<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Luiz Carlos R Borges | CCLA</title>
	<atom:link href="https://ccla.org.br/tag/luiz-carlos-r-borges/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://ccla.org.br</link>
	<description>Centro de Ciências, Letras e Artes</description>
	<lastBuildDate>Thu, 23 Nov 2023 19:45:41 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.8.3</generator>

<image>
	<url>https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2014/08/ccla-logo-150x1501-75x75.png</url>
	<title>Luiz Carlos R Borges | CCLA</title>
	<link>https://ccla.org.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>CARLOS FERREIRA, BAUDELAIRIANO</title>
		<link>https://ccla.org.br/2022/06/carlos-ferreira-baudelairiano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jun 2022 20:23:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CCLA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Baudelaire]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Carlos R Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Poeta]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ccla.org.br/?p=688</guid>

					<description><![CDATA[<p>Luiz Carlos R. Borges                   Em seu volume dedicado ao “Simbolismo”, dentro da coleção...</p>
<p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/06/carlos-ferreira-baudelairiano/">CARLOS FERREIRA, BAUDELAIRIANO</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Luiz Carlos R. Borges</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/Carlos-Ferreira-edited-1.jpg" alt="" class="wp-image-691" width="497" height="745.5" srcset="https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/Carlos-Ferreira-edited-1.jpg 337w, https://ccla.org.br/wp/wp-content/uploads/2022/06/Carlos-Ferreira-edited-1-200x300.jpg 200w" sizes="(max-width: 337px) 100vw, 337px" /></figure>


<h2> </h2>


<p>                         Em seu volume dedicado ao “Simbolismo”, dentro da coleção “Roteiro da Poesia Brasileira” editado em 2006 pela Global Editora, em conjunto com o então Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional, colhe-se a seguinte referência, no texto introdutório assinado por Lauro Junkes: “A partir de 1870 projetou-se crescentemente a influência de Baudelaire na poesia brasileira. O primeiro poeta de influência baudelairiana teria sido Carlos Ferreira, com <em>Alcíones</em> (1872)”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como se sabe, ao longo de todo o século dezenove a literatura francesa exerceu influência predominante no desenvolvimento das letras brasileiras (assim como na de outros países). Na segunda metade do século, a escola parnasiana mereceu entre nós inúmeros adeptos, que a praticaram de forma intensa e persistente, ao ponto de quase se transformar numa escola “oficial”, produzindo ícones como Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. O fenômeno se reproduziu (de forma, é certo, meio marginal) em relação ao simbolismo, como foi denominada a linhagem poética que, a partir de Charles Baudelaire e sua transgressão aos moldes românticos, foi implantada por Verlaine, Rimbaud e Mallarmé.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os grandes destaques do simbolismo, no Brasil, foram, reconhecidamente, Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens. Depois deles, no entanto, eclodiu uma nova e brilhante geração, bem destacada no livro mencionado. Mas o interesse pela nova poesia já havia sido despertado anteriormente junto a poetas sintonizados com o que ocorria no outro lado do Oceano, especialmente através da leitura do livro transgressivo e controvertido de Baudelaire, “As Flores do Mal”, editado em 1857. Entre eles, Carlos Augusto Ferreira.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sua inclusão entre os baudelairianos há de merecer destaque (e por isso suscitou nossa atenção), porque Carlos Ferreira foi, além de ficcionista e poeta, também jornalista, com atuação inclusive e especialmente em Campinas. Nascido no Rio Grande do Sul, a certa altura de sua trajetória, ele trasladou-se para nossa cidade, onde a partir de 1876 passou a militar na “Gazeta de Campinas”, como seu redator (ou como “proprietário e diretor”), jornal que entre seus fundadores, em 1869, contava com a figura exponencial de &nbsp;Francisco Quirino dos Santos. A esse respeito anota Duílio Batisttoni Filho, em sua importante obra “Imprensa e Literatura em Campinas nos seus primórdios”, Ed. Pontes, 2016: “Em 1876 a Gazeta passava a ser editada diariamente com feição mais literária tão a gosto de seu redator-chefe, o poeta Carlos Ferreira (1848-1913), que também trabalhara em jornais de São Paulo” (pág.28).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois de algum tempo, Ferreira mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo também residido em Amparo. É importante mencionar que a biblioteca do CCLA dispõe em seus acervos, na seção “Campiniana”, de um romance seu publicado já em 1890, através da Editora Livro Azul, intitulado “Primeira Culpa (Estudo da Vida Social)” e dedicado a seu amigo Machado de Assis.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao mencionado livro de poesia, “Alcíones”, não consta ter sido reeditado; notícias a respeito podem ser encontradas de maneira indireta, como é o caso do estudo intitulado “Les Fleurs du Mal antes de As Flores do Mal: os Primeiríssimos Baudelairianos”, disponível na internet. Seu autor, Ricardo Meirelles, revela que a tradução do poema “Les Balcons” consta do mencionado livro de 1872, sob o título de “Modulações” e o subtítulo de “Imitação de Baudelaire”. Através das inúmeras fontes pesquisadas pelo autor, destaca-se que na referida tradução / imitação, Ferreira se utilizou, livremente, de termos e expressões mais afeiçoadas à sua formação como poeta vinculado ao romantismo. Como estas: “Saudosa inspiração da lúcida poesia! / Que é da quadra feliz do affecto delirante?”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Teria sido ainda anteriormente à data da publicação do livro (1872) que Ferreira empreendeu sua primeira incursão tradutória. Noutro volume de poesia, “Redivivas”, de 1881, incluiu-se a sua versão do poema intitulado “Moesta et errabunda”, com a anotação de que a tradução teria sido feita em 1871. Nele, ao mesmo tempo em que se queixa do “negro oceano da cidade imunda”, Baudelaire convoca imagens ideais de outras terras, longínquas e paradisíacas, onde “sob um claro azul tudo é amor e alegria”. Segundo Meirelles e os comentaristas por ele consultados, Carlos Ferreira teria identificado seu próprio país e, em particular, o Rio de Janeiro em que durante muito tempo residiu, como esse idealizado “paraíso perfumado, verde e inocente, cheio de prazeres furtivos”. Procedeu, em suma, a uma “aclimatação” da poesia do francês.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fique, portanto, este modesto registro, como sugestão para que outros, mais capacitados, como historiadores, estudiosos da literatura e pesquisadores em geral, possam se interessar pela biografia e obra desse jornalista e poeta que, em sua trajetória, legou marcas indeléveis às letras e ao jornalismo inclusive durante sua estadia em Campinas.</p>



<p><em><strong>Luiz Carlos Ribeiro Borges é membro da Academia Campinense de Letras e secretário geral do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas (CCLA)</strong></em></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2022/06/carlos-ferreira-baudelairiano/">CARLOS FERREIRA, BAUDELAIRIANO</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>XAVIER PINHEIRO, TRADUTOR DE DANTE</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/07/xavier-pinheiro-tradutor-de-dante/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jul 2021 23:31:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Núcleos do CCLA]]></category>
		<category><![CDATA[Divina Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Carlos R Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>
		<category><![CDATA[Xavier Pinheiro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ccla.org.br/?p=573</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Luiz Carlos R. Borges (Setecentos anos de morte de Dante Alighieri, nascido em 1265,...</p>
<p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/07/xavier-pinheiro-tradutor-de-dante/">XAVIER PINHEIRO, TRADUTOR DE DANTE</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Luiz Carlos R. Borges</strong></p>



<p class="has-normal-font-size">(Setecentos anos de morte de Dante Alighieri, nascido em 1265, em Florença, e falecido em 14 de setembro de 1321, em Ravenna).</p>



<p>O texto que se segue, ainda a propósito dos setecentos anos da morte de Dante Alighieri, visa a um objetivo bem delimitado, voltado para a repercussão da obra de Dante no Brasil. Mais especificamente, o tema será a proeza literária do baiano José Pedro Xavier Pinheiro.</p>



<p>História que se inicia com Machado de Assis e sua atividade como tradutor. A esse propósito, há pouco tempo folheando o romance de Victor Hugo, <em>Os Trabalhadores do Mar</em>, na edição de 1971 da Editora Abril em sua coleção <em>Os imortais da Literatura Universal</em>, verifiquei, não sem certa surpresa, que a tradução coube exatamente a Machado.</p>



<p>Dele, também soube haver traduzido um dos cantos da<em> Commedia</em>, no caso, o Canto XXV, do <em>Inferno</em>. Pois, tendo sido publicada, em 1874, no jornal <em>Globo</em>, essa tradução veio a merecer imediata admiração por parte de Xavier Pinheiro.</p>



<p>Nascido em 1822, desde cedo esse baiano de Salvador precisou exercer uma profissão que lhe assegurasse os meios de subsistência a partir do momento em que os negócios de seu pai fracassaram; exerceu funções de professor, nela se destacando de forma a ter merecido o apoio de fazendeiros e amigos de seu pai para o fim de ampliar sua formação e seus conhecimentos. Em certo momento, sentiu a necessidade de se transferir para um centro urbano mais favorável a seus projetos, quando então se radicou no Rio de Janeiro. Na capital do Império atuou no jornalismo e mais tarde conseguiu um cargo público; ali encontrou condições propícias a seu aperfeiçoamento cultural, inclusive se relacionando com os intelectuais que, nascidos no Rio ou provenientes de todas as partes do País, constituíam o próprio núcleo da criação e da produção literária nacional.</p>



<p>Foi quando, ao elogiar pessoalmente Machado de Assis por sua tradução daquele Canto da <em>Divina Comédia</em>, este, por sua vez, o estimulou a também ingressar na grandiosa tarefa de traduzir Dante. Xavier Pinheiro aceitou o desafio e, pelos sete anos seguintes, trabalhou intensamente, até mesmo com sacrifício da própria saúde, até sua morte, em 1882, na tradução integral da obra-prima dantesca.</p>



<p>Não teve a felicidade, no entanto, de ver publicado em livro o fruto do exaustivo trabalho a que por tanto tempo se dedicou; não só: após sua morte, seu filho ainda teve de pelejar por largos anos, em verdadeira odisseia, &nbsp;até finalmente obter com que o livro fosse publicado, já decorridos mais de vinte anos desde o falecimento do pai.</p>



<p>São os três volumes dessa obra, só concluída em 1907, que figuram em minhas estantes, presente do saudoso amigo e confrade da Academia Campinense de Letras, Marino Falcão Lopes, e de cujo prefácio, de autoria do filho do Tradutor, F. A. Xavier Pinheiro, colhi as informações que ora integram esse texto.</p>



<p>É em homenagem, portanto, ao trabalho solitário e abnegado de José Pedro Xavier Pinheiro e ao precioso legado com que ele nos premiou que é feito o presente registro.</p>



<p>Uma das páginas mais primorosas da obra-prima de Dante é, reconhecidamente, aquela em que relatado o drama do casal de amantes adúlteros, Paolo e Francesca (Canto V do <em>Inferno</em> – círculo infernal onde padecem os luxuriosos). Nesse episódio o poeta demonstra a mesma e implacável severidade com que censura as diversas linhagens de pecadores (aí incluindo seu próprio mestre Bruneto Latini; o pai de seu dileto amigo Guido Cavalcanti; e até mesmo outros poetas, como o trovador Bertran de Born – a propósito, o castigo infernal infligido a este é sutilmente sugerido em meu romance <em>Crônica de Bernartz &amp; Bertran</em>). Aqui, no entanto, ele confessadamente se condói diante do destino trágico dos amantes, ao ponto de, no final, literalmente tombar ao chão: “e caddì como corpo morto caddi” (e caí, como morto corpo cai). Outro verso lapidar vem logo antes: “quel giorno più non vi leggemo avante” (os amantes se dedicavam à leitura até serem irresistivelmente atraídos e se beijarem: daí, “aquele dia não mais continuamos a ler”).</p>



<p>Portanto, nada mais apropriado do que encerrar este texto com a transcrição (precedida dos originais) dos versos finais desse Canto V, na tradução de Xavier Pinheiro (mantida a grafia da época):</p>



<p class="has-text-align-center"><em>“La bocca mi baciò tutto tremante.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Galeotto fu il libro e chi lo scrisse:</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>quel giorno più non vi leggiamo avante”.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>mentre che l’uno spirto questo disse,</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>l’altro piangea sì che di pietade</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>io venni men cosi com’io morisse:</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>e caddi como corpo morto caddi.</em></p>



<p><em>“A boca me beijou todo tremante,</em></p>



<p><em>De Galeotto fez o autor e o escripto.</em></p>



<p><em>Em ler não fomos n’esse dia avante”</em></p>



<p><em>Em quanto a historia triste um tinha dito,</em></p>



<p><em>Tanto carpia o outro, que eu, absorto,</em></p>



<p><em>Em piedade, senti lethal conflito,</em></p>



<p><em>E tombei, como tomba corpo morto.</em></p>



<p class="has-small-font-size"><strong><em>O autor é Secretário Geral do CCLA e diretor de seu Departamento de Literatura; membro da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas</em></strong></p>



<p></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/07/xavier-pinheiro-tradutor-de-dante/">XAVIER PINHEIRO, TRADUTOR DE DANTE</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Setecentos anos da Morte de Dante Alighieri</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/07/setecentos-anos-da-morte-de-dante-alighieri/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alcides Acosta]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jul 2021 19:19:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[700 Anos de Morte]]></category>
		<category><![CDATA[Dante Alighieri]]></category>
		<category><![CDATA[Divina Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Carlos R Borges]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ccla.org.br/?p=568</guid>

					<description><![CDATA[<p>2021 celebra os 700 anos de morte do grande vate florentino, Dante Alighieri, genial autor da "Divina Comédia". O escritor Luiz Carlos R. Borges conduz o leitor ao encontro de Dante e de sua musa inspiradora, a Garota de Florença, Beatriz.</p>
<p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/07/setecentos-anos-da-morte-de-dante-alighieri/">Setecentos anos da Morte de Dante Alighieri</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Luiz Carlos R. Borges</p>



<p>O presente ano de 2021 marca os setecentos anos de morte de Dante Alighieri, nascido em 1265, em Florença, e falecido em 14 de setembro de 1321, em Ravenna.</p>



<p>Seria, naturalmente, ocioso destacar a singular relevância do autor italiano dentro do panorama da literatura universal, figura ímpar no quadro da evolução da história literária e, sobretudo, poética. Produziu, ao longo de sua trajetória intelectual, trabalhos que se intitularam <em>De Vulgari Eloquentia</em>, <em>Da Monarchia</em>, <em>Convivio</em>, nos quais demonstra seu profundo conhecimento em áreas como a literatura, a história, a linguística, a filosofia, a teologia, a política, o direito, tudo o que viria igualmente a transportar para a sua obra máxima, já no terreno da poesia. E, com efeito, seu legado maior, e incomparável, foi de natureza poética, assinalado por suas três obras: <em>Vita Nuova</em>, onde se contêm os sonetos dedicados a Beatriz; <em>Rime</em>, conjunto poético reunido após sua morte; e, escrito já em seu período de exílio, sua culminante e monumental <em>Commedia</em>, que, desde Boccaccio, passou a ser conhecida como <em>Divina Comédia</em>.</p>



<p>A propósito, para o leitor interessado no tema, recomenda-se a leitura do &nbsp;breve mais precioso livro intitulado <em>Dante, Poeta do Absoluto</em> (indicação de nosso amigo, o médico Sílvio Carvalhal), cujo autor, Hilário Franco Júnior, perfaz a proeza de sintetizar o tempo histórico, a trajetória pessoal e a obra do poeta florentino, em pouco mais de cem páginas, em linguagem fluente e substanciosa (Ateliê Editorial, 2000).</p>



<p>Assim como, entre outras obras literárias icônicas, o<em> Ulisses</em>, do irlandês James Joyce, <em>Em busca do tempo perdido</em>, do francês Marcel Proust, <em>Grande Sertão; Veredas</em>, de Guimarães Rosa, a leitura da <em>Commedia</em> constitui missão para toda uma vida, eis que cada momento de seu percurso, ainda quando fragmentário, vem continuamente proporcionar novos e inesgotáveis enfoques, infindáveis percepções e iluminações.</p>



<p>Juntamente com Charles Baudelaire, Dante figura entre os poetas de minha predileção e de incessante leitura. Curiosamente o corrente ano de 2021 marca duas efemérides relativas a um e a outro: os setecentos anos da morte de Dante e o bicentenário do nascimento de Baudelaire.</p>



<p>A obra de Dante, neste mesmo espaço do CCLA, já foi objeto de um artigo, <em>Dante Alighieri e o Visconde de Inhomirim</em>, trazendo à luz, graças ao excelente trabalho de pesquisa e resgate empreendido por nosso companheiro de Diretoria, Genaro Campoy Scriptore, a figura de Francisco de Sales Torres Homem, médico, político e escritor do período imperial, autor, entre outros trabalhos, de estudos sobre Dante.</p>



<p>Quando, em fins de 2015, iniciei minha colaboração com o Correio Popular, através de seu “Caderno C”, o texto inaugural foi exatamente dedicado ao poeta florentino, com o título de <em>A garota de Florença</em>: é como modesta contribuição que reproduzo a seguir aquele escrito, dando sequência às homenagens inauguradas pelo texto de nosso companheiro de Diretoria.</p>



<p>A GAROTA DE FLORENÇA&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma jovem passa a caminho do mar. Das mesas de um bar, espalhadas pela calçada, um grupo de fregueses espia a sua passagem, e dois deles resolvem compor uma canção em homenagem à moça.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cena acontece no Rio de Janeiro, em algum dia do ano de 1962. A jovem será mais tarde identificada como Helô Pinheiro e contava então com quinze anos de idade. Os dois clientes do bar que decidiram converter em canção o encantamento causado por ela eram Vinicius de Morais e Tom Jobim. A canção se intitularia <em>Garota de Ipanema</em>, e se transformaria na segunda canção popular mais executada em todo o mundo.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cena semelhante aconteceu, séculos atrás, em outros tempos, em outra latitude. Uma jovem, de cerca de dezoito anos, passa a caminho da igreja. Em seu trajeto depara-se com um moço que, sem que ela o saiba, há muitos anos a admira. Ao passar por ele, ela, pela vez primeira, lhe dirige uma saudação.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ano é de 1283; o cenário é a cidade italiana de Florença. A jovem chama-se Beatriz Portinari. Seu admirador é Dante Alighieri, que, inebriado pela saudação e pelo sonho que lhe advém na noite daquele encontro, decide compor uma canção em homenagem a ela.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas os tempos são outros, outra é a linguagem, a retórica. A canção de Dante é escrita sob a forma de um soneto. E escreverá não um, mas vários sonetos, que serão reunidos no volume intitulado <em>Vita Nuova</em>. Mais que isso, na terceira parte da <em>Divina Comédia</em>, escrita anos depois, Beatriz passa a conduzir o Poeta, substituindo Virgílio, pelos caminhos do Paraíso.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O mais célebre desses sonetos é aquele que assim se inicia: “Tanto gentile e tanto onesta pare / La donna mia, quand’ella altrui saluta, / ch’ogne lingua deven tremando muta, / E li occhi non l’ardiscon de guardare” (algo como: Tão gentil e tão honesta parece a minha dama, quando ela saúda a outrem, que a língua se torna, tremendo, muda, e os olhos não se cansam de mirá-la).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na estrofe seguinte, destaca-se esse verso: “Ella si va, sentendosi laudare” (Ela se vai, sentindo-se louvar). Há, nele, dito em voz alta, certa cadência, uma sensualidade, um doce balanço, que permite até mesmo a visualização da jovem que se afasta, cheia de graça e vivacidade, sabendo-se admirada por quantos a veem passar.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Beatriz desposaria outro, o enlevo de Dante jamais ultrapassaria a mera contemplação, e ela morreria muito jovem, com apenas 25 anos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por que lembrar-se hoje, em pleno século 21, neste final de 2015, daquele acontecimento de 1283? Pelo menos por duas razões, uma de caráter histórico, outro de caráter pessoal. A primeira é porque neste ano de 2015 se comemoram 750 anos de nascimento de Dante (1265-1321).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A segunda razão é porque, em data recente, após uma visita à “Casa di Dante” (pequeno mas expressivo museu instalado na casa onde o poeta residiu em Florença), fui surpreendido, já na rua, pela visão de uma placa, endereçada não só aos turistas, mas aos peregrinos como eu, indicativa de um local identificado como “Chiesa di Dante”. Aproximei-me da referida igreja, em cujo pórtico se informa que ali foram sepultados os corpos de integrantes da família Portinari&#8230; inclusive da própria Beatriz. Entrei, e apesar da penumbra própria do interior desses templos, localizei a pedra tumular sob a qual repousam as cinzas de Beatriz.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como não se comover? Ali, num recanto da igrejinha até então desconhecida, descansam os restos mortais daquela jovem que, muitos séculos atrás, tanto havia encantado Dante, ao ponto de ele a designar como sua dama de eleição e, mais que isso, signo permanente da feminilidade e da beatitude. Ali, ainda que desfeita em pó, pulsa a memória daquela Garota de Florença, que há mais de setecentos anos passava a caminho da igreja, cheia de graça, de gentileza e de perenidade.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>O autor é Secretário Geral do CCLA</strong></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/07/setecentos-anos-da-morte-de-dante-alighieri/">Setecentos anos da Morte de Dante Alighieri</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DUZENTOS ANOS DE CHARLES BAUDELAIRE</title>
		<link>https://ccla.org.br/2021/04/duzentos-anos-de-charles-baudelaire/</link>
					<comments>https://ccla.org.br/2021/04/duzentos-anos-de-charles-baudelaire/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 17:08:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Baudelaire]]></category>
		<category><![CDATA[Efeméride]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Carlos R Borges]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ccla.org.br/?p=534</guid>

					<description><![CDATA[<p>Neste ano comemora-se o bicentenário do escritor francês CHARLES BAUDELAIRE, nascido em Paris em 09 de abril de 1821. O autor deste retrato de Charles Baudelaire, 1863, é Etienne Carjat (fotógrafo), Paris-França.</p>
<p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/04/duzentos-anos-de-charles-baudelaire/">DUZENTOS ANOS DE CHARLES BAUDELAIRE</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Neste ano comemora-se o bicentenário do escritor francês CHARLES BAUDELAIRE, nascido em Paris em 09 de abril de 1821.</p>



<p>Autor de uma obra literária que compreende “Pequenos Poemas em Prosa ou o Spleen de Paris”; traduções como as desenvolvidas em torno da obra de Edgard Allan Poe; crônicas sobre os vícios e costumes daqueles meados do século dezenove; reflexões sobre estética, literatura, artes plásticas e visuais (“Paraísos Artificiais”, “Meu Coração Desnudado”, “O Pintor da Vida Moderna”, “Obra e Vida de Delacroix”), Baudelaire notabilizou-se, sobretudo, por seu livro de poemas intitulado “Fleurs du Mal” (Flores do Mal).</p>



<p>Publicado em 1857, naquele mesmo ano algumas das peças integrantes do livro produziram imediato escândalo junto aos moralistas de plantão. A partir de um artigo divulgado pelo jornal “Le Figaro”, instaurou-se uma investigação judicial contra o poeta e contra seus editores, Poulet-Malassis e De Broise, por “ofensa à moral religiosa, à moral pública e aos bons costumes”. Ao final do processo o poeta e seus editores foram condenados em penalidades de multa e o livro teve de sofrer a amputação de seis dos poemas que o integravam. Sua reabilitação, no âmbito judicial, sobreviria apenas em meados do século vinte.</p>



<p>Baudelaire faleceu em 31 agosto de 1867. Seu nome se inscreveria no panteão dos maiores poetas de todos os tempos e como introdutor da modernidade na arte poética.</p>



<p>Ao longo dos anos tive oportunidade de escrever por várias vezes a seu respeito e de sua obra. Ainda na década de 1980, a Revista então mantida pela Associação Paulista de Magistrados (APAMAGIS) divulgou um texto intitulado “Poetas no Banco dos Réus” (onde também abordado o processo judicial enfrentado por Paul Verlaine depois de haver atirado contra Arthur Rimbaud); no suplemento literário do jornal Correio Popular, de Campinas, “Domingo Cultura”, edição de 27/06/1982, publicou-se “Maldito Baudelaire” (“maldito” foi o epíteto com que o mesmo Verlaine definiu &nbsp;companheiros seus na atividade poética, como Baudelaire, Rimbaud e outros: “Les Poètes Maudits”).</p>



<p>Já nos anos mais recentes, o Caderno C do Correio Popular, acolheu dois outros artigos meus: “O Poeta no Meio da Rua” e “O Salmo de Baudelaire”.</p>



<p>Aquele texto de 1982, ora revisto, e mais outro, inédito, vão a seguir, nossa modesta homenagem ao grande poeta francês em seu bicentenário.</p>



<p>MALDITO BAUDELAIRE</p>



<p>O jornal Correio Popular, no suplemento “Domingo Mulher” (antecessor do “Domingo Cultura”, coordenado por Eustáquio Gomes e Roberto Goto), em sua edição de 27/06/1982, publicava um texto de minha autoria, intitulado “Maldito Baudelaire”, contendo a tradução de um dos poemas mais “amaldiçoados” do livro “Le Fleurs du Mal”, intitulado “A celle qui est trop gaie”, um dos seis que foram condenados à supressão pelas autoridades judiciárias que julgaram ação movida contra <strong>Charles Baudelaire</strong> e seus editores.</p>



<p>Destaquei, no breve ensaio que precede a tradução do poema, “sua estrutura, cujos versos iniciais sugerem uma típica concepção romântica da mulher e da natureza, mas cujo desenvolvimento logo se encaminha para outro sentido, rumo a um desfecho pleno de erotismo e perversão, caracteristicamente baudelairiano”. É como, ora acrescento, se o poeta, integrante, ao menos cronologicamente, do período romântico da poesia francesa, esboçasse os primeiros versos segundo os cânones da Escola, para, num crescendo, se empenhar em os infringir, transgredir e implodir, culminando no magnífico verso final: “T’infuser mon vénin, ma soeur!”. Registro, aqui, aquela tradução:</p>



<pre class="wp-block-verse"></pre>



<p>Teu rosto, teu gesto preclaro</p>



<p>São belos como uma paisagem;</p>



<p>O riso brinca em tua imagem</p>



<p>Qual fresca brisa no céu claro.</p>



<p>O passante detém os passos</p>



<p>Se o roças com leviandade,</p>



<p>Deslumbrado ante a claridade</p>



<p>De teus ombros e de teus braços.</p>



<p>Pois as resplandecentes cores</p>



<p>Que com tuas vestes suscitas</p>



<p>Despertam na alma dos artistas</p>



<p>As imagens de um balé de flores.</p>



<p>Loucos trajes são o estandarte</p>



<p>De tua alma, rútilo ornato;</p>



<p>Louca, que me pões, insensato,</p>



<p>A amar tanto como odiar-te.</p>



<p>Certa vez, num jardim perfeito,</p>



<p>Indo a arrastar minha apatia,</p>



<p>Vim a sentir, com ironia,</p>



<p>O sol dilacerar meu peito.</p>



<p>A primavera em esplendor</p>



<p>Tanto humilhou minha tristeza</p>



<p>Que a insolência da natureza</p>



<p>Eu castiguei sobre uma flor.</p>



<p>Assim, na noite, sem alarde,</p>



<p>Hora de volúpias e agouros,</p>



<p>Para os teus íntimos tesouros</p>



<p>Vou me arrastar como um covarde.</p>



<p>E punir-te a carne radiosa,</p>



<p>Maltratar teu seio vencido,</p>



<p>Abrir em teu flanco aturdido</p>



<p>Uma ferida dolorosa;</p>



<p>E, doce vertigem malsã,</p>



<p>Através estes lábios úmidos,</p>



<p>Mais estuantes e mais túmidos,</p>



<p>Injetar meu veneno, irmã!</p>



<p>******</p>



<p>L’HÉAUTONTIMÔROUMÉNOS</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O título deste artigo corresponde ao de um poema de <strong>Charles Baudelaire</strong>, incluído em seu livro “Les Fleurs du Mal” (As Flores do Mal), publicado em 1857. A expressão é originária do grego clássico; deixei de optar, em meu tempo de colégio no Culto à Ciência, pelo aprendizado do idioma grego, então opcional entre as disciplinas do curso clássico; porém, segundo informam algumas edições do livro de Baudelaire, a expressão se traduz como “o carrasco de si mesmo”, ou “aquele que se aflige a si próprio”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de um poema caracteristicamente baudelairiano, que se inicia com os versos “Je te frapperai sans colère / et sans haine – comme um boucher!” (Eu te baterei sem cólera e sem ódio – como um açougueiro!), e se encerra com estes, que concretizam a definição, autodestrutiva, anunciada no título:</p>



<p>Je suis la plaie et le couteau!</p>



<p>Je suis le soufflet et la joue!</p>



<p>Je suis les membres et la roue,</p>



<p>et la victime et le bourreau!</p>



<p>Je suis de mon coeur le vampire</p>



<p>– Un de ces grands abandonnés</p>



<p>Au rire éternel condamnés</p>



<p>Et qui ne peuvent plus sourire!</p>



<p>Em tosca tradução: Eu sou a chaga e a faca! Eu sou o tapa e a cara! Eu sou os membros e a roda (o instrumento de suplício que esticava braços e pernas até rompê-los), e a vítima e o carrasco! Eu sou o vampiro de meu coração – um desses grandes abandonados, condenados ao riso eterno e que não podem mais sorrir!</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na realidade, o título foi tomado de empréstimo por Baudelaire a uma comédia latina de<strong> Terêncio</strong> (190-159 a.C).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Publius Terentius Afer foi uma figura peculiar da literatura romana da Antiguidade. Originário do norte da África, tendo nascido em Cartago, foi conduzido como escravo a Roma e nessa condição permaneceu até ser liberto por seu senhor, o senador Terêncio Lucano, do qual herdou o nome e a instrução erudita que lhe foi ministrada. A qual lhe permitiu aventurar-se, com sucesso, na escritura de peças teatrais, entre as quais aquela de nome “Heautontimorumenos”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Algumas frases extraídas das obras de Terêncio se perenizaram e até mesmo se popularizaram, como esta: “quot homines, tot sententiae”, de que se originou a expressão proverbial “Cada cabeça, cada sentença”. Ou esta outra, formulada exatamente na comédia em questão: “Homo sum; humani nil a me alienum puto”, de que derivou, entre nós, a afirmação de que “nada do que é humano me é estranho”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de expressão que parece nascida do repertório psicanalítico, mas que em verdade foi utilizada por Terêncio num contexto mais prosaico, em que um pai procura justificar sua conduta mais severa adotada em relação a um filho. E que, por sua vez, parece ecoar dito semelhante, formulado já em tom solene pelo grego <strong>Sófocles</strong> (século V a.C) e incluído na abertura do primeiro Coro de sua “Antígona”: “Muitas são as coisas estranhas; nada, porém, há de mais estranho que o homem”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse trecho da tragédia de Sófocles&nbsp; mereceu de <strong>Martim Heidegger</strong> uma profunda análise em sua “Introdução à Metafísica” (1953), em que o filósofo alemão, como de hábito, mergulha na busca do sentido primordial que cada palavra dessa peça deveria assumir na língua grega original, vislumbrando, por exemplo, na frase inaugural do coro (e na noção de “estranheza” nele encerrada), uma concepção do homem “pelos limites supremos e pelos abismos mais surpreendentes de seu ser”, acrescentando que “tal ser só se revela e se abre a um projeto poético-pensante”, como a assinalar que através da filosofia e da poesia é que o ser humano poderá se desvelar em toda a sua ilimitada e “estranha” dimensão.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Arrematando esse breve itinerário, a expressão “nada do que é humano me é estranho” assinala como que um emblema, um estandarte da poética do próprio Baudelaire, que em sua tematização do humano não recua diante dos aspectos mais extremados, radicais e obscuros, perscrutando, inclusive em si próprio, aquilo que a essência humana contém de mais sublime e de mais sórdido, sondando-o nas experiências de êxtase e nas provações dos abismos.</p>



<p><strong>Luiz Carlos R. Borges, Secretário Geral do CCLA </strong></p>



<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p><strong>e responsável por seu Departamento de Literatura</strong></p>
</div>



<p></p><p>The post <a href="https://ccla.org.br/2021/04/duzentos-anos-de-charles-baudelaire/">DUZENTOS ANOS DE CHARLES BAUDELAIRE</a> first appeared on <a href="https://ccla.org.br">CCLA</a>.</p>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://ccla.org.br/2021/04/duzentos-anos-de-charles-baudelaire/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
