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	<title>História do CCLA | CCLA</title>
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	<description>Centro de Ciências, Letras e Artes</description>
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	<title>História do CCLA | CCLA</title>
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		<title>A Casa de César aos cento e vinte anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 20:18:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[César Bierrenbach]]></category>
		<category><![CDATA[História do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Castanho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sérgio Castanho Não, não vou falar aqui do palácio em que vivia o imperador romano...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="has-text-align-right"><strong><em>Sérgio Castanho</em><br></strong></p>



<p class="has-text-align-left">Não, não vou falar aqui do palácio em que vivia o imperador romano Júlio César. Quando me refiro à “casa de César”, é de César Bierrenbach que estou falando e sua casa não é o palácio bimilenar do imperador de todas as Gálias, mas o Centro de Ciências, Letras e Artes, a “Casa de César”, que esse ilustre campineiro fundou ao lado de outros expoentes da cultura de Campinas há cento e vinte anos, que se completam neste domingo 31 de outubro.<br>Pois foi a 31 de outubro de 1901, mal inaugurada a vigésima centúria de nossa época, que se fundava em Campinas o Centro, que no projeto inicial seria “de Ciências”, para apoiar aqui o avanço das ciências naturais. Cabe lembrar que décadas antes se criara na cidade um colégio cujo nome não deixava dúvida quanto à orientação cientificista de seus idealizadores: “Culto à Ciência”. Acresce a isso o fato de sediar Campinas o maior núcleo de pesquisa científica do país, o Instituto Agronômico. Mas o escopo da nova entidade transbordou do culto às ciências da natureza para banhar toda a área das ciências do espírito. Por sugestão do escritor Coelho Neto, membro da Academia Brasileira de Letras, na ocasião radicado nesta cidade por aqui lecionar no Culto à Ciência, então tornado estadual com o nome de Ginásio de Campinas, o novo Centro se dedicaria também às letras e às artes. Surgia assim o Centro de Ciências, Letras e Artes. &nbsp;<br>A primeira presidência da entidade, a cargo de Leôncio de Carvalho, seria logo assumida pelo vice, o intelectual, escritor e cientista José de Campos Novais. Da diretoria fariam parte o notável tribuno César Bierrenbach e o celebrado escritor Coelho Neto. Numa época em que as comunicações eram difíceis, a diretoria do Centro, antenada com o mundo, decidia enviar, no mesmo dia de sua fundação, e por sugestão de Coelho Neto, mensagem de congratulação a Santos Dumont, por ter sobrevoado Paris e contornado a Torre Eiffel apenas doze dias antes. No ano seguinte já se discutia no Centro a obra de Victor Hugo; palestrava-se sobre Graça Aranha, grande incentivador mais tarde da Semana de Arte Moderna de 22, e seu <em>Canaã</em>; Coelho Neto apresentava <em>Os Sertões</em>, de Euclides da Cunha, mal saído da prensa em 1902; o próprio Euclides viria a Campinas em seguida e manteria contato com Campos Novais, além de entabular rica correspondência com Coelho Neto; numa das sessões, a abertura da ópera <em>Lohengrin</em>, de Wagner, foi executada por orquestra regida por Santana Gomes. Campinas vivia, como dizem hoje os madrilenhos de sua agitada vida intelectual, <em>una movida cultural</em>, acelerada pelo Centro.<br>Um dos mais expressivos frutos do CCLA foi sua <strong><em>Revista</em></strong>. O primeiro número saiu já em 1902. Dirigiram-na e nela colaboraram grandes vultos das ciências, das letras e das artes do país, Campos Novais, Coelho Neto, Alberto Faria – a lista completa exigiria uma nova crônica. Em 1976 este cronista dirigiu-a e editou o número comemorativo dos 75 anos do Centro.<br>Quando comecei a frequentar o Centro de Ciências, por volta de 1975, presidia-o Herculano Gouveia Neto, vereador, ministro protestante, não me lembro que mais. Uma curiosidade: havia no térreo da imponente sede da rua Bernardino de Campos uma sala com um equipamento de som e mais de uma cabine individual em que o ouvinte podia escutar a música que escolhesse com fones de ouvido. Foi ali que ouvi pela primeira vez o <em>Boléro </em>(me ensinaram que era para pronunciar “bolerrô”), de Ravel; e foi ali que o amigo Alexandre, o mais tarde celebrado linguista e musicólogo José Alexandre dos Santos Ribeiro, explicou-me que o andamento arrastado e repetitivo da peça reproduzia o arrastar-se de uma caravana no deserto.<br>A biblioteca do Centro, por longo tempo dirigida por Maria Luísa Pinto de Moura, tem o nome de César Bierrenbach e abriga um verdadeiro tesouro bibliográfico. A pinacoteca não fica atrás e ostenta obras notáveis de Lasar Segall, Pedro Alexandrino, Nicotta Ferraz&#8230; Os museus de Campos Sales e de Carlos Gomes guardam preciosidades do presidente e do operista.<br>Ao completar 101 anos, em 2002, o Centro ganhou um livro, <em>CCLA 101</em>, sendo autores o escritor Luiz Carlos Ribeiro Borges e o jornalista Gustavo Osmar Mazzola, tendo como presidente Marino Ziggiatti. A galeria de ex-presidentes tem muitos nomes ilustres, que não me atreveria a arrolar, mas dos quais pelo menos me lembrar posso de Álvaro Cotomacci, meu professor de inglês no curso ginasial, de Rodolpho Bueno, engenheiro calculista, de Dayz Peixoto Fonseca, minha colega de faculdade, e por aqui paro.<br>Hoje o Centro de Ciências, Letras e Artes é presidido pelo tenor Alcides Ladislau Acosta, talentoso e operoso líder cultural da mesma têmpera dos Marinos, tendo como vice Clarissa Mendes Nogueira e como secretário geral o escritor Luiz Carlos Ribeiro Borges. Na próxima quinta-feira 28 haverá às 17 horas a comemoração dos 120 anos na sede do CCLA. Nesse dia, que antecipa o 31 de outubro, irei dar um abraço ao Alcides, apagar uma das cento e vinte velinhas do Centro, assistir à exposição das telas de Fúlvia Gonçalves que estarão ao lado das reproduções de poemas de Mallarmé, traduzidos pelo saudoso amigo e escritor ímpar Joaquim Fontes. Saudade dos rapazes do Centro. Saudade de cada canto onde mora uma saudade, como cantou e chorou Coelho Neto. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Sérgio Castanho</strong>&nbsp;é pesquisador e professor de História da Educação na UNICAMP e titular do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas e da Academia Campinense de Letras (ACL).</p>
</blockquote>



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		<title>O Centro Conta sua História</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/04/o-centro-conta-sua-historia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Apr 2021 22:22:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[´Gustavo Mazzola]]></category>
		<category><![CDATA[História do CCLA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gustavo Omar Corrêa Mazzola 31 de outubro de 2014. É uma noite de festas no...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/04/Mazzola-2.png" alt=""/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Tudo teve início com a ideia de César Bierrenbach e de intelectuais&nbsp;motivados pela filosofia positivista, com apoio de cientistas do Instituto Agronômico e mestres do colégio Culto à Ciência.</p>
</blockquote>
</div></div>



<p>Gustavo Omar Corrêa Mazzola</p>



<p>31 de outubro de 2014. É uma noite de festas no Centro de Ciências, Letras e Artes, em Campinas: todos alegres, orgulhosos, estão comemorando os 113 anos de sua fundação. O presidente Marino Ziggiatti já abriu a solenidade, a curadora do Museu Carlos Gomes, Dra. Lenita W. Mendes Nogueira, falou sobre a data e, agora, a plateia aprecia a parte artística, o recital dos vencedores do VII Concurso Estímulo para Jovens Cantores Líricos, a mais importante realização do ano da entidade.</p>



<p>Sentado na terceira fileira, primeira poltrona do lado direito do auditório, desligo-me de tudo ao meu redor e, ao som das inspiradas interpretações líricas que invadem o ambiente, sinto como se, diante de mim, desenrolasse uma vibrante história, a história do Centro: o que de importante aconteceu nos seus mais de cem anos. Vamos, mergulhe comigo nessas lembranças.</p>



<p>31 de outubro de 1901. O final do século XIX definia a fisionomia física, social e cultural de Campinas. A partir de investimentos na região, em 1872, começava a ser implantada uma rede ferroviária, que rapidamente se ampliou. Surgiram inúmeros edifícios públicos e particulares, marcando o ingresso da cidade na modernidade: a estação da estrada de ferro, a Santa Casa de Misericórdia, a Beneficência Portuguesa, o Rinque de Patinação, a Catedral. Já tínhamos a iluminação a gás e os bondes &#8211; com tração animal -, expandiam-se os meios de comunicação.</p>



<p>Neste cenário começou a existir o Centro de Ciências, Letras e Artes. Tudo teve início com a ideia de César Bierrenbach e de intelectuais&nbsp;motivados pela filosofia positivista, com apoio de cientistas do Instituto Agronômico e mestres do colégio Culto à Ciência. Inicialmente, pensavam formar um grêmio de estudos científicos, projeto que logo evoluiu para uma aventura muito maior, a criação do Centro de Ciências, Letras e Artes, associação privada instituída em histórica Assembleia Geral no Clube Campineiro. 99 fundadores aprovaram os estatutos da nova sociedade.</p>



<p>Ao longo dos anos, a entidade, que trazia entre seus princípios fundamentais o desenvolvimento da cultura, através das ciências, das letras e das artes, prosperou, marcando pontos na história cultural da cidade.&nbsp; Um ano depois de sua fundação, já tinha uma sede, o pavimento superior de um prédio na Barão de Jaguara, cedido pela mãe de Cesar Bierrenbach, e, mais cinco anos, inaugurava uma outra em majestoso prédio na esquina da Francisco Glicério com a Conceição.</p>



<p>As atas de suas reuniões contam, formalmente, a história e as realizações do Centro de Ciências. Mas, os registros mais notáveis e mais acadêmicos de tudo isso estão nas páginas de sua revista, editada ao longo dos anos, o que constitui um verdadeiro repositório dos ideais dos fundadores e de seus continuadores. Ainda hoje, a Revista do Centro de Ciências é editada, cumprindo suas finalidades previstas deste a criação.</p>



<p>Aí chegamos à década de 50. Já instalado na Rua Bernardino de Campos, o Centro de Ciências passou a viver um período de renovação: a partir do presidente João de Souza Coelho, integram-se novos nomes à entidade, como Roberto Pinto de Moura, Marino Ziggiatti (veio para implantar um cineclube e não saiu mais dali), Rodolfo Bueno, Francisco Isolino de Siqueira, Bráulio Mendes Nogueira, José Roberto do Amaral Lapa, José Alexandre dos Santos Ribeiro e Alberto Amêndola Heinzl. Formavam o “Movimento Renovador”. Desse momento em diante, movido pelas novas concepções e conceitos culturais que animavam aquela geração, o Centro transformou-se, despertando o interesse da comunidade. Resultado: um crescimento atípico de associados, que beirou a mil.</p>



<p>Assim, o Centro conta sua história. E com uma realidade que se observa hoje: os ideais de 113 anos atrás ainda são os mesmos, com a entidade seguindo firme no campo das ciências, das letras e das artes.&nbsp; Estão aí os seus museus, Carlos Gomes e Campos Salles, sua pinacoteca, sua biblioteca onde guarda registros históricos memoráveis, seus eventos culturais, seu novo e atualizado site na Internet. E, agora, com um plano audacioso, a construção de uma moderna sede no alto do Taquaral.</p>



<p>31 de outubro de 2014. Do meu lugar, desperto dessas divagações tendo ainda nos ouvidos alguma coisa do encanto erudito dos cantores líricos da noite. Entregam-se diplomas aos ganhadores e personalidades, encerra-se o programa de festas: agora vamos todos para um coquetel no salão ao lado, que esse é o momento de comemorar o acontecimento com uma boa taça de champanhe: um brinde ao Centro de Ciências!</p>



<p><strong>Gustavo Mazzola</strong></p>



<p>Jornalista e membro da Academia Campinense de Letras</p>



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<p></p>
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		<title>O fabuloso Cesar Bierrenbach</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Apr 2021 21:54:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[César Bierrenbach]]></category>
		<category><![CDATA[História do CCLA]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure class="wp-block-image size-large is-resized is-style-rounded"><img decoding="async" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/04/Cesar-Bierrenbach-monumento.jpg" alt="" class="wp-image-527" style="width:330px;height:330px"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Herma de César Bierrenbach feito pelo escultor Rodolpho Bernardelli. Está localizado na praça frontal à Basílica de N. Sra. do Carmo.</strong></figcaption></figure>



<p>Neste 2021, 7 de abril, completam-se 149 anos do nascimento do fundador do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, (CCLA), João César Bueno Bierrenbach. Nascido em 1872, César Bierrenbach é um dos mais admiráveis intelectuais que agrandaram e dignificaram esta cidade. Sabe-se por sua biografia que, dotado de grandes ideais e valores, possuiu oratória vibrante e fluente. Daí seu reconhecimento como tribuno e polemista. Advogado, dono de extensa e invejável cultura, marcou sua trajetória como Professor titular de História Geral do Ginásio do Estado (após, Colégio Culto à Ciência). Também foi jornalista, poeta e vanguardista defensor do latino americanismo.</p>



<p>O antigo bairro de Santa Cruz, onde se localiza atualmente a Praça XV de Novembro, foi o solo de sua infância, na enorme propriedade de seu pai, o capitão João Antônio Bierrenbach que, em 1857, introduziu em Campinas, quiçá, a primeira fábrica, dedicada à confecção de chapéus. César Bierrenbach foi o terceiro membro dessa prole campineira dos Bierrenbach, antecedido pelas irmãs, Maria Carolina e Albertina Carolina. Teve outras duas irmãs, Vicentina e Noêmia. Sua mãe, Maria Clementina da Silva Bueno Bierrenbach, foi senhora muito atuante na filantropia da sociedade de então, filha de Vicente Ferreira da Silva Bueno, bacharel em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco (1838), subsequentemente, juiz de Direito em Campinas e outras cidades, desembargador do Tribunal de Relação do Rio de Janeiro, cavaleiro da Ordem de Cristo e parlamentar de grande prestígio.</p>



<p>As irmãs Vicentina e Noêmia destacavam as qualidades do pai, o capitão João Antônio Bierrenbach, a quem definiam como homem “cinquenta anos à frente de seu tempo” e um “gentleman”, e afirmavam que César Bierrenbach herdara dele a mesma “energia e clarividência”. Ainda segundo referidas irmãs, a mãe, d. Maria Clementina, por sua vez, legou a César sua “vivacidade e fidalguia” (in Produções Literárias, obra que elas fizeram publicar, contendo vários textos e poesias de César Bierrenbach, em julho de 1937). Certo é que César, após ficar órfão de pai em 1882, foi privilegiado com primorosa educação nos colégios São Luís, de Itu, e Culto à Ciência, de Campinas. Aluno brilhante em Humanidades no educandário católico de Itu, adquiriu fluência no francês, italiano, alemão, inglês e espanhol, além de domínio perfeito do Português. Cursou, ao lado de outros jovens bem-nascidos, a Faculdade de Direito de São Paulo (1889 a 1892).</p>



<p>César Bierrenbach cresceu contemplado pela ânsia de realizações as mais elevadas. Isso começa a se manifestar ao longo de sua fase de estudos jurídicos na capital paulistana. Quem, hodiernamente, contempla a multidão de pedestres a transitar no Viaduto do Chá não faz ideia que, ao tempo de César, para passar naquela ponte que ligava o bairro ao centro de S. Paulo, o transeunte deveria pagar um pedágio ao município. A primeira façanha de nosso jovem e candente tribuno, em ato naquele local, diante de grande assistência, foi pronunciar inflamado discurso onde abominava o vexatório tributo. Sua palavra obteve tal repercussão que a cobrança foi abolida e a passagem liberada ao povo. Os eloquentes discursos de César Bierrenbach provocavam admiração de quantos o ouviam. Em nova e fervorosa campanha o tribuno reivindicou para que três gloriosos poetas, graduados na Academia do Largo de São Francisco, tivessem seus nomes inscritos sobre os portais de entrada no edifício: Castro Alves, Álvares de Azevedo e Fagundes Varela. Era a sua homenagem aos admiráveis vates de sua predileção.</p>



<p>Graças aos seus inspirados improvisos, tidos pelos seus contemporâneos como os mais empolgantes e arrebatadores, César Bierrenbach conquistou mentes e corações em muitos embates e saudações cívicas memoráveis, como a acolhida ao féretro de Carlos Gomes que aportava no Rio de Janeiro e, depois, em Campinas. O imponente monumento túmulo ao Maestro, erguido no Marco Zero da cidade, é produto de sua tenaz e incansável capacidade de aglutinar os cidadãos em torno de um ideal. E a fundação do Centro de Ciências, Letras e Artes, cuja aspiração medrou nos anseios de personalidades como o Prof. Henrique Maximiano Coelho Netto, José de Campos Novaes, Francisco de Paula Magalhães Gomes, Henri Potel e de Adolph Hempel, entre outros, foi consolidada e concretizada por César Bierrenbach. A primeira sede provisória do CCLA funcionou em casa cedida pela genitora do fundador, d. Maria Clementina, assim como a construção da primeira sede da entidade, na rua Francisco Glicério, esquina da rua Conceição, contou com o esforço pertinaz do fundador.</p>



<p>César Bierrenbach, podemos dizer, tinha a têmpera de um desbravador apaixonado, que viveu impulsionado pelas fibras do coração. Esse caráter sonhador e criativo o levou ao final trágico, apenas atingidos seus 35 anos de idade. A 2 de julho de 1907, desiludido em seu amor por Hortênsia, terceira e filha mais nova do Barão do Rio Branco, que o rejeitou, (Hortência casar-se-ia em 1909 com o adido diplomata e industrial belga Léon Hamoir), César pôs cobro à vida deixando desolados seus muitos admiradores. Em 6 de março de 1908 o prefeito Orosimbo Maia sancionou ato dando à antiga “rua do Góis” a denominação de rua César Bierrenbach, na área central de Campinas.</p>



<p>Alcides Ladislau Acosta</p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/04/o-fabuloso-cesar-bierrenbach/">O fabuloso Cesar Bierrenbach</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Os rapazes do Centro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 13:30:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Correio Popular]]></category>
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		<category><![CDATA[Sérgio Castanho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sérgio Eduardo Montes Castanho Outro dia o amigo e confrade Jorge Alves de Lima cobrou-me...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li>Publicado no jornal Correio Popular, em 26/01/2021, Caderno C, pág. A14</li>
</ul>



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<p></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-center" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="299" height="320" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/01/sergio-castanho.jpg" alt="" class="wp-image-501 size-full" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/01/sergio-castanho.jpg 299w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2021/01/sergio-castanho-280x300.jpg 280w" sizes="(max-width: 299px) 100vw, 299px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
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</div>



<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p><em>Sérgio Eduardo Montes Castanho</em></p>
</div>



<p></p>
</div></div>



<p>Outro dia o amigo e confrade Jorge Alves de Lima cobrou-me incisivamente: “Sérgio, você precisa com urgência escrever sobre aquela nossa turma que se reunia no Centro de Ciências”. Eu: “É pra já, Jorginho!”<br>E aqui estou a falar de um elenco heterogêneo de rapazes que se reuniam ocasionalmente no Centro de Ciências, Letras e Artes, na segunda metade da década de 1950. Parodiei neste título o amigo, escritor, jornalista Eustáquio Gomes, que em 1992 publicou seu saboroso “Os rapazes d’A Onda e outros rapazes”, sobre um grupo mais antigo, que literalmente fazia onda em Campinas entre 1921 e 1925 e literariamente editava A Onda faz um século.<br>Além do Jorge e deste escriba, quem mais ali se encontrava? Certamente serei traído pela memória, que o prolongado uso transformou numa vaga lembrança. Mas vá lá. Em primeiro lugar falo de Paulinho Del Grecco, magro, elegante em seu terno de casimira inglesa pied-de-poule, gravata italiana, sapato mocassim preto de pelica, meias pretas altas e caneladas, uma figura! Falando com energia, gastava sem parcimônia sua erudição literária e artística em geral, acumulada nos poucos vinte e seis, no máximo vinte e oito anos que tinha na ocasião. Do Del Grecco direi mais depois. Agora apenas lembro que foi ele a me fornecer, a mim mal saído das fraldas, com dez anos a menos que ele, uma lista completa da literatura que deveria ler, com Charles Morgan, Aldous Huxley, Gabriela Mistral, Hoelderlin, Eliot, Lawrence, Rilke – e por aí em fora. Seu nome: Paulo Marcos Nogueira Del Grecco. Ele acrescentava, entre Nogueira e Del Grecco, o nome Bentivoglio, alardeando ser descendente de um certo Marquês de Bentivoglio. Sempre chegava tendo ao lado a figura esguia, de moço bonito, um pouco esquivo, delicado na fala, Antônio Sodini, para nós o Toninho. Excelente pianista, também na faixa etária do Paulinho, Toninho nos deleitava com peças de Debussy que teclava, em audições exclusivas, no piano do Centro de Ciências.&nbsp;<br>Estava sempre entre nós o José Alexandre dos Santos Ribeiro, um metro e noventa, avantajado na altura e no peso. Há pouco nos deixou. Por lá costumava estar a Maria Luísa Pinto de Moura, pessoa culta, afável, sempre disponível para orientar estudantes, era bibliotecária do Centro. Pois o Alexandre acabou casando com ela. Outra cuja presença se impunha era a dona Norma, secretária do Centro, Norma Piason. O presidente, antes da era do dedicado Marino Ziggiati e do atual Alcides Acosta, foi Herculano Gouvêa Neto, vereador, homem severo. Seu irmão mais novo, Clóvis Gouvêa, dado a filosofias, amiúde juntava-se aos rapazes.<br>Inesquecível também, e bastante frequente na turma dos rapazes, era o Chiquinho Abreu – Francisco de Campos Abreu Júnior. Advogado, poliglota, heraldista, conhecia em minúcias a vida da velha Campinas. Certa altura o Chiquinho prestou concurso, com sua rara bagagem passou e foi nomeado para a administração federal. Consta que um dia chegou ao palácio um holandês para falar com o general presidente. O visitante não sabia português e o presidente não sabia holandês. Foi um deus-nos-acuda palaciano. Quem salvou a pátria foi o Chiquinho, que fazia parte da assessoria direta do presidente e era fluente em holandês e outras dez línguas.<br>Às vezes saíamos o grupo todo a caminhar pelas ruas de Campinas. O Chico pontificava. “Estão vendo aquela casa? Ali o regente Feijó&#8230;”. “No florão daquela outra está o ano em que foi edificada, 1874; nela morava o barão&#8230;”. Nessas perambulações juntava-se a nós o comendador Theodoro de Souza Campos Junior, o Teodorinho, varapau com quase dois metros apesar do diminutivo, historiador e genealogista, fez parte da primeira e seleta turma que o professor Sampaio escolheu para a nossa campinense academia literária. Quando o Chico Abreu lançava uma farpa – “O Barão de Itapura andou&#8230;” – logo o Teodorinho, com sua voz fina e pausada de campineiro antigo, trocando quase de propósito os eles pelos erres, atalhava: “O senhor é muito mardoso, seu Francisquinho. O Barão de Itapura era um santo homem!”. Como diria o poeta, meninos eu vi.<br>Outro talento dessa rapaziada era o Heládio Brito, que a sampaial figura também levou para o primórdio da academia. Casado, Heládio fez vida como empresário, sem contudo abandonar as musas que sempre o acompanharam. Ao tempo em que se juntava aos rapazes do Centro, Heládio já poetava e já filosofava. Foi de sua boca que ouvi pela primeira vez o nome de Heidegger. Curioso o diálogo que se seguiu entre Brito e Del Grecco. “Heidegger conseguiu entrar na morada do ser e desvendar todos os seus mistérios”, disse Heládio. “Onde nasceu e onde morava o filósofo?”, perguntou, já sabendo a resposta, o empertigado Paulinho. “Na Alemanha, ora”, falou Brito. “Só podia ser, né? Dá pra ver o Heidegger nascido e morando em Caixa Prego?”, finalizava Del Grecco.<br>Havia outros, alguns fugazes como o cometa, alguns nem tanto. De repente me lembro do Mário Braga, circunspecto, sempre de terno, poucas falas, escritos vários. Virou magistrado, disse o direito com dignidade e competência. Já se foi. Também levado pela última das Parcas foi Stenio Pupo Nogueira. Raríssimas vezes ia ao Centro. Filósofo, economista, escritor, professor universitário recrutado por monsenhor Salim, foi também da sampaial academia. Os rapazes do Centro respeitavam e admiravam seu Stenio. Só de passagem: eram seus irmãos o combativo jornalista Bráulio Mendes Nogueira e o músico Paulinho Nogueira. E foi sua esposa Maria José Moraes Pupo Nogueira, autora do premiado Natal Solitário.<br>Era assim nesses tempos dos rapazes do Centro. Eles e suas artes. Do Paulinho Del Grecco falarei na próxima crônica, que ele merece uma especial.</p>
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		<title>O Berço da Cultura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Feb 2019 18:29:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
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		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="O BERÇO DA CULTURA DE CAMPINAS" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/eEmIcBm5qRk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>O Centro de Ciências, Letras e Artes atinge este ano os seus 118 anos de fundação. Sem dúvida, uma longa trajetória de mais de um século privilegiando a Cultura em Campinas, nas mais diversificadas áreas. Para este ano, agora elevado a Ponto de Cultura, o CCLA cumprirá uma intensa programação cultural, da Música às Artes Plásticas, incluindo também palestras abordando temas da atualidade, no campo das Ciências e da Saúde, oficinas pedagógicas, e ainda, realizará o XII Concurso Estímulo para Cantores Líricos, revelando jovens valores para a cena lírica nacional, em colaboração com a Secretaria Municipal de Cultura. Esteja atento a tudo que acontecerá nos próximos meses. Colabore com o CCLA tornando-se um associado. Entre em contato conosco pelo e-mail ccla@ccla.org.br</p>
<p>Em 2018, através de cuidadoso trabalho do cineasta, escritor e filósofo Fernando Figueirinhas, e trabalho de câmera do documentarista Flávio Machado Homem, foi realizado o curta &#8220;O Berço da Cultura&#8221;, registrando as atividades de nosso CCLA e oferecendo um passeio por suas dependências, inclusive, pelos Museus Carlos Gomes e Campos Salles. Salientamos a entrevista do eng. Marino Ziggiatti, nesse documentário, onde este recorda aspectos das gestões em que esteve à frente da entidade. O Presidente atual é o jornalista e professor Alcides Ladislau Acosta.</p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2019/02/o-berco-da-cultura/">O Berço da Cultura</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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