CCLA comemora e discute os 65 anos do cinema de arte em Campinas

O Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) vai celebrar na próxima quarta-feira, 15 de julho, com uma exposição que será aberta às 16 horas, os 65 anos do início das discussões sobre o cinema como expressão cultural e estética em Campinas. Com curadoria de João Antônio Buhrer de Almeida, a exposição “65 anos de cinema de arte em Campinas” vai documentar o período, que teve a contribuição fundamental do engenheiro Marino Ziggiatti, atual presidente do CCLA e que também foi um dos responsáveis pela fundação, há 60 anos, do Departamento de Cinema da instituição. De uma vez o CCLA vai comemorar, portanto, dois marcos, para a história do cinema, do cineclubismo e da cultura na cidade.

Marino Ziggiatti nasceu em Campinas, em 1926, e fortaleceu sua paixão pelo cinema quando estudava Engenharia no Mackenzie, em São Paulo. Na capital paulista, conheceu e cultivou muitos nomes ligados ao cinema no Brasil, como o crítico Paulo Emilio Salles Gomes. O campineiro frequentava os cursos de cinema oferecidos no MASP, conhecidos por formar gerações de cinéfilos com visão crítica e ansiosos pela produção nacional e internacional.

Após formar-se em 1945, ano final da Segunda Guerra Mundial, Marino volta a Campinas em 1950, e passa a comentar sobre filmes e artistas com outros membros da Sociedade Reunidas, uma organização que agrupava médicos, engenheiros e advogados. Em um encontro na Sociedade Reunidas, o engenheiro recém-formado recebeu um convite de Roberto Pinto de Moura, para fundar e dirigir o Departamento de Cinema do CCLA, o que ocorreria em 1955. Outra amizade importante foi com o jornalista Bráulio Mendes Nogueira, que em 1950 criou o Clube de Cinema da Associação Campineira de Imprensa (ACI).

O Departamento de Cinema do CCLA, sob a direção de Ziggiatti, promoveu mais de 400 exibições dos maiores clássicos do cinema, da Nouvelle Vague francesa ao Neorealismo italiano, passando pelo cinema japonês, americano, russo e, recentemente, iraniano, entre outros. Durante uma década, entre 1974 e 1983, o Departamento de Cinema promoveu um festival nacional de super-8 .

O amor pelo cinema está no sangue. O pai de Marino, José Ziggiatti, foi um dos produtores do filme “João da Matta”, de Amilar Alves, de 1923. Latas dos filmes estavam esquecidas sob uma escada na casa do pai e “João da Matta” foi novamente exibido, por Marino, em 1950, deflagrando a discussão sobre cinema de arte na cidade. Uma trajetória de 65 anos.



O CCLA - Centro de Ciências, Letras e Artes é uma entidade cultural particular e sem fins lucrativos fundada em 31 de outubro de 1901, na cidade de Campinas/SP, por um grupo de cientistas, artistas e intelectuais que decidiram criar uma instituição em que se pudessem reunir para o estudo e a produção de atividades científicas e artísticas.