presidiu São Paulo), mas aqui se radicou e aqui tem vivido nos últimos quinze anos. É a grande escritora Cecília Prado, creio que posso dizer campineira por usucapião municipal. Campinas usucapiu Cecília, que ocupa uma cadeira da Academia Campinense de Letras e ainda é titular da ACLA e do IHGGC.</p>



<p class="has-medium-font-size">A última obra que li de Cecília Prada foi a coletânea de contos “Nós, que nem ao menos somos deuses” (Pontes, 2020). O livro abre com seu “La Pietà”, considerado um dos mais belos contos em língua portuguesa. Foi escolhido em 1994 para abrir a feira internacional de livros de Frankfurt, Alemanha, onde havia sido publicado em 1986 na antologia “<em>Frauen in Lateinamerika</em>” (Mulheres na América Latina), com a versão para a língua de Goethe por Curt Meyer-Clason, o mesmo tradutor de Guimarães Rosa e de Garcia Marques.</p>



<p class="has-medium-font-size">Não preciso dizer de Cecília o que dela já disseram Lygia Fagundes Telles, Hernâni Donato, Leonardo Arroio, Alberto da Costa e Silva e muitos outros ícones de nossa cultura. Também não preciso esquadrinhar seus vinte livros publicados no Brasil. Nem os que saíram no exterior. Ficam igualmente sem dizer as quarenta obras literárias, artísticas e humanísticas que traduziu do inglês, do francês, do italiano e do espanhol. Peças de teatro de sua autoria foram traduzidas mundo afora. Uma das peças foi encenada em Nova Iorque. Tudo isso são coisas de uma grande dama de nossas letras.</p>



<p class="has-medium-font-size">Deveria falar ainda de Cida Sepúlveda, essa notável poeta e contista (“Coração Marginal”), que nasceu em Piracicaba (São Pedro) e viveu e escreveu em Campinas. Fica para outra.</p>



<p class="has-medium-font-size">E os varões assinalados destas campinas das letras? Outro dia voltarei a falar de Luiz Carlos R. Borges, amigo fraterno, campineiro de Guaraci que ambienta seus romances e contos no Café do Povo, na rua Barão, no largo do Rosário, a menos que esteja na Aquitânia escrevendo sobre Leonor, sua corte, seus trovadores. Cantando espalharei, à moda de Camões, a fama justa de Eustáquio Gomes, campineiro de Montes Altos (Minas), que nos deixou rumo ao assento etéreo onde não mais arderá com sua febre amorosa. Direi palavras enrouquecidas sobre Joaquim Brasil Fontes, campineiro de Minas e de Paris. Gostaria de falar do Zaiman de Brito Franco, amigão desde os tempos da Gruta do Noel Rosa, campineiro de Macaé (Rio), o escritor da baixa sociedade. Eu gostaria, mas ele não gosta disso, se esquiva quando sugiro que reúna em livro tudo quanto escreveu no jornal sobre a sociedade do Bar do Meio e do Mercadão. Que fazer? &nbsp;Como meu espaço chegou ao fim, falarei só na próxima crônica de um varão de nossas letras, Roberto Goto, que vem de publicar “hera fechada” (assim mesmo, com minúsculas), sua novela-cabeça que se junta às vinte e tantas obras de múltipla literatura que já escreveu. E atenção, revisão! É“hera” mesmo, com he, não “hora”, com ho. Hora, agora, é só de parar. Pronto, parei.</p>



<p>Sérgio Castanho é pesquisador e professor de História da Educação na Unicamp e titular do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas e da Academia Campinense de Letras (ACL)</p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/09/nossas-letras-e-suas-damas/">Nossas letras e suas damas</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O Olhar Paterno</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/08/o-olhar-paterno/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2022 20:32:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica de Luiz C. R. Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Dia dos Pais]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mas era através de miúdos gestos e de olhares quase clandestinos que nos expressava o seu amor. E esses olhares me ficaram impressos na memória.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Luiz Carlos R. Borges</strong></p>



<p class="has-normal-font-size">Muitas vezes, sem que eles percebam, me demoro a olhar silenciosamente os filhos, reunidos ao redor da mesa de jantar e das taças rubras de vinho. E então em mim reconheço o olhar de meu pai.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ele nunca foi de expansões. Não me lembro que nos abraçasse, a mim e a meus irmãos. Mas era através de miúdos gestos e de olhares quase clandestinos que nos expressava o seu amor. E esses olhares me ficaram impressos na memória.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Havia sido um próspero comerciante em Guaraci, no ramo de sapataria e selaria, e assim pudera comprar bicicletas para meus irmãos mais velhos. Quando adquiri certa idade também me vi no direito de ganhar uma. Em vão: a essa época os negócios já não iam tão bem. Periodicamente meu pai tomava a jardineira até Olímpia, para comprar a matéria prima de que necessitava e a cada viagem eu permanecia na esperança de que, no retorno, no bagageiro, estaria, bem visível e brilhante, a sonhada bicicleta. Numa dessas ocasiões, no final da tarde, corri até o alpendre de nossa casa, em cuja rua frontal passava a jardineira, e ainda uma vez, a última, pois foi quando se desfizeram minhas ilusões, não vi no bagageiro o objeto de meus sonhos: o que vi, junto à janela do veículo, foi o olhar contristado de meu pai, como a pedir desculpas.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Meus pais decidiram que a família se mudaria para Olímpia, para que os filhos pudessem continuar os estudos. Durante algum tempo ele continuou com sua selaria em Guaraci e, nas primeiras férias escolares, fui passar uma semana com ele. Talvez tenha sido o período de maior convívio entre nós dois. Almoçávamos e jantávamos juntos, na casa de minha avó ou no restaurante do seu Farid. Além de afetiva, minha memória dessa semana é também olfativa e gustativa: o aroma do sabonete Carnaval, o sabor jamais igualado das esfirras do Farid. Quando parti, desta vez ele estava do lado de fora da janela da jardineira: tinha um olhar desolado, como se a custo contivesse as lágrimas.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Anos depois, as dificuldades o obrigaram a encerrar as atividades de sua empresa, e rumamos para Campinas, para reiniciar nossas vidas. Um dia ele tomou o trem e se dirigiu até Jaboticabal, na expectativa de receber o pagamento de dívidas de antigos clientes. Na tentativa de ludibriá-lo, eles emitiram um cheque, no entanto pré-datado. Ainda assim meu pai apresentou o cheque à agência bancária e conseguiu receber o valor em dinheiro. Retornou bem no dia de meu aniversário. Tinha um olhar jubiloso e, sob o braço, trazia, embrulhado em jornal, uma lata de doces (a então célebre quatro-em-um; goiabada, figada, pessegada e marmelada), para comemorarmos o aniversário e o êxito de sua viagem.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Passaram-se os anos, muitos anos; os filhos se casaram, vieram os netos; meus pais passaram a residir num pequeno apartamento &nbsp;&nbsp;na rua Barreto Leme. E a meu pai vieram os primeiros sintomas do mal de Alzheimer. Conforme a doença evoluía, minha mãe já não conseguia conter os seus arroubos, a querer obsessivamente descer até a rua, onde o estariam esperando os velhos amigos de Guaraci. Em seu final melancólico, já contando com a ajuda de um casal de acompanhantes, foi perdendo gradualmente os movimentos e alienou-se completamente das coisas e pessoas ao seu redor; já não reconhecia ninguém; suas últimas manifestações foram suscitadas por lembranças de seu tempo de clarinetista da banda de Guaraci: meu irmão mais velho imitava o som do instrumento e ele acompanhava mecanicamente com os pés. Mas o olhar já não existia, apagara-se, fosco e ausente.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Antes desse período, quando ainda mantinha um certo grau de consciência, a cada manhã eu conduzia meu pai até uma casa de idosos, para que pudesse receber cuidados médicos, conviver com pessoas da mesma idade, praticar exercícios e assim conceder algumas horas de descanso para minha mãe.</p>



<p class="has-normal-font-size">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No final da tarde ia buscá-lo, e era como se eu repetisse a tarefa de apanhar meus filhos na escola. Quando eu chegava, ele já se encontrava no pequeno jardim à frente da casa e, ao me ver e reconhecer, seus olhos readquiriam a antiga alegria, cintilavam. Era, sim, como uma criança que aguardasse ansiosamente a chegada do pai e a saudava com sorrisos e com o brilho dos olhos. Na volta, no carro, ao meu lado, ia lendo em voz alta os letreiros e anúncios publicitários, como um menino recém-alfabetizado.</p>



<p class="has-normal-font-size" id="Literatura-">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E era esta a realidade: meu pai se havia tornado meu filho, e eu passara a ser seu pai.</p>



<p class="has-text-align-right"><em><strong>Luiz Carlos R. Borges é pai e avô – e, para sempre, filho. </strong></em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/08/o-olhar-paterno/">O Olhar Paterno</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>CÉSAR BIERRENBACH LITERATO</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/04/cesar-bierrenbach-literato/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 22:52:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[150 anos de nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[César Bierrenbach]]></category>
		<category><![CDATA[Sesquicentenário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Através do presente texto vem-se acrescentar modesta contribuição em que se procura destacar a atividade de Bierrenbach como escritor.</p>
<p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/04/cesar-bierrenbach-literato/">CÉSAR BIERRENBACH LITERATO</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Luiz Carlos R. Borges</strong></p>



<p>Em belo artigo publicado no Correio Popular em sua edição de 06 de abril, intitulado “Com 150 anos de idade, Cesar Bierrenbach ainda vive”, nosso companheiro do Centro de Ciências, Letras e Artes, Giovanni Galvão prestou a devida reverência à memória de quem foi não apenas um dos cofundadores da entidade, como também a própria alma da instituição em seus primórdios, em seus tempos heroicos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Através do presente texto vem-se acrescentar modesta contribuição em que se procura destacar a atividade de Bierrenbach como escritor.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tendo falecido em 1907, somente em 1937, através da amorosa compilação feita por suas irmãs Vicentina e Noemia Bierrenbach, foram publicadas em livro as suas “Producções Litterarias” (Livraria Universal/Curitiba), em dois volumes contendo poemas, crônicas e manifestações de cunho político como o célebre “Protesto Latino” (em que defende a doutrina de um Pan-Americanismo de que seriam excluídos os Estados Unidos).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os poemas ocupam o primeiro volume. Sua poesia segue os cânones da então dominante escola parnasiana. Mas em sua obra poética também se podem vislumbrar influxos do Simbolismo, como a &nbsp;prática das aliterações tão caras a Cruz e Souza (“Vozes veladas, veludosas vozes&#8230;”), como estas, extraídas de sua “À aeronave de Dumont” (1906): “Nave sem mastros, nave sem vela / que contra os ventos vos elevais / nuvens são ondas, oh caravela dos Oceanos que navegais!”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Já “O Samba das Sombras”, datado de 1890, se destaca não apenas por ter sido certamente uma das primeiras referências literárias e eruditas à modalidade musical que viria marcar a identidade nacional, mas também por seu próprio enfoque em que, no decorrer da “folia no terreiro” animada por batuques e pelo canto coletivo dos participantes, eis que a certa altura intervêm as sombras do título, “as almas dos mortos, os avós&#8230;”, os ancestrais, enfim, identificados como “Cambinda”, “Cambaio”, “mãe Florinda” e “pai Candongo” – &nbsp;até a que a ilusão esmorece e se desfaz (mas o samba continua até o alvorecer).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nas crônicas, reunidas em ambos os volumes, são evocados eventos e figuras ilustres, locais ou não, como Bilac, Victor Hugo, Maria Monteiro e o legendário flautista Patápio Silva, que, tendo-se apresentado em Campinas, no “Club Campineiro”, é comparado, por sua precocidade, a Mozart&#8230;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Particularmente admirável é a crônica intitulada “As Chrysantemas”. Nesse trabalho, que traz a indicação “Paris – janeiro, 1895”, Bierrenbach reconstrói, com tintas impressionistas, a partir de uma “flor de chrysanthema”, dádiva de uma “encantadora filha do Oriente”, a atmosfera outonal de um apartamento parisiense, recheada de orientalismos tão ao gosto da época, ânforas, vasos de porcelana, lembranças de rosas, “lyrios” e “lilazes”, uma aparição exótica em trajes japoneses, dedos “fugazes a bailarem no ar como um esvoaçar de azas ligeiras”&#8230;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O título nos reporta a um romance do francês Pierre Loti (1850-1923), não por acaso citado no texto. Autor de um belíssimo romance, verdadeira joia literária, intitulado “O Pescador da Islândia”, Loti também escreveu “Madame Chrysantème”, cuja ação se passa no Japão e cuja trama se identifica com aquela percorrida pela grandiosa ópera de Giacomo Puccini, “Madama Butterfly”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais que isso, ouso dizer que, de certo modo, essa crônica de Bierrenbach prefigura&#8230; Marcel Proust (1871-1922). A atmosfera interior que ali se insinua conduz a outra, superlativa, magicamente suscitada pelo romancista francês ao descrever o apartamento, com seu jardim de inverno, de uma das mais fascinantes personagens femininas de “Em Busca do Tempo Perdido”, Odette Swann – &nbsp;inclusive com a presença de crisântemos&#8230; (conforme “A Sombra das Raparigas em Flor”, que veio a lume em 1919, páginas 132 e seguintes da edição brasileira de 1960 da Editora Globo, tradução de Mário Quintana).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seria, certamente, o caso de serem reeditadas as “Producções Litterarias”, de modo que o conhecimento e estudo da obra não se limitem aos frequentadores da Biblioteca do CCLA – que com inteira justiça leva o nome de Cesar Bierrenbach.</p>



<p class="has-text-align-right"><em><strong>Luiz Carlos R. Borges é membro da Academia Campinense de Letras e secretário geral do Centro de Ciências, Letras e Artes</strong></em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/04/cesar-bierrenbach-literato/">CÉSAR BIERRENBACH LITERATO</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Pedro Kilkerry no CCLA</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/03/pedro-kilkerry-no-ccla/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Mar 2022 23:11:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Denise Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[Homenagem a Kilkerry]]></category>
		<category><![CDATA[Kilkerry]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento Modernista]]></category>
		<category><![CDATA[Revista do CCLA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A poesia do baiano Pedro Kilkerry deslumbrou a compositora Denise Garcia, ainda em seus anos de aprendizado e, já no curso de sua atividade criadora, sempre figurou em seus projetos musicais tecer uma homenagem ao poeta, o que viria a aflorar naquela composição executada em concerto da OSMC nos dias 11 e 12 de março de 2022, no Castro Mendes, sob a regência de Cláudia Feres.</p>
<p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/03/pedro-kilkerry-no-ccla/">Pedro Kilkerry no CCLA</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Luiz Carlos R. Borges</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Oportuníssima a matéria publicada no Correio Popular, Caderno Cultura, em sua edição de 16 de março, sob o título de “A Contemporaneidade da Música Clássica” e assinada por Aline Guevara. A matéria focaliza a composição de Denise Garcia, “Homenagem a Kilkerry”, incluída dias antes (11) no concerto presencial da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. E é gratificante verificar que uma obra literária tenha sido motivo para a composição de uma peça musical erudita, como é o caso. A poesia do baiano Pedro Kilkerry, como esclarece a notícia, deslumbrou a compositora ainda em seus anos de aprendizado e, já no curso de sua atividade criadora, sempre figurou em seus projetos musicais tecer uma homenagem ao poeta, o que viria a aflorar naquela composição executada no concerto.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como ainda informa a autora do texto, Kilkerry, morto precocemente (1885-1917), não chegou a publicar nenhum livro em vida, e sua obra esparsa só viria a ser redescoberta por críticos vanguardistas já na segunda metade do século passado.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Coube efetivamente aos escritores vinculados à Poesia Concreta a tarefa de promover essa redescoberta, especialmente Augusto de Campos, que já na década de 1960 vinha publicando artigos na imprensa a respeito da obra de Kilkerry; posteriormente seus estudos e pesquisas foram reunidos em livro, “ReVisão de Kilkerry”, cuja segunda edição, revista e ampliada, veio a lume em 1985, através da Editora Brasiliense, contendo toda a obra do poeta que se conseguiu recolher e ainda fotos, reproduções de manuscritos e de fac-símiles de poemas divulgados pela imprensa. Dele, entre outras observações, disse Augusto de Campos: “pelo muito que deixou (non multa sed multum), merece ser considerado, como Sousândrade, um precursor da revolução literária que se iria desencadear, em sua plenitude, com o Movimento Modernista”. Lembre-se: Joaquim de Sousa Andrade, que adotou o nome literário de Sousândrade, foi poeta maranhense do século dezenove, igualmente dotado, em pleno período romântico de nossa literatura, de linguagem original e inovadora.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo após a morte de Kilkerry, como ainda informa Augusto, amigos e companheiros seus de Salvador, como Jackson de Figueiredo e Carlos Chiacchio, cuidaram de preservar o seu legado, em trabalhos como “Humilhados e Luminosos”, de autoria do primeiro e datado de 1921.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aqui entra o Centro de Ciências, Letras e Artes, que já no ano de 1920, através de sua Revista, chamava a atenção para a figura e a obra de Pedro Kilkerry.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não é de surpreender. A Revista do CCLA, que se começou a publicar em 1902, ou seja no ano seguinte à fundação da entidade, e que recentemente alcançou o seu exemplar de nº 72, desde os seus primórdios se notabilizou por repercutir, como autêntico repositório, as ideias e as tendências que marcaram esse período de mais de cem anos, seja no plano cultural, seja no científico, no histórico, no artístico – contribuindo, em especial, para a articulação de causas civilizatórias, como foi o seu posicionamento em prol dos povos indígenas e contra a devastação das matas.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não foi diferente na área literária. Quanto ao episódio Pedro Kilkerry, isso ocorreu no período em que o jornalista Alberto Faria atuou como Diretor da Revista (também assumiu a presidência da entidade no biênio 1917-1918). Entre 1915 e 1920, a revista acolheu inúmeras colaborações advindas de escritores de São Paulo e, sobretudo, do Rio de Janeiro, inclusive de participantes de suas Academias literárias (o próprio Faria viria a ser eleito para a ABL). Nomes como os de João Ribeiro, Olavo Bilac e Alberto de Oliveira começaram a frequentar suas páginas. E, entre eles, aquele mesmo Jackson de Figueiredo, através de artigo em que reverenciou a memória do amigo. Extrai-se, a respeito, o que foi por nós escrito no livro comemorativo dos 101 anos de fundação do CCLA:</p>



<p>“Aquela vocação do Centro para a abertura de veredas voltaria a se manifestar em 1920, quando abre as páginas de sua Revista para um trabalho de Jackson de Figueiredo em torno de um obscuro poeta baiano, Pedro Kilkerry, falecido poucos anos antes (1917) e cultor de uma vertente simbolista ainda mais à margem do próprio simbolismo, o qual só muitas décadas depois seria revisto e devidamente valorizado, por versos como estes:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Agora sabes que sou verme.</strong></p><p><strong>Agora, sei da tua luz.</strong></p><p><strong>Se não notei minha epiderme&#8230;</strong></p><p><strong>É, nunca estrela eu te supus.</strong></p><p><strong>Mas, se cantar pudesse um verme,</strong></p><p><strong>Eu cantaria a tua luz!</strong>”.</p></blockquote>



<p>                                   O belo e instigante repertório musical de Denise Garcia se encontra disponível na internet (YouTube), inclusive a “Homenagem a Kilkerry”, gravada em áudio pela mesma OSMC enquanto ainda regida pelo maestro Victor Hugo Toro. Nessa peça a artista consegue captar o equivalente sonoro a um poema, sem título, que se inicia com o verso “a esses sons longínquos estremeço” e termina com estes: “&#8230; caem lentamente / quentes e rubras gotas, uma a uma / no mar, sobre uma velha casa submarina”. Não por acaso, o maestro Toro, em sua introdução, destaca que a parte final da peça contém uma citação da composição de Debussy, “A Catedral Submersa”.</p>



<p><strong>Luiz Carlos R. Borges é membro da Academia Campinense de Letras e secretário geral do CCLA</strong></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/03/pedro-kilkerry-no-ccla/">Pedro Kilkerry no CCLA</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>XAVIER PINHEIRO, TRADUTOR DE DANTE</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/07/xavier-pinheiro-tradutor-de-dante/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jul 2021 23:31:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Núcleos do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Divina Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Carlos R Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>
		<category><![CDATA[Xavier Pinheiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Luiz Carlos R. Borges (Setecentos anos de morte de Dante Alighieri, nascido em 1265,...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Luiz Carlos R. Borges</strong></p>



<p class="has-normal-font-size">(Setecentos anos de morte de Dante Alighieri, nascido em 1265, em Florença, e falecido em 14 de setembro de 1321, em Ravenna).</p>



<p>O texto que se segue, ainda a propósito dos setecentos anos da morte de Dante Alighieri, visa a um objetivo bem delimitado, voltado para a repercussão da obra de Dante no Brasil. Mais especificamente, o tema será a proeza literária do baiano José Pedro Xavier Pinheiro.</p>



<p>História que se inicia com Machado de Assis e sua atividade como tradutor. A esse propósito, há pouco tempo folheando o romance de Victor Hugo, <em>Os Trabalhadores do Mar</em>, na edição de 1971 da Editora Abril em sua coleção <em>Os imortais da Literatura Universal</em>, verifiquei, não sem certa surpresa, que a tradução coube exatamente a Machado.</p>



<p>Dele, também soube haver traduzido um dos cantos da<em> Commedia</em>, no caso, o Canto XXV, do <em>Inferno</em>. Pois, tendo sido publicada, em 1874, no jornal <em>Globo</em>, essa tradução veio a merecer imediata admiração por parte de Xavier Pinheiro.</p>



<p>Nascido em 1822, desde cedo esse baiano de Salvador precisou exercer uma profissão que lhe assegurasse os meios de subsistência a partir do momento em que os negócios de seu pai fracassaram; exerceu funções de professor, nela se destacando de forma a ter merecido o apoio de fazendeiros e amigos de seu pai para o fim de ampliar sua formação e seus conhecimentos. Em certo momento, sentiu a necessidade de se transferir para um centro urbano mais favorável a seus projetos, quando então se radicou no Rio de Janeiro. Na capital do Império atuou no jornalismo e mais tarde conseguiu um cargo público; ali encontrou condições propícias a seu aperfeiçoamento cultural, inclusive se relacionando com os intelectuais que, nascidos no Rio ou provenientes de todas as partes do País, constituíam o próprio núcleo da criação e da produção literária nacional.</p>



<p>Foi quando, ao elogiar pessoalmente Machado de Assis por sua tradução daquele Canto da <em>Divina Comédia</em>, este, por sua vez, o estimulou a também ingressar na grandiosa tarefa de traduzir Dante. Xavier Pinheiro aceitou o desafio e, pelos sete anos seguintes, trabalhou intensamente, até mesmo com sacrifício da própria saúde, até sua morte, em 1882, na tradução integral da obra-prima dantesca.</p>



<p>Não teve a felicidade, no entanto, de ver publicado em livro o fruto do exaustivo trabalho a que por tanto tempo se dedicou; não só: após sua morte, seu filho ainda teve de pelejar por largos anos, em verdadeira odisseia, &nbsp;até finalmente obter com que o livro fosse publicado, já decorridos mais de vinte anos desde o falecimento do pai.</p>



<p>São os três volumes dessa obra, só concluída em 1907, que figuram em minhas estantes, presente do saudoso amigo e confrade da Academia Campinense de Letras, Marino Falcão Lopes, e de cujo prefácio, de autoria do filho do Tradutor, F. A. Xavier Pinheiro, colhi as informações que ora integram esse texto.</p>



<p>É em homenagem, portanto, ao trabalho solitário e abnegado de José Pedro Xavier Pinheiro e ao precioso legado com que ele nos premiou que é feito o presente registro.</p>



<p>Uma das páginas mais primorosas da obra-prima de Dante é, reconhecidamente, aquela em que relatado o drama do casal de amantes adúlteros, Paolo e Francesca (Canto V do <em>Inferno</em> – círculo infernal onde padecem os luxuriosos). Nesse episódio o poeta demonstra a mesma e implacável severidade com que censura as diversas linhagens de pecadores (aí incluindo seu próprio mestre Bruneto Latini; o pai de seu dileto amigo Guido Cavalcanti; e até mesmo outros poetas, como o trovador Bertran de Born – a propósito, o castigo infernal infligido a este é sutilmente sugerido em meu romance <em>Crônica de Bernartz &amp; Bertran</em>). Aqui, no entanto, ele confessadamente se condói diante do destino trágico dos amantes, ao ponto de, no final, literalmente tombar ao chão: “e caddì como corpo morto caddi” (e caí, como morto corpo cai). Outro verso lapidar vem logo antes: “quel giorno più non vi leggemo avante” (os amantes se dedicavam à leitura até serem irresistivelmente atraídos e se beijarem: daí, “aquele dia não mais continuamos a ler”).</p>



<p>Portanto, nada mais apropriado do que encerrar este texto com a transcrição (precedida dos originais) dos versos finais desse Canto V, na tradução de Xavier Pinheiro (mantida a grafia da época):</p>



<p class="has-text-align-center"><em>“La bocca mi baciò tutto tremante.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Galeotto fu il libro e chi lo scrisse:</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>quel giorno più non vi leggiamo avante”.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>mentre che l’uno spirto questo disse,</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>l’altro piangea sì che di pietade</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>io venni men cosi com’io morisse:</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>e caddi como corpo morto caddi.</em></p>



<p><em>“A boca me beijou todo tremante,</em></p>



<p><em>De Galeotto fez o autor e o escripto.</em></p>



<p><em>Em ler não fomos n’esse dia avante”</em></p>



<p><em>Em quanto a historia triste um tinha dito,</em></p>



<p><em>Tanto carpia o outro, que eu, absorto,</em></p>



<p><em>Em piedade, senti lethal conflito,</em></p>



<p><em>E tombei, como tomba corpo morto.</em></p>



<p class="has-small-font-size"><strong><em>O autor é Secretário Geral do CCLA e diretor de seu Departamento de Literatura; membro da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas</em></strong></p>



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		<title>Setecentos anos da Morte de Dante Alighieri</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/07/setecentos-anos-da-morte-de-dante-alighieri/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jul 2021 19:19:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[700 Anos de Morte]]></category>
		<category><![CDATA[Dante Alighieri]]></category>
		<category><![CDATA[Divina Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Carlos R Borges]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ccla.org.br/?p=568</guid>

					<description><![CDATA[<p>2021 celebra os 700 anos de morte do grande vate florentino, Dante Alighieri, genial autor da "Divina Comédia". O escritor Luiz Carlos R. Borges conduz o leitor ao encontro de Dante e de sua musa inspiradora, a Garota de Florença, Beatriz.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Luiz Carlos R. Borges</p>



<p>O presente ano de 2021 marca os setecentos anos de morte de Dante Alighieri, nascido em 1265, em Florença, e falecido em 14 de setembro de 1321, em Ravenna.</p>



<p>Seria, naturalmente, ocioso destacar a singular relevância do autor italiano dentro do panorama da literatura universal, figura ímpar no quadro da evolução da história literária e, sobretudo, poética. Produziu, ao longo de sua trajetória intelectual, trabalhos que se intitularam <em>De Vulgari Eloquentia</em>, <em>Da Monarchia</em>, <em>Convivio</em>, nos quais demonstra seu profundo conhecimento em áreas como a literatura, a história, a linguística, a filosofia, a teologia, a política, o direito, tudo o que viria igualmente a transportar para a sua obra máxima, já no terreno da poesia. E, com efeito, seu legado maior, e incomparável, foi de natureza poética, assinalado por suas três obras: <em>Vita Nuova</em>, onde se contêm os sonetos dedicados a Beatriz; <em>Rime</em>, conjunto poético reunido após sua morte; e, escrito já em seu período de exílio, sua culminante e monumental <em>Commedia</em>, que, desde Boccaccio, passou a ser conhecida como <em>Divina Comédia</em>.</p>



<p>A propósito, para o leitor interessado no tema, recomenda-se a leitura do &nbsp;breve mais precioso livro intitulado <em>Dante, Poeta do Absoluto</em> (indicação de nosso amigo, o médico Sílvio Carvalhal), cujo autor, Hilário Franco Júnior, perfaz a proeza de sintetizar o tempo histórico, a trajetória pessoal e a obra do poeta florentino, em pouco mais de cem páginas, em linguagem fluente e substanciosa (Ateliê Editorial, 2000).</p>



<p>Assim como, entre outras obras literárias icônicas, o<em> Ulisses</em>, do irlandês James Joyce, <em>Em busca do tempo perdido</em>, do francês Marcel Proust, <em>Grande Sertão; Veredas</em>, de Guimarães Rosa, a leitura da <em>Commedia</em> constitui missão para toda uma vida, eis que cada momento de seu percurso, ainda quando fragmentário, vem continuamente proporcionar novos e inesgotáveis enfoques, infindáveis percepções e iluminações.</p>



<p>Juntamente com Charles Baudelaire, Dante figura entre os poetas de minha predileção e de incessante leitura. Curiosamente o corrente ano de 2021 marca duas efemérides relativas a um e a outro: os setecentos anos da morte de Dante e o bicentenário do nascimento de Baudelaire.</p>



<p>A obra de Dante, neste mesmo espaço do CCLA, já foi objeto de um artigo, <em>Dante Alighieri e o Visconde de Inhomirim</em>, trazendo à luz, graças ao excelente trabalho de pesquisa e resgate empreendido por nosso companheiro de Diretoria, Genaro Campoy Scriptore, a figura de Francisco de Sales Torres Homem, médico, político e escritor do período imperial, autor, entre outros trabalhos, de estudos sobre Dante.</p>



<p>Quando, em fins de 2015, iniciei minha colaboração com o Correio Popular, através de seu “Caderno C”, o texto inaugural foi exatamente dedicado ao poeta florentino, com o título de <em>A garota de Florença</em>: é como modesta contribuição que reproduzo a seguir aquele escrito, dando sequência às homenagens inauguradas pelo texto de nosso companheiro de Diretoria.</p>



<p>A GAROTA DE FLORENÇA&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma jovem passa a caminho do mar. Das mesas de um bar, espalhadas pela calçada, um grupo de fregueses espia a sua passagem, e dois deles resolvem compor uma canção em homenagem à moça.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cena acontece no Rio de Janeiro, em algum dia do ano de 1962. A jovem será mais tarde identificada como Helô Pinheiro e contava então com quinze anos de idade. Os dois clientes do bar que decidiram converter em canção o encantamento causado por ela eram Vinicius de Morais e Tom Jobim. A canção se intitularia <em>Garota de Ipanema</em>, e se transformaria na segunda canção popular mais executada em todo o mundo.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cena semelhante aconteceu, séculos atrás, em outros tempos, em outra latitude. Uma jovem, de cerca de dezoito anos, passa a caminho da igreja. Em seu trajeto depara-se com um moço que, sem que ela o saiba, há muitos anos a admira. Ao passar por ele, ela, pela vez primeira, lhe dirige uma saudação.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ano é de 1283; o cenário é a cidade italiana de Florença. A jovem chama-se Beatriz Portinari. Seu admirador é Dante Alighieri, que, inebriado pela saudação e pelo sonho que lhe advém na noite daquele encontro, decide compor uma canção em homenagem a ela.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas os tempos são outros, outra é a linguagem, a retórica. A canção de Dante é escrita sob a forma de um soneto. E escreverá não um, mas vários sonetos, que serão reunidos no volume intitulado <em>Vita Nuova</em>. Mais que isso, na terceira parte da <em>Divina Comédia</em>, escrita anos depois, Beatriz passa a conduzir o Poeta, substituindo Virgílio, pelos caminhos do Paraíso.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O mais célebre desses sonetos é aquele que assim se inicia: “Tanto gentile e tanto onesta pare / La donna mia, quand’ella altrui saluta, / ch’ogne lingua deven tremando muta, / E li occhi non l’ardiscon de guardare” (algo como: Tão gentil e tão honesta parece a minha dama, quando ela saúda a outrem, que a língua se torna, tremendo, muda, e os olhos não se cansam de mirá-la).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na estrofe seguinte, destaca-se esse verso: “Ella si va, sentendosi laudare” (Ela se vai, sentindo-se louvar). Há, nele, dito em voz alta, certa cadência, uma sensualidade, um doce balanço, que permite até mesmo a visualização da jovem que se afasta, cheia de graça e vivacidade, sabendo-se admirada por quantos a veem passar.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Beatriz desposaria outro, o enlevo de Dante jamais ultrapassaria a mera contemplação, e ela morreria muito jovem, com apenas 25 anos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por que lembrar-se hoje, em pleno século 21, neste final de 2015, daquele acontecimento de 1283? Pelo menos por duas razões, uma de caráter histórico, outro de caráter pessoal. A primeira é porque neste ano de 2015 se comemoram 750 anos de nascimento de Dante (1265-1321).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A segunda razão é porque, em data recente, após uma visita à “Casa di Dante” (pequeno mas expressivo museu instalado na casa onde o poeta residiu em Florença), fui surpreendido, já na rua, pela visão de uma placa, endereçada não só aos turistas, mas aos peregrinos como eu, indicativa de um local identificado como “Chiesa di Dante”. Aproximei-me da referida igreja, em cujo pórtico se informa que ali foram sepultados os corpos de integrantes da família Portinari&#8230; inclusive da própria Beatriz. Entrei, e apesar da penumbra própria do interior desses templos, localizei a pedra tumular sob a qual repousam as cinzas de Beatriz.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como não se comover? Ali, num recanto da igrejinha até então desconhecida, descansam os restos mortais daquela jovem que, muitos séculos atrás, tanto havia encantado Dante, ao ponto de ele a designar como sua dama de eleição e, mais que isso, signo permanente da feminilidade e da beatitude. Ali, ainda que desfeita em pó, pulsa a memória daquela Garota de Florença, que há mais de setecentos anos passava a caminho da igreja, cheia de graça, de gentileza e de perenidade.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O autor é Secretário Geral do CCLA</strong></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/07/setecentos-anos-da-morte-de-dante-alighieri/">Setecentos anos da Morte de Dante Alighieri</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Sob o signo da necessidade</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/05/sob-o-signo-da-necessidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 May 2021 01:57:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Núcleos do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Goto]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ccla.org.br/?p=550</guid>

					<description><![CDATA[<p>Fernando Pessoa (Cola da Web)</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Roberto Goto</strong></em></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized is-style-rounded"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="798" height="445" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/06/Fernando-Pessoa-oficial-edited.jpg" alt="O poeta Fernando Pessoa" class="wp-image-558" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/06/Fernando-Pessoa-oficial-edited.jpg 798w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/06/Fernando-Pessoa-oficial-edited-300x167.jpg 300w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/06/Fernando-Pessoa-oficial-edited-768x428.jpg 768w" sizes="(max-width: 798px) 100vw, 798px" /></figure>



<p>“Encarregado da organização do abastecimento, despachou legados e amigos para diversos pontos, e ele próprio se fez à vela para a Sicília, Sardenha, Líbia, onde determinou estocagens de cereais. A ponto de reembarcar, ventos buliçosos abateram-se sobre as ondas e os pilotos tremeram; Pompeu foi o primeiro a subir para bordo, mandou levantar ferros e bradou: ‘Navegar é preciso; viver não é preciso’.” Assim Plutarco<a href="#_edn1">[1]</a> (ca.46-ca.120) narra o episódio em que Pompeu (106-48 a.C.) forja as frases cuja forma latina é “<em>Navigare necesse</em> (<em>est</em>)<em>, vivere non necesse</em>, Navegar é necessário; viver, não”, como informa Paulo Rónai<a href="#_edn2">[2]</a>, acrescentando: “Citadas em relação a um dever imperioso, mais importante do que a própria vida”.&nbsp; &nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando Fernando Pessoa (1888-1935) as retoma, num texto intitulado “Palavras de Pórtico”, interpreta-as e unifica-as, justamente, sob o signo da necessidade: “Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: ‘Navegar é preciso; viver não é preciso.’/ Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar./ Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo./ Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha./ Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade./ É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.”<a href="#_edn3">[3]</a></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os vinte séculos que separam o político romano do poeta português não apagaram, portanto, o sinete da necessidade: em ambos os casos, o “é preciso” corresponde, precisamente, ao “é necessário”, significando sempre um imperativo. A diferença incide sobre os verbos “navegar” e “viver”. No texto de Plutarco, eles se impõem por seus sentidos literais e práticos: Pompeu comanda a navegação comercial e, conta o historiador grego, “Graças a seu empenho e audácia, secundados pela fortuna, atulhou os mercados de trigo e o mar de navios. A abundância de provisões foi suficiente até mesmo para os povos de fora, qual fonte cujas águas inestancáveis saciam o mundo inteiro.”<a href="#_edn4">[4]</a> No caso de Pessoa, adquirem conotação metafórica: viver é “gozar a vida”; navegar é “criar”.</p>



<p>A relação entre os dois termos permanece, basicamente, a mesma: trata-se de escolher entre o navegar e o viver. Mediada e imposta pela necessidade, a escolha parece não existir. No entanto, a primeira não elimina a segunda. O que faz é fundar e afirmar um valor heterodoxo e paradoxal: na contramão da opinião comum e corrente – que toma como óbvio e natural o viver para, até tautologicamente, “aproveitar a vida” –, sustenta que o viver não é necessário. Quanto a isso, Pompeu é extremo e Pessoa radical.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A ideia de necessidade, em Pompeu, põe momentaneamente em jogo o viver no sentido de manter-se vivo – ou seja, de não morrer. Para ele e os marinheiros sob seu comando, ela envolve o risco de perderem suas vidas, ainda que em benefício de vidas alheias (é em sua busca de mantimentos e víveres, essenciais para o sustento e a nutrição dos povos, que os navios enfrentam o mar encapelado).</p>



<p>Em Fernando Pessoa, ela dispõe um programa para toda a existência, espraiada por todo seu horizonte. O que está em questão, em seu caso, não é o viver como subsistir (pode-se mesmo supor que ele deva ser assegurado, no que concerne à satisfação das necessidades básicas), mas o que costuma – ou costumava, até há pouco – responder pelo nome de “curtição”. O poeta para o qual viver não é preciso prontifica-se a abrir mão do seu gozo e mesmo a sacrificá-lo em favor da criação artística – não por um momento, como o navegante que enfrenta o transe de um mar tempestuoso, mas por toda a existência, dia após dia, contínua e persistentemente.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em ambos os casos, se o navegar, em última análise, não elimina o subsistir, é na mesma medida em que a ele se oferece como valor. E, como todo valor, esse também se dispõe no plano da liberdade – para ser escolhido ou recusado. A necessidade com a qual ele é gravado não exclui a escolha, porque ela é passível de ser rejeitada <em>in limine</em>, podendo-se mesmo dizer que, se é afirmada, é porque tudo conspira contra ela: no mundo dos valores mais frequentemente cultivados e cultuados pela maioria, essa necessidade é questionada e relativizada, confundida com obrigação, interpelada, aferida e cobrada em termos de relação custo/benefício (“a troco de quê o navegar é necessário?, qual é o proveito, o lucro dessa necessidade?”). Se é certo que nenhuma necessidade, em si mesma, precisa ser justificada (pelo contrário, é ela que pode justificar aquilo sobre o qual recai), ocorre que essa necessidade só existe se é escolhida, valorada.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Somente quando é escolhida e assumida como valor, essa necessidade dispensa justificativas: uma vez afirmado seu caráter de necessidade, o navegar deixa o mundo da contingência e enfuna-se com os ares de um mar absoluto, em que o norte e o sentido do navegar são o próprio navegar. Indiferente tanto à bonança quanto à procela, ele mantém-se e prossegue, independentemente de ganhos e perdas, sucessos e fracassos, bastando-se a si mesmo. Ao tomar por divisa o “navegar é preciso”, o poeta erige a criação artística como valor absoluto, prescindindo de qualquer outro parâmetro ou critério de valoração que não o próprio trabalho criativo: cria incondicionalmente, mesmo em meio a dúvidas e incertezas, mesmo sem a esperança de compensações e recompensas (de remuneração, celebridade, respeito, reconhecimento). A necessidade de seu navegar é radical nesse sentido de se arraigar em seu cotidiano, de ancorar em sua vontade, de fazer coincidir com seu próprio ser o trabalho de criar – o fogo que ele consagra à humanidade e no qual consome seu corpo e sua vida.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A frase é gloriosa, escreve Fernando Pessoa, e é de se presumir que o faz pensando naqueles para quem “tudo vale a pena”, em cujas almas ela deve calar fundo, ou encontrar seu devido lastro: nelas é que a glória mais íntima, mais consistente e substancial advém desse fogo que arde não por esse ou aquele capricho, por essa ou aquela paixão, mas unicamente porque tem de arder – por necessidade. Tais almas e tal necessidade pertencem-se mutuamente: aquelas não são pequenas justamente na medida em que são a consciência e a escolha dessa necessidade.</p>



<p>Roberto Goto é professor e escritor, tendo escrito, entre outras obras, <em>De um outono verão adentro</em> (novela), <em>Lettera e Neon </em>(romance) e <em>Eustáquio &amp; Joaquim</em> (ensaio).</p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<p><strong>Notas bibliográficas</strong>:</p>



<p>[1] Plutarco, <strong><em>Vidas Paralelas</em></strong><em> </em>(<em>Pompeu</em>, 50). Trad. Gilson César Cardoso. São Paulo: Ed. Paumape, 1992, v. IV, p. 98. Na obra, a biografia do romano Pompeu é posta em comparação com a do grego Agesilau.</p>



<p><a href="#_ednref2">[2]</a> Rónai, Paulo. <strong><em>Não perca seu Latim</em></strong>. 8ª impressão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996, p. 115-116.</p>



<p><a href="#_ednref3">[3]</a> Pessoa, Fernando. Seleção Poética. Rio de Janeiro: Cia. José Aguilar Ed., 1971, p. 9.</p>



<p><a href="#_ednref4">[4]</a> Plutarco, op. cit., p. 98-99.</p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/05/sob-o-signo-da-necessidade/">Sob o signo da necessidade</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DUZENTOS ANOS DE CHARLES BAUDELAIRE</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/04/duzentos-anos-de-charles-baudelaire/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 17:08:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Baudelaire]]></category>
		<category><![CDATA[Efeméride]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Carlos R Borges]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste ano comemora-se o bicentenário do escritor francês CHARLES BAUDELAIRE, nascido em Paris em 09 de abril de 1821. O autor deste retrato de Charles Baudelaire, 1863, é Etienne Carjat (fotógrafo), Paris-França.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Neste ano comemora-se o bicentenário do escritor francês CHARLES BAUDELAIRE, nascido em Paris em 09 de abril de 1821.</p>



<p>Autor de uma obra literária que compreende “Pequenos Poemas em Prosa ou o Spleen de Paris”; traduções como as desenvolvidas em torno da obra de Edgard Allan Poe; crônicas sobre os vícios e costumes daqueles meados do século dezenove; reflexões sobre estética, literatura, artes plásticas e visuais (“Paraísos Artificiais”, “Meu Coração Desnudado”, “O Pintor da Vida Moderna”, “Obra e Vida de Delacroix”), Baudelaire notabilizou-se, sobretudo, por seu livro de poemas intitulado “Fleurs du Mal” (Flores do Mal).</p>



<p>Publicado em 1857, naquele mesmo ano algumas das peças integrantes do livro produziram imediato escândalo junto aos moralistas de plantão. A partir de um artigo divulgado pelo jornal “Le Figaro”, instaurou-se uma investigação judicial contra o poeta e contra seus editores, Poulet-Malassis e De Broise, por “ofensa à moral religiosa, à moral pública e aos bons costumes”. Ao final do processo o poeta e seus editores foram condenados em penalidades de multa e o livro teve de sofrer a amputação de seis dos poemas que o integravam. Sua reabilitação, no âmbito judicial, sobreviria apenas em meados do século vinte.</p>



<p>Baudelaire faleceu em 31 agosto de 1867. Seu nome se inscreveria no panteão dos maiores poetas de todos os tempos e como introdutor da modernidade na arte poética.</p>



<p>Ao longo dos anos tive oportunidade de escrever por várias vezes a seu respeito e de sua obra. Ainda na década de 1980, a Revista então mantida pela Associação Paulista de Magistrados (APAMAGIS) divulgou um texto intitulado “Poetas no Banco dos Réus” (onde também abordado o processo judicial enfrentado por Paul Verlaine depois de haver atirado contra Arthur Rimbaud); no suplemento literário do jornal Correio Popular, de Campinas, “Domingo Cultura”, edição de 27/06/1982, publicou-se “Maldito Baudelaire” (“maldito” foi o epíteto com que o mesmo Verlaine definiu &nbsp;companheiros seus na atividade poética, como Baudelaire, Rimbaud e outros: “Les Poètes Maudits”).</p>



<p>Já nos anos mais recentes, o Caderno C do Correio Popular, acolheu dois outros artigos meus: “O Poeta no Meio da Rua” e “O Salmo de Baudelaire”.</p>



<p>Aquele texto de 1982, ora revisto, e mais outro, inédito, vão a seguir, nossa modesta homenagem ao grande poeta francês em seu bicentenário.</p>



<p>MALDITO BAUDELAIRE</p>



<p>O jornal Correio Popular, no suplemento “Domingo Mulher” (antecessor do “Domingo Cultura”, coordenado por Eustáquio Gomes e Roberto Goto), em sua edição de 27/06/1982, publicava um texto de minha autoria, intitulado “Maldito Baudelaire”, contendo a tradução de um dos poemas mais “amaldiçoados” do livro “Le Fleurs du Mal”, intitulado “A celle qui est trop gaie”, um dos seis que foram condenados à supressão pelas autoridades judiciárias que julgaram ação movida contra <strong>Charles Baudelaire</strong> e seus editores.</p>



<p>Destaquei, no breve ensaio que precede a tradução do poema, “sua estrutura, cujos versos iniciais sugerem uma típica concepção romântica da mulher e da natureza, mas cujo desenvolvimento logo se encaminha para outro sentido, rumo a um desfecho pleno de erotismo e perversão, caracteristicamente baudelairiano”. É como, ora acrescento, se o poeta, integrante, ao menos cronologicamente, do período romântico da poesia francesa, esboçasse os primeiros versos segundo os cânones da Escola, para, num crescendo, se empenhar em os infringir, transgredir e implodir, culminando no magnífico verso final: “T’infuser mon vénin, ma soeur!”. Registro, aqui, aquela tradução:</p>



<pre class="wp-block-verse"></pre>



<p>Teu rosto, teu gesto preclaro</p>



<p>São belos como uma paisagem;</p>



<p>O riso brinca em tua imagem</p>



<p>Qual fresca brisa no céu claro.</p>



<p>O passante detém os passos</p>



<p>Se o roças com leviandade,</p>



<p>Deslumbrado ante a claridade</p>



<p>De teus ombros e de teus braços.</p>



<p>Pois as resplandecentes cores</p>



<p>Que com tuas vestes suscitas</p>



<p>Despertam na alma dos artistas</p>



<p>As imagens de um balé de flores.</p>



<p>Loucos trajes são o estandarte</p>



<p>De tua alma, rútilo ornato;</p>



<p>Louca, que me pões, insensato,</p>



<p>A amar tanto como odiar-te.</p>



<p>Certa vez, num jardim perfeito,</p>



<p>Indo a arrastar minha apatia,</p>



<p>Vim a sentir, com ironia,</p>



<p>O sol dilacerar meu peito.</p>



<p>A primavera em esplendor</p>



<p>Tanto humilhou minha tristeza</p>



<p>Que a insolência da natureza</p>



<p>Eu castiguei sobre uma flor.</p>



<p>Assim, na noite, sem alarde,</p>



<p>Hora de volúpias e agouros,</p>



<p>Para os teus íntimos tesouros</p>



<p>Vou me arrastar como um covarde.</p>



<p>E punir-te a carne radiosa,</p>



<p>Maltratar teu seio vencido,</p>



<p>Abrir em teu flanco aturdido</p>



<p>Uma ferida dolorosa;</p>



<p>E, doce vertigem malsã,</p>



<p>Através estes lábios úmidos,</p>



<p>Mais estuantes e mais túmidos,</p>



<p>Injetar meu veneno, irmã!</p>



<p>******</p>



<p>L’HÉAUTONTIMÔROUMÉNOS</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O título deste artigo corresponde ao de um poema de <strong>Charles Baudelaire</strong>, incluído em seu livro “Les Fleurs du Mal” (As Flores do Mal), publicado em 1857. A expressão é originária do grego clássico; deixei de optar, em meu tempo de colégio no Culto à Ciência, pelo aprendizado do idioma grego, então opcional entre as disciplinas do curso clássico; porém, segundo informam algumas edições do livro de Baudelaire, a expressão se traduz como “o carrasco de si mesmo”, ou “aquele que se aflige a si próprio”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de um poema caracteristicamente baudelairiano, que se inicia com os versos “Je te frapperai sans colère / et sans haine – comme um boucher!” (Eu te baterei sem cólera e sem ódio – como um açougueiro!), e se encerra com estes, que concretizam a definição, autodestrutiva, anunciada no título:</p>



<p>Je suis la plaie et le couteau!</p>



<p>Je suis le soufflet et la joue!</p>



<p>Je suis les membres et la roue,</p>



<p>et la victime et le bourreau!</p>



<p>Je suis de mon coeur le vampire</p>



<p>– Un de ces grands abandonnés</p>



<p>Au rire éternel condamnés</p>



<p>Et qui ne peuvent plus sourire!</p>



<p>Em tosca tradução: Eu sou a chaga e a faca! Eu sou o tapa e a cara! Eu sou os membros e a roda (o instrumento de suplício que esticava braços e pernas até rompê-los), e a vítima e o carrasco! Eu sou o vampiro de meu coração – um desses grandes abandonados, condenados ao riso eterno e que não podem mais sorrir!</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na realidade, o título foi tomado de empréstimo por Baudelaire a uma comédia latina de<strong> Terêncio</strong> (190-159 a.C).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Publius Terentius Afer foi uma figura peculiar da literatura romana da Antiguidade. Originário do norte da África, tendo nascido em Cartago, foi conduzido como escravo a Roma e nessa condição permaneceu até ser liberto por seu senhor, o senador Terêncio Lucano, do qual herdou o nome e a instrução erudita que lhe foi ministrada. A qual lhe permitiu aventurar-se, com sucesso, na escritura de peças teatrais, entre as quais aquela de nome “Heautontimorumenos”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Algumas frases extraídas das obras de Terêncio se perenizaram e até mesmo se popularizaram, como esta: “quot homines, tot sententiae”, de que se originou a expressão proverbial “Cada cabeça, cada sentença”. Ou esta outra, formulada exatamente na comédia em questão: “Homo sum; humani nil a me alienum puto”, de que derivou, entre nós, a afirmação de que “nada do que é humano me é estranho”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de expressão que parece nascida do repertório psicanalítico, mas que em verdade foi utilizada por Terêncio num contexto mais prosaico, em que um pai procura justificar sua conduta mais severa adotada em relação a um filho. E que, por sua vez, parece ecoar dito semelhante, formulado já em tom solene pelo grego <strong>Sófocles</strong> (século V a.C) e incluído na abertura do primeiro Coro de sua “Antígona”: “Muitas são as coisas estranhas; nada, porém, há de mais estranho que o homem”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse trecho da tragédia de Sófocles&nbsp; mereceu de <strong>Martim Heidegger</strong> uma profunda análise em sua “Introdução à Metafísica” (1953), em que o filósofo alemão, como de hábito, mergulha na busca do sentido primordial que cada palavra dessa peça deveria assumir na língua grega original, vislumbrando, por exemplo, na frase inaugural do coro (e na noção de “estranheza” nele encerrada), uma concepção do homem “pelos limites supremos e pelos abismos mais surpreendentes de seu ser”, acrescentando que “tal ser só se revela e se abre a um projeto poético-pensante”, como a assinalar que através da filosofia e da poesia é que o ser humano poderá se desvelar em toda a sua ilimitada e “estranha” dimensão.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Arrematando esse breve itinerário, a expressão “nada do que é humano me é estranho” assinala como que um emblema, um estandarte da poética do próprio Baudelaire, que em sua tematização do humano não recua diante dos aspectos mais extremados, radicais e obscuros, perscrutando, inclusive em si próprio, aquilo que a essência humana contém de mais sublime e de mais sórdido, sondando-o nas experiências de êxtase e nas provações dos abismos.</p>



<p><strong>Luiz Carlos R. Borges, Secretário Geral do CCLA </strong></p>



<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p><strong>e responsável por seu Departamento de Literatura</strong></p>
</div>



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		<title>CCLA é fonte permanente de pesquisas, estudos e teses acadêmicas</title>
		<link>https://ccla.org.br/2014/08/ccla-e-fonte-permanente-de-pesquisas-estudos-e-teses-academicas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Aug 2014 18:57:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) é fonte permanente de pesquisas, estudos e...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) é fonte permanente de pesquisas, estudos e teses acadêmicas. Já foram produzidas dezenas de teses de mestrado e doutorado com base no acervo do CCLA, e particularmente na sua histórica biblioteca.</p>
<p>A própria biblioteca foi tema de Dissertação de Mestrado, de Sônia Midori Takamatsu, apresentada em 2011 na Faculdade de Educação da Unicamp. A Dissertação “A Biblioteca Cesar Bierrenbach: o Centro de Ciências, Letras e Artes e a utopia do conhecimento” foi orientada pela Profa.Dra.Lilian Lopes Martin da Silva.</p>
<p><figure id="attachment_156" aria-describedby="caption-attachment-156" style="width: 670px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-156" src="http://ccla.vizii.com.br/wp/wp-content/uploads/2014/08/ccla-noticias-fonte-permanente.jpg" alt="Foto: Martinho Caires" width="670" height="460" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2014/08/ccla-noticias-fonte-permanente.jpg 670w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2014/08/ccla-noticias-fonte-permanente-300x205.jpg 300w" sizes="(max-width: 670px) 100vw, 670px" /><figcaption id="caption-attachment-156" class="wp-caption-text">Foto: Martinho Caires</figcaption></figure></p>
<p>Na tese, a autora discorre sobre as origens e a trajetória da biblioteca que leva o nome do grande idealizador do CCLA, o advogado João Cesar Bierrenbach. A pesquisa permite o acompanhamento de como foi montada a importante coleção de livros, periódicos e outros materiais reunidos na biblioteca.</p>
<p>A Biblioteca “Cesar Bierrenbach”, informa a autora, foi criada em 1908. A autora observa ainda que o acervo foi constituído em sintonia com o ideário republicano que marcou a própria fundação do CCLA e muito marcado pelo ideário positivista.</p>
<p>Outro dado relevante, de acordo com a Dissertação de Mestrado de Sônia Midori Takamatsu, é o fato de que a criação da “Revista do Centro de Ciências, Letras e Artes”, em 1902, permitiu a ampliação do acervo de jornais e revistas da biblioteca. Isto porque, com a revista, foi incrementado o intercâmbio com organizações brasileiras e estrangeiras que tinham suas publicações próprias.</p>
<p>Entre as obras ofertadas ao CCLA pelos próprios autores, como cita a autora, estão “Os Sertões”, de Euclides da Cunha; “A Cidade de Campinas em 1901” (um almanack editado pelo jornalista Leopoldo Amaral); “O Romanceiro”, de Coelho Netto (além de conferências do autor); e A Antropologia no Estado de São Paulo”, de H. Ilhering, fundador da “Revista do Museu Paulista”.</p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2014/08/ccla-e-fonte-permanente-de-pesquisas-estudos-e-teses-academicas/">CCLA é fonte permanente de pesquisas, estudos e teses acadêmicas</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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